Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

Nunca tantos viveram com esta qualidade de vida durante tanto tempo

Os sistemas caiem porque não respondem aos anseios da população. Mesmo contra tanques e armas haverá um dia que a população exige ter uma voz. É por isso que a Democracia e a economia de mercado sobrevivem. Nunca tantos viveram com esta qualidade de vida durante tanto tempo. Pela primeira vez só 10% da população mundial vive abaixo do limiar da pobreza.

Não se espere que se deite borda fora o menino com a água do banho.

Como as várias experiências socialistas têm mostrado o sistema é incapaz de produzir o suficiente para alimentar as populações. A Venezuela é um bom exemplo. A apodrecer de petróleo e com a população sem acesso aos produtos mais elementares. À volta da UE os países saídos da órbita da ex-URSS, os mais pobres dos pobres, tentam entrar no paraíso capitalista da UE.

Há desigualdade ? Claro, mas a capacidade do sistema crescer faz com que todos cresçam, uns mais outros menos, mas crescem todos. Serem todos igualmente pobres não é solução.  O que a Democracia tem de inigualável é juntar o crescimento com a liberdade individual, a solidariedade social a caminho de uma sociedade cada vez mais justa, onde a maioria vive bem.

O capitalismo, com as desvantagens inerentes, é um sistema que cria oportunidades e que consegue reinventar-se e fortalecer-se. Que o socialismo contribua para uma sociedade mais igual mas sem comprometer a iniciativa e o génio individual.

A realidade é o que é. 

Solidariedade ? Salvar da cegueira milhões de seres humanos

Um medicamento produzido por uma empresa em Portugal é distribuído gratuitamente por vários países onde a cegueira é recorrente. Um mosquito é o causador, o medicamento protege as pessoas e recupera-as. Há maior solidariedade ? Salvar da cegueira milhões de seres humanos ?

Um cientista Japonês e outro americano descobriram e desenvolveram o medicamento tendo recebido pela descoberta o Prémio Nobel. Tudo feito no Ocidente e no mundo capitalista tão atacado por ser egoísta e não atender às desigualdades.

A empresa fabrica o principio activo para uma multinacional farmacêutica (Merck), que depois o transforma em compridos e os distribui gratuitamente para o mundo, especialmente a África subsaariana (também há casos na América do Sul).

São nessas duas regiões, mas especialmente em África, que existem milhões de pessoas que sofrem da chamada "cegueira dos rios" ou de "filaríase linfática", também conhecida por "elefantíase".

Todos os anos o medicamento salva 30 milhões de pessoas. Só uma sociedade livre, assente na investigação e na solidariedade atinge níveis tão extraordinários de ajuda humanitária. É esta sociedade que muitos  entre nós odeiam.

Na Grécia a luta agora é contra os interesses instalados

Temos a Grécia na Europa. O bom senso prevaleceu e um desastre de dimensão incalculável foi evitado. Era mau para a Grécia pior para a União Europeia. Esperemos que a Grécia faça o seu trabalho de casa e que a UE perceba que só manterá a união com solidariedade. Cabe aos líderes europeus tirar as lições adequadas desta crise porque numa organização com esta dimensão, esta crise não será a ultima.

A Grécia fez o que tinha a fazer mas esticou demasiado a corda. Não se enche um balde que não tenha fundo e sem reformas estruturais o país não sairá da situação em que se arrasta há demasiados anos.

Tsipras garantiu que irá aplicar reformas radicais para assegurar que a oligarquia grega faça a sua contribuição. "Lutámos duramente lá fora, agora temos de lutar em casa contra os interesses instalados", disse citado pelo The Guardian. "As medidas são recessivas, mas esperamos que colocar de parte o risco de Grexit faça fluir o investimento, contrariando-as".

A dimensão económica-financeira que está em jogo é diminuta a verdadeira questão é política.

Público e colectivo não é equivalente a estatal

O grande erro é pensar-se que um estado que não se mete em tudo e em todos os sítios significa o aniquilamento dos bens colectivos :público e colectivo não é equivalente a estatal.

Sendo possível descentralizar a gestão - bem como o financiamento - de uma actividade colectiva, os benefícios normalmente sobrepõem-se aos custos. " descentralized is beautiful".

A solidariedade é um valor tão fundamental que não deve - não pode - ser decretado como monopólio estatal. Um bem público, um bem comum, não tem que ser gerido pelo estado. Deve ser gerido por quem é capaz de o gerir mais eficientemente.

O envolvimento dos cidadãos e o nível de voluntariado é o que mais aproxima um bem da noção de "nosso". Há cada vez mais manifestações de uma clara convicção de que a solidariedade e a entreajuda são valores fundamentais e factores decisivos na construção da sociedade e na realização da inclusão.

O Estado Social - o feito mais importante construído pela sociedade - em nada é prejudicado, bem pelo contrário, é complementar .

( a partir de : Luis Cabral - Expresso)

Do observatório do Prof Boaventura

Eu sou capaz de ajudar a Grécia mas não o Syriza. Para o Prof. Boaventura são a mesma coisa mas para mim nem por isso.. Sendo assim não sei para onde hei-de mandar o dinheiro. Para Coimbra nem pensar que a solidariedade do professor faz-se sempre com o dinheiro dos outros.

Talvez enviar directamente a minha solidariedade para os credores da Grécia até porque o professor está a banhos numa das ilhas helénicas. Aliás, o professor está sempre a escrever lá de longe, convidado para palestras onde dá as soluções para este mundo ignaro que não aproveita.

A Grécia a par de vários países sul americanos, liderados pelas soluções definitivas do Prof. Boaventura, são a esperança. De quê ? Ai, isso não sei.

boaventura.jpg

 

É preciso salvar o modelo social europeu

modelo social europeu é o maior feito político e social da humanidade. É o que nos distingue de todos os outros modelos. Exige uma democracia confiante, e a solidariedade como padrão. Mas só é possível com uma economia pujante. A economia social de mercado.

Uma economia assente na livre iniciativa apoiada num estado facilitador e regulador. Mais de 60% das empresas europeias são pequenas e médias que asseguram 80% do emprego e 60% da riqueza criada.

Esquecer isto tem sido a nossa desgraça enquanto nação. Temos um estado que absorve 50% da riqueza, com uma administração pública pouco amiga da iniciativa privada e que gasta muito do seu tempo e dinheiro com grandes empresas monopolistas e que operam no mercado interno sem concorrência.

Estamos a pedir sacrifícios aos cidadãos, aos pais, para aceitarem salários mais baixos, impostos mais altos e menos serviços. E para quê? Para salvar os bancos. E os filhos estão desempregados. Se não mudarmos isso, se não voltarmos a um tratamento igualitário e justo, as promessas feitas pela Europa não serão cumpridas”.

Uma tão alta nobreza de intenções não é compatível com um estado esbanjador e incompetente. O resto é aritmética.

A SOLIDÃO DAS SOLIDÕES - por Prof Raul Iturra

 

Damo-nos. Entregamo-nos. A nossa vida deixa de ser nossa, pertence ao grupo social que nos acolhe ou com o que moramos. Cada um tem uma tarefa a cumprir com alegria ou sem ela. No meu caso muito pessoal, tenho-me entregado a outros, à família, passo a ser dos descendentes e, também, porque nos junta-los, dos discentes e o nosso trabalho e a investigação e o ensino. Isto, se não houver egoísmo da nossa parte e passa a ser um prazer para nós servir os outros.

É bem sabido que o ser humano é uma entidade social, um ser que depende de outros em bebé e em criança, até sermos capazes de ganhar a nossa subsistência. Há os mais queridos, há os mais distantes, há os que procuramos mas os não encontramos, há os prediletos que nos acolhem e nos, de forma recíproca, os acolhemos. Há os poucos que sabem da nossa vida, há os muitos que já não nos suportam mais. Há os que se entregam a nós, como nós a eles. Seja homem o mulher, existe esse próximo ou próximo predileto em quem confiamos as nossas aventuras e desventuras. Como esse ser que considero o meu amigo, Daniel Sampaio, que teve a ousadia de escrever um livro na editora Caminho: Ninguém morre sozinho, do ano 2000. Fala do suicídio adolescente e dos motivos que levam as pessoas a desparecer. Não é a minha temática neste ensaio. O meu objetivo é dizer que vivemos numa gaiola, ladeado de seres que amamos e que no dia em que esse amor falta, acontece o que Daniel Sampaio diz no seu livro citado.

Nos meus esforços por me entregar a outros, acabei por ficar só. Quando, como escrevi no texto O Príncipe Académico neste blogue, a 13 de Novembro de 2013, que pode ser lido em http://bandalargablogue.blogs.sapo.pt/search?q=O+Pr%C3%ADncipe+Acad%C3%AAmico o poder acaba, a nossa gloria também, a companhia, os telefonemas, as cartas.

Não posso ser um choramingão. Não vêm a mim porque, na minha larga vida acadêmica, eu também não tinha tempo para outros, retirando discentes e colegas, aulas e reuniões sem fim, desejoso de férias para descansar. Os que me abandonam, estão ocupados com os seus trabalhos e as suas pessoas. No entanto, ocupam-se de mim, de tratar da minha saúde, pagar as minhas contas com o dinheiro que eles precisam para si próprios e família.

Porém, a solidão das solidões é um sentimento pessoal e altamente personalizado. É verdade que era mais simpático os que As Amigas fazem: visitam, telefonam, fixam meus textos, como escrevei neste blogue a dois dias antes que este. A solidão das solidões é um sentimento que nasce do silêncio, da falta de discentes, da necessidade de ler teses, integrar júris, ser parte ativa da vida acadêmica. Mas, os anos não passam en vão, vamos lentamente envelhecendo e importarmos com esse silêncio do Ninho Vazio, mais outro ensaio escrito por mim neste blogue em honra dos que tiram o seu tempo para ou me acompanhar e trabalhar comigo.

A solidão das solidões aparece quando queremos tornar a sermos ativos e conversar, não com o espelho da casa de banhos, mas com amigos. Robinson Crusoe encontra um Sesta Feira, esse ideal de Daniel Dafoe, autor do livro.

Agradecer e calar é o que significa o título de estes ensaio feito a voo da pena, porque o título espanta apenas os que não entendem que não estou a reclamar, mas sim que adorava tornar a um passado que é história e a história não pode ser reescrita: vive-se uma vez de essa vida deve-se aprender que a obra está feita, que como Paula Silva diz, viver não custa, o que custa é saber aprender a viver.

Só e sem família, os elogios que recebo dos que me escrevem, dos que se lembram de mim, dos chamado dos meus descendentes, das suas visitas.

O que mais custa, é ir inventando a vida hora a hora, minuto a minuto e dialogar com o papel em branco, enquanto se agradece a todos os que por mim trabalham, assim como eu trabalhei mais de cinquenta anos, por todos eles e os que os antecederam.

O título mantem-se, para demostrar o meu amor e carinho para os que de mim se lembram e me ajudam a ultrapassar a vida, cada minuto mais curta,

Solidão das solidões o tempo roubado a todos os que comigo se importam e me apoiam. É verdade também que uma pequena nota era simpática, como vários fazem.

Solidão de solidões pode ser definida como esse olhar nos olhos quando dizemos um muito obrigado, coma Ana Paula Sila me ensinara ontem.

Um muito obrigado que, só do pensar, me faz chorar e tirar força para seguir a vida em frente sem uma queixa. Todo queixume seria desagradecido. Para quem desde 2012 faz todo por mim. Especialmente o dono deste blogue, a minha conversa quotidiana, Luís Couto Moreira, porque os Cardoso e os Loures criaram patranhas para me retirar da sua companhia.

Raul Iturra

13 de Fevereiro de 2014.

lautaro@netcabo.pt

Se eles fossem altruístas não eram ricos

Quanto mais cultos e ricos menos solidários. Mas se fossem solidários não poderiam ser ricos como é evidente. E se lermos o texto todo percebemos que a percentagem mais baixa de solidários ( 46,5%), corresponde mesmo aos milionários, se seguirmos o raciocínio implícito no título ( quanto mais ricos e instruídos, menos solidários são os Portugueses). A esmagadora maioria nem sequer é rica ( dá-se como exemplo ganhar 4 mil euros).

Pessoalmente, julgo que a filosofia dominante tem a ver com o facto de acharmos que para ser solidário pagamos ao estado metade do que ganhamos.

Ainda há bem pouco tempo, corria nos blogues um texto de um ex-político conhecido e que nos seus tempos de glória considerava que não descansaria enquanto o estado não resolvesse "estruturalmente" a pobreza. Leia-se, a pobreza é uma questão do estado, não dos indivíduos nem da sociedade.

Há por aí uma conhecida historiadora ( pelas "barracas" que dá) que defende o mesmo. Há que resolver "estruturalmente" a pobreza. Nenhuma surpresa, é esta a filosofia defendida por alguma esquerda que acha que o problema é do estado e, por isso, defendem fechar hospitais e escolas das Misericórdias, e instituições de caridade.

Pelos vistos os ricos e menos ricos pensam o mesmo. A pobreza é um problema do estado. Fica entregue!

Uma sociedade mais livre é necessariamente mais solidária

De um comentário : ...Já a ideia de liberdade positiva parece-me muito mais construtiva.
Não adianta ser livre se se vai morrer de fome amanhã, se nunca se aprendeu o suficiente para garantir o sustento próprio, se formos incapazes de superar uma deficiência física ou outra que nos assola desde o nascimento.
Por isso um entendimento da liberdade enquanto capacidade para fazer coisas, leva-nos a que uma sociedade que maximize a liberdade, seja necessariamente solidária e mais equalitária. O que são palavras feias para muita gente.