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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Um cadáver à mesa do Conselho de Ministros

As desculpas do ministro Cabrita ficarão para sempre entregues ao anedotário nacional .

Talvez o primeiro-ministro esteja a atingir os limites da sua habilidade política, não conseguindo perceber que tem um cadáver à mesa do Conselho de Ministros. Há sempre um momento em política em que as aparentes capacidades políticas são ultrapassadas pela imprevisibilidade dos factos, e quando tal acontece, os factos ganham sempre. Com ou sem oposição, com mais ou menos sorrisos cínicos, com pequenas ou com grandes mentiras. Nas vésperas da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia não há necessidade de contaminar as salas de Bruxelas com a pequenez da pestilência nacional. Haja dignidade e haja grandeza.

Na viagem entre a cave e a placa do aeroporto encontramos de novo o País político em agitação pré-nupcial. O assunto é um clássico na política indígena, a saber, as aventuras celestes e terrestres da TAP. Amada, odiada, vendida, comprada, privatizada, nacionalizada, a TAP é um objecto voador não identificado que tem hipotecado o tesouro nacional e a paciência dos portugueses.

O accionista americano da TAP pede indemnização milionária ao Estado português

Isto tem tudo para acabar mal. Apesar de os 55 milhões que  Neeleman levou fazerem parte de um acordo onde consta que no futuro não haveria mais disputas jurídicas, o ex-accionista vai avançar com um pedido de indemnização multimilionário.

Alguém acha que será o Estado a ganhar a futura contenda judicial ? Temos tantos exemplos em que o Estado fica a perder que só os apoiantes de uma TAP de bandeira é que acreditam que os contribuintes sairão a ganhar.

É que há bem pouco tempo os despedimentos não seriam inevitáveis.

O que se diz agora à boca cheia é que uma das grandes companhias europeias ( Lufthansa ?) estaria interessada em comprar a TAP com a dimensão que Neelman lhe tinha dado.  Ora a reversão da privatização pelo Estado fez abortar uma operação que faria correr rios de euros.

Comprar uma grande empresa em apuros, engordá-la e vendê-la com milionárias mais - valias é o negócio que o Estado impediu para agora proceder ao que chama eufemísticamente de reestruturação. Que mais não é que cortes no pessoal, nos aviões, nas rotas.

A herança dos governos de António Costa não vai ser coisa bonita de se ver.

A TAP presta serviços que podem ser prestados por outras companhias

A TAP é um tremendo problema para o governo e para o país. Se não houvesse TAP estaríamos todos com mais dinheiro no bolso e os serviços seriam prestados por outras companhias. Tudo muito mais barato.

A TAP é mesmo um exemplo, talvez o mais trágico, de cinco anos de governação em que o PS quis tomar conta do Estado, das empresas, das pessoas.

Aqui, é preciso constatar que a TAP, como outras empresas (veja-se o caso do Novo Banco) nunca foi a empresa que nos venderam, nunca foi a jóia que todos queriam. Ouvimos falar permanentemente da importância estratégica da TAP, do seu valor para o país e para o mundo, mas as tentativas de privatização da empresa dizem-nos o contrário. Aparecerem ‘raiders’ do setor como Efromovich, ou empresários do setor como Neeleman, que criam, lançam e vendem (regra geral a ganhar muito dinheiro). Não apareceu nenhum grupo industrial, como sucederia se a TAP fosse o que nos dizem. Não era, nunca foi, e a pandemia expôs todas as suas fragilidades.

A noiva linda nunca teve noivo interessado. 

A TAP na hora do salve-se quem puder

Não passou um ano e os sindicatos da TAP só agora começaram a mostrar as garras, mas o Governo que se diz de esquerda já percebeu que jamais sairá incólume de uma reestruturação como a que se anuncia para a transportadora. Ao admitir (para já, não desmentiu) levar esse plano de reestruturação ao Parlamento, o Governo expôs de forma crua essa sua angústia, o seu desespero e a sua impotência. A TAP, já o sabíamos, é um problema complexo, grave e gigante. O optimismo ligeiro com que o ministro Pedro Nuno Santos o encarou não poderia sobreviver à realidade para sempre. Agora que estão aí milhares de despedimentos e mais mil milhões para pagar a curto prazo, a ilusão ideológica do Estado milagroso e esclarecido morreu e o Governo quer enterrá-la com uma ajudinha da Assembleia.

Governo já admite a liquidação da TAP

Já vimos isto tantas vezes que já chateia . Os accionistas privados pediram ao governo uma garantia para obterem junto da banca um empréstimo de 1 200 milhões. Após imensas negociações o estado fez o que a esquerda sempre pretendeu. Nacionalizar a companhia aérea.

O Estado vai mandar dizia o ministro das pernas a tremer, se põe lá o dinheiro é claro que vai mandar. Meteu lá uns boys que não percebem nada do negócio do transporte aéreo e logo que arranjaram um pretexto tomaram 75% do capital . Ficou o accionista português que já saiu da administração.

A gestão operacional ficou entregue aos privados, a compra de aviões acelerou e em 2019 começaram os contactos para a venda de uma parte do capital a outra companhia. Mas mesmo antes da pandemia, a TAP somou dois anos consecutivos de prejuízos. Só em 2019 foram mais de 100 milhões de euros.

Mesmo que haja um chumbo do plano de reestruturação no Parlamento, o Governo não vai retirar consequências políticas, isto é, não admitirá uma crise política. A consequência será mesmo a liquidação da companhia, que controla em 72,5% (o capital remanescente está nas mãos de Humberto Pedrosa e dos trabalhadores), e o Governo sabe que o Estado é um credor preferencial, o que permitirá recuperar, mesmo que parcialmente, a injeção de fundos públicos.

E o poço sem fundo está escavado.  Parabéns António Costa, parabéns Pedro Nuno.

Com a descoberta das vacinas a TAP quer ser como sempre foi

Os sindicalistas querem que os cenários para a TAP levem em conta a descoberta das vacinas. Como se antes da pandemia a companhia fosse viável. Quem sempre viveu de subsídios não aceita viver de outra forma.

“As projeções de evolução do mercado subjacentes ao Plano datam de outubro de 2020, e nelas não se encontram refletidas as evoluções recentes da situação da pandemia Covid-19, designadamente o impacto da descoberta das vacinas e dos planos de vacinação que se encontram neste momento em elaboração”, escreve o sindicato ao ministro.

A vacinação ainda nem começou e a imunidade da população vai demorar a chegar lá para 2022/23. Entretanto há uma estrutura de custos que absorve cerca de 100 milhões/ mês. Que o país não aguenta.

Além disso ninguém ainda é capaz de dizer o que será o negócio aéreo pós covid19. A única certeza é que muito vai mudar e que companhias com a dimensão da TAP dificilmente terão lugar, entaladas entre as grandes companhias (3 ou 4 na europa) e as low costs. Mas isto há muito que se sabe, não é em vão que as companhias se foram juntando e que essa concentração vai acelerar.

E sabem uma coisa ? Ninguém aceitou a TAP como parceira.

A TAP não é importante o "hub" de Lisboa, sim

Felizmente que o cumprimento do plano estratégico para a TAP está nas mãos de Bruxelas. Chega a ser confrangedor ouvir as exigências dos sindicatos para que a companhia aérea mantenha a mesma dimensão em número de aviões, de rotas e de empregados.

Ainda por aí aparece novamente um abaixo assinado tipo " não TAP os olhos" .

O Governo tinha outras soluções para garantir que o ‘hub’ de Lisboa mantinha a importância central que tem para a economia portuguesa, porque isso é que é verdadeiramente relevante, e não a TAP propriamente dita. Preferiu a solução mais popular, mas a mais cara também, com o apoio implícito do PCP e do BE, que não olham a gastos quando está em causa a possibilidade de estenderem o seu poder de intervenção. Feita essa intervenção financeira, acompanhada na ‘nacionalização’ da companhia e do despedimento de Neeleman com 55 milhões no bolso e de Antonoaldo Neves, o Governo comprou tempo, que se esgotou. E a pandemia continua por aí.

A TAP : sabem como fez a Lufthansa?

 O Estado alemão emprestou a uma taxa a rondar os 1%, 11 mil milhões de euros à companhia aérea, com o compromisso desta pagar à medida que tiver lucros. E a companhia faz o que tiver que fazer como manda o estado da arte. E nas outras companhias aéreas a estratégia é a mesma.

Na TAP, companhia de bandeira, o presidente do maior sindicato diz que além dos 1,2 mil milhões são necessários mais 4 mil milhões e que o que se está a passar na companhia é uma tragédia.

Vender aviões, abandonar rotas, despedir milhares de trabalhadores e contratar uma equipa profissional de gestão no mercado internacional. E encontrar um privado que conheça e opere no negócio aéreo. Dito de outro modo encontrar uma companhia aérea que queira entrar no corpo accionista da TAP.

Tudo isto, enquanto o governo pela voz daquele rapaz feito ministro começou por dizer que não haveria despedimentos e que se o Estado mete lá dinheiro passa a mandar. Mas o dinheiro do Estado é pouco e faz muita falta em empresas viáveis que a TAP não é. Mais cedo que tarde o Estado tem lá o dinheiro mas não manda nada.

Bem seria que a TAP aprendesse com a Lufthansa e as restantes companhias. Ajuda até que a companhia liberte os meios necessários para pagar o que deve. Depois é só deixá-la voar. 

 

A TAP subsidiada manda para o desemprego 1 200 pessoas

Então o tal principio de as empresas que sejam ajudadas pelo Estado ou que tenham lucro não poderem mandar gente para o desemprego não se aplica à TAP ?

E nos próximos 3 anos vamos ver um emagrecimento da estrutura de todas as empresas da companhia raramente visto no nosso país. Como vão reagir a esta calamidade o PS, o BE e o PCP ? É que a pandemia é igual para todos.

A companhia tinha uma estrutura accionista de 51% para o Estado e de 49% para os privados. Isto já depois da reversão que ia salvar a companhia realizada por um grupo de amigos do Primeiro Ministro. Grande reversão...

Caiu-nos a reversão em cima. E é claro que os instrumentos de gestão para fazer face a crises desta dimensão são iguais para Estado e para empresários. Mas estes fazem estas acções de gestão por serem, feios, porcos e maus já o Estado é por ser a favor dos trabalhadores que despede, presume-se...

Milhões de euros, milhares de trabalhadores, milhares de passageiros desaparecem num ápice no exacto momento em que os "verdadeiros socialistas" do PS, abocanhados pelos comunistas do PCP e neo-comunistas do BE, nacionalizaram a companhia aérea.

O privado americano entrou com 5 milhões e saiu com 55 milhões. O privado português dedica-se ao transporte urbano e saiu da administração. O PS está como gosta. Posso, quero e mando, com o dinheiro dos contribuintes.

Os grandes negócios do estado. A visão estratégica e política.

Deus nos valha.

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