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BandaLarga

as autoestradas da informação

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PS pede ao PSD para não fazer "coligações negativas"

As "coligações virtuosas" com PCP e BE passaram agora a "coligações negativas."

O PS veio pedir ao PSD “para que não façam coligações negativas que viabilizem propostas que o Governo considera inviáveis do ponto de vista orçamental”.

Ou seja, acordos com o PCP e Bloco de Esquerda são agora “coligações negativas”? Mas só neste ponto, dado que desde outubro de 2015 que o governo do PS vive amparado na “geringonça”, negociando tudo com os dois partidos de extrema-esquerda no Parlamento.

Claro que todo o discurso, falso e propagandístico, de “fim da austeridade” só poderia conduzir a este resultado. Se a “austeridade” acabou, então o que esperar senão um avolumar das revindicações de todos os grupos de interesses? Os professores, os polícias ou qualquer outro grupo está apenas a fazer o que lhes compete: defender os seus interesses. Já do lado do Governo é que fica a dúvida se estão a fazer o que lhes compete: defender o interesse de Portugal, e não apenas uma estratégia partidária de poder.

Aqui chegados, percebemos bem o que a “geringonça” representa: um acordo (im)possível, visando apenas o poder. À custa de tudo: à custa da normalidade democrática que durante 40 anos fez com que o partido mais votado, mesmo sem maioria absoluta, governasse (76-78; 85-87; 95-99 com António Guterres; 2009-2011 com Sócrates). À custa da responsabilidade orçamental. E à custa do interesse nacional.

"“Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela.” Maquiavel

Lembram-se da obsessão sobre o défice ?

Porquê 3% de défice, perguntava Jerónimo de Sousa, é que nunca nenhum economista lhe tido conseguido explicar . Isto passava-se nos tempos de Passos Coelho mas também se passa agora com António Costa . Porque não 11% ?

É, claro, que Jerónimo sabe muito bem que a dívida pública é a soma dos défices. E a dívida cobra juros e tem que ser paga. Não sabe ele outra coisa. Mas como é que se controla o défice e a economia cresce ?

É, que, quando as contas públicas estão controladas há "défices virtuosos" e "dívida virtuosa" quando uns e outra são aplicados em investimentos que dão retornos superiores ao custo do dinheiro pedido emprestado.

E em relação a uma pretensa política económica do Governo que estará a levar a este resultado, a ironia não podia ser maior.

A ideia do PS era simples: vamos devolver rendimentos mais depressa e, com isso, estimulamos o consumo das famílias e, com ele, a actividade económica; vamos dinamizar o investimento; ao mesmo tempo, temos que reduzir o défice orçamental de forma muito mais lenta para que estas contas possam bater certo.

O que está a acontecer é mais ou menos o inverso disto: a economia cresce muito mais com o contributo das exportações e do investimento do que do consumo interno; o investimento foi sacrificado; o défice foi – e bem – cortado muito mais depressa (e o corte no investimento, entre outras operações, fez com que as contas batessem certo).