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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Em França a revolta da sociedade civil

Vergados a um Estado cada vez mais centralizado, fechado sobre si próprio, maior e  insaciável a sociedade civil ( os contribuintes) desceram à rua .

Em Portugal suportamos a maior carga fiscal de sempre mas os socialistas já nos avisaram que não está no seu programa descer impostos. E os seus parceiros, bem pelo contrário, todos os dias exercitam a imaginação com novas taxas e taxinhas.

Apesar de tudo disso os serviços públicos apresentam uma qualidade insatisfatória. Ao centralismo do estado junta-se a sofrível criação de riqueza. Por mais que estique a riqueza produzida não chega.

É necessário um Estado amigo da iniciativa privada que relance o investimento, a inovação e as exportações. A devolução dos rendimentos está a apresentar a factura. As importações crescem mais que as exportações e o défice comercial externo é maior. Vai-nos safando os subsídios europeus e o Turismo.

Tal como em França a sociedade civil descerá à rua e lutará pelos seus direitos. Não é possível sustentar um Estado que já arrecada cerca de 50% do PIB e o povo continuar a sofrer de inúmeros problemas sem conseguir ter uma vida com um nível europeu.

O recente escândalo da família PS que assaltou o poder mostra que a um Estado centralizado está sempre associado o abuso .

Somos mansos até um dia como mostra a história

As pessoas já não querem que lhes digam aquilo que têm a fazer

A sociedade civil cada vez mais informada quer participar nas decisões que condicionam a sua vida tanto pessoalmente como em comunidade .

“Temos de pensar qual é o efeito da descentralização da informação e do conhecimento. A grande questão é como os partidos vão envolver as pessoas, para que tragam esse conhecimento. Isto pressupõe uma grande mudança naquilo que é um partido político”, disse.

No seu discurso nesta convenção, o antigo secretário de Estado Adjunto referiu que “está a acontecer na saúde está a acontecer na política: as pessoas já não querem que lhes digam aquilo que têm a fazer”. “Querem construir o futuro connosco e trabalhar connosco”, explicou Carlos Moedas.

O contrário do que propõem os partidos que querem o estado a controlar a vida das pessoas. E o que se conhece da história não deixa margem para dúvidas.

A sociedade genericamente desconfia do Estado

Nuno Garoupa

Ao mesmo tempo, porque o Estado é ele mesmo extrativo e corporativo, a sociedade genericamente desconfia dele. Por isso, não há um respeito intrínseco pela lei (por exemplo, nem existe a palavra “enforcement” em português), porque é sabido que a lei foi feita para beneficiar os grupos que dominam o Estado e não o bem comum. Existe, assim, um jogo de soma nula entre os diferentes grupos para capturar o Estado que justifica uma inveja antropológica e um permanente “nós vs. eles”, numa distinção em que a sociedade se desresponsabiliza de quem governa, algo tanto mais chocante em épocas democráticas porque o “eles” foi eleito por “nós”.

Como somos um país relativamente homogéneo e pequeno, não temos movimentos regionais ou locais que limitem o Estado central, o que explica porque muitas das características que observamos, sendo comuns a Espanha, França ou Itália, parecem ter em Portugal mais força e mais dinamismo.

É preciso restituir poder à sociedade civil

O monopólio público é tão mau como o monopólio privado :  Uma Administração acarinhada, sentida pela sociedade. Fortalecer em vez de servir. É preciso continuar a restituir poder à sociedade civil, às comunidades locais, fortalecendo o civismo republicano, mas também a tradicional sociedade-providência. É preciso, por esta via, que os cidadãos se sintam empenhados, não apenas enquanto utentes mas, sobretudo, como donos do seu destino.

Uma Administração competitiva. Promover a competição saudável. Promover a escolha na prestação de serviços. A questão central não é tanto a do serviço ser prestado pelo setor público ou privado. A questão decisiva está em existir concorrência ou monopólio. É que o monopólio, público ou privado, tende sempre a degradar a qualidade dos serviços e a encarecer os custos. Por isso, o caminho passará por garantir concorrência entre prestadores de serviços, sob um enquadramento legal claro e equitativo.

Mário Soares sempre recusou a "maioria de esquerda " com o PCP

PS e PCP têm  ideias antagónicas sobre a organização politica da sociedade. Mário Soares nunca concordou com a chamada " unidade de esquerda". Por mais de uma vez deu a sua carreira política às balas correndo o risco de estar contra a corrente maioritária. Avançou para Presidente da República com apenas 8% de apoio nas sondagens. Mas recusou sempre juntar-se ao PCP para o que teve que confrontar-se com outro político de envergadura - Salgado Zenha.

A resposta é dada pelos factos: em 22 anos de maioria numérica de esquerda, nunca houve governos de maioria de esquerda porque o Partido Socialista nunca deixou. Porque o Partido Socialista nunca aceitou coligar-se com o Partido Comunista.

Por outras palavras, a recusa da “maioria de esquerda” foi um traço constitutivo do Partido Socialista de Mário Soares. Ele pensava que o que separa o PS do PCP não são meras divergências políticas de circunstância, mas sim dois conceitos de sociedade. Não estão no mesmo campo no que diz respeito à democracia e à liberdade.

Os actuais líderes socialistas não estão obviamente impedidos de romper com esse legado do PS. Mas manda a decência que digam publicamente que estão a fazê-lo. E mandam as boas práticas democráticas que os eleitores possam a curto prazo dar o seu parecer sobre o tema.

Democratizar implica desestatizar

O estado serve, essencialmente, para controlar a sociedade civil. "O controle rigoroso que a ditadura exercia sobre a sociedade não era tanto social e económico como eminentemente político e ideológico: quem discordava era punido, às vezes assassinado; muitos saíram do país por causa da repressão. Num regime eleitoral, o controle não se faz dessa maneira. Tem de ser difuso: social, económico, clientelar e comunicacional, propagando-se a «opinião publicada» através de veículos privilegiados, incluindo os estatais. Por isso, a democratização da sociedade terá de passar pela desestatização. Ou não passa, com todos os custos que o controle estatal tem!"

O "luxo" de ter como preocupação central a desigualdade

Depois de satisfeitas as necessidades mais básicas o individuo começou a dar importância à sua posição relativa na sociedade.

"Uma família pobre num país desenvolvido típico tem hoje acesso a habitação, alimentação, electrodomésticos básicos e serviços de telecomunicações. Em termos absolutos, está bem acima do que qualquer família de classe média-alta poderia aspirar há poucas décadas."

.Esta é uma geração que na sua maioria nunca viveu a tirania da sobrevivência e cujos pais e avós apenas a sentiram de forma tangencial. É por isso uma geração que se pode dar ao “luxo” de ter a desigualdade como problema central nas suas vidas

Nas legislativas alarga-se à sociedade civil nas presidenciais afasta-se

Os partidos tentam alargar a sua influência e obter maior votação mas legislativas chamando a sociedade civil. Nas presidenciais os candidatos oriundos da mesma sociedade civil são afastados, ora porque são "indiferentes" ora porque não são "a minha esquerda". Não é sério.

O que nos últimos tempos se tem visto no PS - quanto aos outros não esperaremos muito pela demora - mostra até que ponto são os interesses partidários e não os interesses nacionais que fazem mover a roda.

Henrique Neto é um homem do terreno. De jovem trabalhador fez-se empresário à força de determinação e de saber. Voz livre dentro do PS não é bem visto pelo rebanho. Mas todos sabem ao que vem e o que pensa sobre os grandes problemas nacionais.

Sampaio da Nóvoa é o contrário. Nascido em berço de oiro é um académico. Não tem experiência no terreno nem na vida política. E, para além de na linguagem se aproximar do discurso da extrema esquerda pouco ou nada se conhece do seu pensamento político. Sabe-se que quer ser um presidente interventivo. O que é pouco e é mau.

Para já António Costa tem um problema sério. Não pode chamar a sociedade civil nas legislativas e afastá-la nas presidenciais.

A burocracia estatal e a genialidade do ser humano

Já vi esta histórica verídica num outro filme há uns anos atrás. Nesse outro filme, a história centrava-se, muito mais, nos aspectos técnicos que levaram à descoberta da "chave" que abriu os códigos usados pelos alemães na segunda guerra mundial, do que, na história da vida do ser humano que a realizou.

Um ser humano que desde criança teve que lutar contra o modo de vida único e a cultura única imposta pela sociedade organizada num estado. Um ser humano genial a quem se aplicavam as mesmas regras medíocres que eram aplicadas a todos os outros cidadãos, pelas mãos de funcionários prepotentes.

O Estado Inglês só cinquenta anos após a sua morte ( suicídio ?) é que o deu a conhecer ao mundo e lhe reconheceu o mérito. Os seus trabalhos encurtaram a guerra em pelo menos dois anos, salvando cerca de catorze milhões de jovens soldados. Foi um dos iniciadores da era informática inventando máquinas gigantescas a que hoje chamamos computadores.

Durante todo o filme o que me inquietava não era se teria ou não êxito, pois já conhecia a história. O que verdadeiramente me afligia eram as contínuas ciladas, falsidades e manipulações de que era alvo. Felizmente, entre os funcionários policiais, havia quem, vendo mais longe, mandasse as regras e o politicamente correcto às urtigas. Foi mesmo Winston Churchil quem vergou o aparelho administrativo e deu condições para que o eminente matemático seguisse com o seu trabalho.

Ainda estou comovido e por isso é natural que exagere mas, cada vez mais, estou convencido que a sociedade civil tem que receber do estado o que só este lhe pode dar. Tudo o resto tem que ser devolvido às pessoas.