Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

Bloco de Esquerda agora no Turismo : se mexe, pisa !

Presidente da Associação do Turismo do Porto : Turismo do Porto: “Se matamos o alojamento local, matamos o que o turista procura”

Bloco de Esquerda : Bloco de Esquerda (BE) vai pedir a suspensão imediata dos novos registos de alojamento local em Lisboa, por considerar que a capital “continua a permitir o aumento drástico” deste tipo de alojamento. Além disso, o partido tem ainda outras medidas que vão no mesmo sentido, nas quais se inclui a criação de um gabinete de fiscalização do setor.

Universidade Lusófona : alojamento local tem um peso “inegável” no turismo e na economia e este ano poderá gerar um impacto económico de quase 412 milhões de euros em Portugal, segundo estimativas de um estudo divulgado esta quarta-feira pela universidade Lusófona.

O mantra do BE : se mexe, pisa !

 

 

Não se esqueçam de matar a galinha dos ovos de ouro

turismo.jpg

Além dos tradicionais,  Reino Unido, Espanha, Alemanha e França, estão a chegar os Estados Unidos, Canadá e Brasil . Já não são só o sol e a praia que atraiem os turistas .

Do outro lado da moeda, estão três países que enviam para Portugal cada vez mais turistas: EUA, Canadá e Brasil. Até julho, cerca de 454 mil norte-americanos ficaram na hotelaria em Portugal, um crescimento superior a 84 mil pessoas em comparação com o mesmo período do ano passado. Sendo que, até julho deste ano, usufruíram da hotelaria mais americanos do que nos 12 meses do ano de 2013, de 2014 e de 2015. Do Brasil chegaram 553 mil hóspedes, mais de 57 mil que até julho de 2017. E do Canadá 148 mil, uma subida de mais de 23 mil pessoas. Os dados do Turismo de Portugal mostram que a TAP é a principal companhia aérea a fazer a ligação entre o Brasil e EUA e Portugal.

 

 

Défice externo duplica - foi assim que o país entrou em crise

A evolução negativa do défice externo é tão significativa que os políticos nem sequer falam dela. Mas o défice externo é o primeiro e mais importante sinal de que a economia não cresce o suficiente para pagar as contas.

Nem o turismo em plena pujança chega para pagar os bens importados depois de descontadas as exportações. Estamos a pagar os salários dos trabalhadores dos países que nos vendem os bens que consumimos.

O Banco de Portugal explica que o défice nas mercadorias subiu 1.062 milhões de euros, com as exportações a crescerem 6,8% até Junho, mas as importações a aumentarem mais depressa, 8,9%.

Mas ainda há um sinal positivo. As importações de serviços intermédios e de Equipamentos cresceram o que pode querer dizer que se está a investir.

Na corda cada vez mais bamba pese a "fanfarra ".

As compras de Espanha e o Turismo

São os dois factores que mais influenciam o actual bom comportamento da economia. A economia de Espanha cresce desde há três anos acima dos 3% e o "boom" do turismo deve-se à fuga dos turistas de paragens menos recomendáveis em termos de terrorismo.

O governo tem pouco a ver com estas duas componentes filhas da actual situação externa. " Tem sorte, António Costa " disse-lhe António Lobo Xavier . "E porque não hei-de ter ?" respondeu-lhe o primeiro ministro.

Mas sem as reformas estruturais os problemas do país mantêm-se, o futuro é sombrio. O jornal compara o percurso luso ao irlandês, que também foi alvo de um resgate. Dublin manteve os impostos em baixa (12,5% face à média europeia de 21,5%) e criou um “banco mau” para ajudar com os ativos tóxicos. O resultado é um crescimento de 5,2% no ano passado e expectativas de crescimento de 3% em 2019, segundo o FMI.

Portugal anda pela metade em crescimento este ano e até 2019 previsões do governo.  Apesar dos elogios feitos à economia portuguesa, o WSJ ressalva que não é certo que “esta recuperação surpresa tenha vindo para ficar”, baseando a sua afirmação nas perspetivas do FMI de que o crescimento luso regrida, a médio prazo, para uns menos apetecíveis 1,2%. E cita Teodora Cardoso, responsável do Conselho das Finanças Públicas: “Não há dúvida de que a economia está muito bem atualmente. (…) A questão principal é se o estado atual é sustentável a longo prazo”.

Nunca ninguém perdeu eleições quando o ciclo económico é positivo. É o que está a acontecer na Europa e no mundo. Mas mais tarde ou mais cedo se o país não se prepara agora, vem a fase menos boa e a crise é inevitável como sempre acontece no nosso país.

E Portugal mais uma vez não está a fazer o que tem que ser feito.

Contas externas deterioram-se em 74% até Julho

excedente externo caiu 74% até Julho apesar do extraordinário comportamento do Turismo. O défice entre entre exportações e importações de bens conseguiu ser maior.

Esta redução homóloga de 74% do saldo externo do país foi revelada hoje pelo Banco de Portugal, que justifica esta evolução com o comportamento das balanças de bens, de rendimento primário e de capital.

O excedente da balança de serviços, em 1026 milhões de euros, foi “insuficiente para compensar o incremento do défice da balança de bens de 1685 milhões de euros”, refere uma nota do banco central. Balanças corrente e de capital apresentaram um saldo positivo de 280 milhões de euros, depois de um excedente de 1058 milhões de euros no mesmo período de 2016.

Um dos mais importantes indicadores da saúde da economia. Neste caso da doença. O mesmo de sempre. Voltamos a gastar mais do que produzimos .

 

Já gastamos mais do que produzimos

défice externo não pára de crescer. Em dois meses duplicou. Apesar do momento alto do turismo.

As reversões dos salários e pensões já produziram o resultado que se temia. As famílias estão a pedir crédito bancário para voltar a comprar habitação, automóvel e bens de consumo. Como temos que importar tudo ou quase tudo já voltamos a pagar os salários dos trabalhadores dos nossos parceiros comerciais.

Há uma parte boa ? Há, a maquinaria em principio são investimentos fabris. Mas não se conhecem grandes ou muitos investimentos novos, pelo contrário, estamos à míngua . As importações são mesmo, na maior parte, bens de consumo.

Bastaram dois meses para colocar a economia no caminho errado mas, PCP e BE não desarmam, querem mais despesa.  Aliás, não é surpresa nenhuma, ambos os partidos sempre disseram que não percebiam por que o défice orçamental deveria estar abaixo de 3%.

Mais despesa, mais dívida, mais défice externo. Agora já sabem e é também por isso que a carga fiscal não pára de crescer. Depois do IMI agora vem aí um aumento de taxa para o Alojamento Local.

Quem é que disse que o estado é insaciável ?

 

 

Voltamos a pagar os salários dos trabalhadores de lá de fora

Nem o Turismo consegue compensar o aumento das importações. O défice externo quase duplicou no segundo trimestre. Isto tem uma tradução. Voltamos a pagar os salários de quem nos vende automóveis para as pessoas e maquinaria para as empresas.

Esta deterioração é explicada pelo facto de as importações de mercadorias terem crescido 14,7% no primeiro semestre, o que corresponde a um ritmo mais forte do que o verificado nas exportações (+12,1%).

O forte crescimento das importações deve-se também ao bom desempenho da economia nacional, que no primeiro semestre deste ano cresceu (+2,8%) ao ritmo mais forte da última década. A aceleração do crescimento económico tende a reflectir-se no aumento mais forte das importações, pois impulsiona a compra de mais bens produzidos no exterior, como por exemplo automóveis no caso das famílias e maquinaria no caso das empresas.

As exportações nos últimos quatro anos passaram de 30% do PIB para 50% do PIB. É necessário chegarem aos 60% do PIB sem o que andaremos, via défice externo, a pagar os salários dos trabalhadores de quem nos vende.

Isto não é tão simples como o governo nos quer dar a entender.

Mais emprego com baixos salários

Apesar de o Turismo ser a actividade que mais cria emprego com valor acrescentado, a existência de baixos salários coloca em perigo a retoma.

O próprio INE revela um indicador que é preocupante. É o que dá conta da precariedade laboral e social. A subutilização do trabalho atinge 903,3 mil pessoas, praticamente o dobro do desemprego oficial. 

 

Entre desempregados oficiais, pessoas a tempo parcial que gostavam de trabalhar a tempo inteiro, mas que sobrevivem com biscates e pessoas sem trabalho, que não contam para a taxa do desemprego, verificamos que 16,6% da população activa, praticamente uma em cada seis, não encontra trabalho a tempo inteiro.

 

Por outro lado, verifica-se uma pressão para os baixos salários. Já antes da crise que há dez anos começou a dar os primeiros sinais, com o início da implosão dos contratos "subprime" nos EUA, mas que se acentuou em Setembro de 2015 com a falência do Lehman Brothers, se notava na Europa e ainda de forma mais aguda em Portugal uma tendência para a desvalorização dos custos de trabalho.

 

Essa tendência agravou-se na crise e mantém-se agora, apesar dos primeiros sinais sustentados da retoma.

 

No caso português, até os mil euros se tornaram uma miragem distante, principalmente para milhares de jovens qualificados, a quem é oferecida uma remuneração que não anda longe do salário mínimo nacional, cada vez mais uma bitola salarial.

 

Em várias economias, dos Estados Unidos à Europa, o  emagrecimento  dos salários está a tornar-se  uma travão ao crescimento potencial da economia.

 

É cedo para o foguetório que anda por aí.

Portugal precisa de um novo modelo de crescimento

O modelo de crescimento que o país tem seguido canaliza para fora do país grande parte da riqueza produzida - via encargos com a dívida - e colocou na mão de estrangeiros importantes activos económicos. É preciso um novo modelo económico.

Portugal tem todas as condições para substituir as fontes de energia importadas por fontes de energia nacionais . Pode desenvolver sistemas auto-sustentáveis nos sectores da água, da agricultura, da alimentação e dos resíduos. E o turismo é um sector que ainda agora dá os primeiros passos. E a segunda maior zona marítima do mundo é um oceano de oportunidades.

Trazer o turista num avião que compramos à França, movido por combustível que importamos do Mar do Norte, que dorme em hoteis de grandes cadeias internacionais e que comem e bebem o que importamos do estrangeiro, o que fica para pagar a dívida é poucochinho. E, além de tudo isso, andamos a preparar toda uma geração de jovens capazes para a emigração.

É importante enfatizar que o modelo económico do passado é que criou esta dívida, retirando recursos e lucros para benefício de financiadores distantes. Jovens e educados portugueses foram encorajados, e até forçados, a abandonar o país por forma a procurar avançar na carreira e assegurar um futuro. Estas dinâmicas criaram uma espiral negativa que só poderia resultar em dívida e dependência.

"As mais-valias portuguesas encontram-se na sua cultura e nas suas pessoas. Este novo modelo pode elevar essas qualidades e princípios. A nossa abordagem foca-se diretamente em pôr essas qualidades únicas no centro do modelo económico para que a economia trabalhe para as pessoas, em vez de serem as pessoas a trabalharem para a economia "