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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Haver ou não haver listas de espera no SNS eis a questão

A questão não é que os hospitais privados ganhem dinheiro por operarem doentes. A questão é saber se os doentes são operados no prazo medicamente aconselhável ou se vão engordar as listas de espera. Onde há gente que sofre, que vê os seus males agravarem-se. O resto é ideologia.

Esta discussão que o BE, o PCP e uma parte do PS levantam agora e aqui há muito que foi resolvida pelos serviços nacionais de saúde por essa Europa fora.Mesmo os estados ricos não podem prescindir da colaboração do investimento privado na saúde.

Em Portugal há 115 hospitais privados mais que os hospitais públicos que são 114 , ou à volta disso. Entretanto nos últimos 20 anos o estado nunca foi capaz de financiar e construir o Novo Hospital Ocidental de Lisboa, o Novo Hospital Central do Alentejo ( Évora), o novo hospital do Seixal e o novo hospital de Sintra. É natural  com uma dívida gigantesca e contas públicas desequilibradas, o Estado não tem dinheiro.

Adivinhem como é que estes hospitais vão ser construídos ? Nem mais, pelo modelo PPP ( parcerias-público-privadas).

E, é assim,  que em parceria com os hospitais privados e sociais os doentes escapam às listas de espera. E alguns deles à morte prematura como já tem acontecido. Morrer sem ser operados.

Eu não estou nada preocupado com o lucro que os hospitais privados possam ter...

Um SNS público e duro, sem dinheiro e falido

As linhas vermelhas que afastam irremediavelmente o PS do BE.

Um sistema de cooperação entre sistemas públicos, privados e sociais e o recurso a PPP para ajudar a estabelecer padrões de gestão está a crescer em todo o mundo para responder às necessidades crescentes da Saúde. Em todo o lado, exceto em Portugal, onde se defende cada vez mais um SNS público e puro, sem dinheiro e falido.

O resultado está à vista. Quem tem dinheiro, quem tem seguro, quem tem ADSE ou outro subsistema consegue tratar-se. Quem não tem nada disso sofre. A cegueira ideológica está, neste caso, a criar cidadãos de primeira e de segunda.

O SNS que o BE e PCP defendem é uma vergonha

Um SNS exclusivamente público é uma impossibilidade num país pobre, a não ser que a população aceite listas de espera onde se morre à espera de cirurgia ou à espera de medicamentos inovadores. Para aqueles partidos comunistas ter um SNS que afasta a parceria com o privado é mais importante do que o bem estar das pessoas.

Acima de todas as ideologias está o ser humano.

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Sistema Nacional de Saúde = SNS + sector privado + sector social

O presidente da República veio pôr alguma calma na discussão ideológica que se trava ( mais uma vez) sobre a saúde. Neste enquadramento discutem-se as questões que não acrescentam nada e deixam-se de lado, convenientemente, o que é essencial.

O Estado tem um papel de regulador e de financiador com vista a optimizar a utilização da capacidade instalada no país que compreende os três sectores referidos : público, privado e social .

Ninguém compreenderá que ao doente não sejam prestados os cuidados de que necessita quando no país há oferta seja ela pública, privada ou social.

As listas de espera não podem ser aceites como uma solução por razões meramente ideológicas ou economicistas e não podem converter-se "em listas de morte lenta". Deixar morrer pessoas por falta de cuidados atempados é um crime não vale a pena tapar a realidade com soluções piedosas que não colam com a dor e a morte de pessoas. Não no Portugal Democrático e Europeu .

Nada tenho contra o lucro mas tenho tudo contra deixar cidadãos sem tratamento medicamente atempado.

Os "avanços" no SNS

Greves dos médicos e dos enfermeiros. Listas de espera com doentes a morrerem por falta de cirurgia em tempo medicamente razoável. Avanços ?

Impedir as PPP que são reconhecidamente uma boa solução. Baixar de 45 horas para 35 horas a prestação do trabalho. Impedir a coordenação entre sector público e privado. Reduzir o tempo de protecção da patente dos medicamentos o que obriga as farmacêuticas a elevar o preço por forma a obter o retorno do investimento. Acabar com as taxas moderadoras e assim favorecer os abusos.

A saúde tal como o inferno está cheia de grandes ideias com a particularidade de desfavorecer sempre os doentes. Se está doente não pode socorrer-se do hospital mais capaz de o tratar tem que ser num daqueles hospitais que o envia com guia de marcha para a "lista da morte lenta".  Razão ? Para os políticos ideologicamente doentes só há hospitais públicos e privados não havendo razão para existirem hospitais uns mais acessíveis que outros para facultarem o serviço em tempo útil.

Como é fácil de ver os verdadeiros problemas são as PPP, é a existência de hospitais privados, são as taxas moderadoras, é uma nova Lei de bases...

E o que se faz às listas de espera ? E ao subfinanciamento ? E à falta de pessoal ? E aos velhos a morrer? 

Acerca do que é realmente importante não se ouve um pio aos progressistas.

A questão central não é sindical, nem ideológica e muito menos partidária. É, essencialmente, moral. Como nos relacionamos uns com os outros? Como procedemos perante os nossos mais velhos, perante os deficientes, perante os incapacitados? Era isto que gostaria de ver discutido, e não senhoras e senhores aos berros, ou com ar calmo, a acusarem-se e a dizerem meias-verdades sobre temas que de modo nenhum são centrais.

 

O "avanço" das 35 horas destruiu o SNS

São estes avanços que andam para trás em vez de andarem para a frente. Como se reduzir de 40h para 35 h não implicasse mais pessoal, mais organização e mais dinheiro.

Médicos e enfermeiros exaustos e doentes em filas de espera eis o resultado. Entretanto no sector privado a paz social é a base de cada vez maior procura. Não há médicos e enfermeiros em greve e não há listas de doentes em espera.

Percebe-se bem porque os estatistas temem o sector privado. À medida que os portugueses tiverem melhor nível de vida maior será a procura do serviço hospitalar privado. E chegará o momento em que por cá se fará como na maioria dos países europeus. O doente escolhe e o estado  financia. É o direito e a liberdade de escolha. 

Coordenar a oferta pública e a oferta privada entre si para optimizar a capacidade instalada a bem do doente é que é o verdadeiro "avanço". O resto são ideologias com resultados maus e estúpidos que os doentes sofrem em listas de espera.

 

O BE quer destruir o Serviço Nacional de Saúde

Gostava de ter escrito isto

"Haja esperança na saúde"

«Está tudo mais embrulhado [no SNS]. Se queremos construir os novos hospitais de Lisboa, Seixal, Évora e Algarve, só lá iremos com PPP, ao menos para o investimento; se anulamos as taxas moderadoras veremos os serviços submersos por procura desnecessária ou pelo menos adiável; se proibirmos os hospitais de recorrer a pessoal e a meios de diagnóstico privados deterioramos a sua resolutividade, alongando listas de espera e erguendo múltiplos calvários para quem não os merecia; se não criarmos uma forma de pagar ao pessoal por desempenho não alcançaremos a desejada exclusividade, nivelaremos por baixo e promoveremos a saída dos melhores para o privado; se não responsabilizarmos as gestões premiando as boas e expulsando as más, gastaremos muito mais que o necessário. Estas são medidas de fundo, difíceis mas necessárias.»
PS : o concurso para a concepção/construção/ manutenção em PPP  para o novo hospital de Lisboa já é público

Os dados das listas de espera são "desastrosos" e envergonham o país

Enquanto olharmos para o SNS como um instrumento da luta política e ideológica, separando a oferta em pública, social e privada e travarmos o acesso e a livre escolha, as listas de espera serão cada vez maiores. E quem sofre são os doentes.

Na doença não há seres humanos de primeira e de segunda, nem seres humanos que têm acesso a cuidados dentro dos prazos medicamente indicados e outros não. Há seres humanos que têm o direito a aceder ao "estado da arte" disponível que tanto pode ser encontrado nos hospitais públicos como nos hospitais privados.

Não me convidem para aceitar listas de espera onde só estão doentes pobres que o Estado impede de aceder aos tratamentos disponíveis. Nos hospitais públicos por não haver disponibilidade de meios técnicos e humanos e nos hospitais privados, por o PCP e o BE não o consentirem por razões ideológicas.

O Estado perante este cenário que não muda para melhor, tem obrigação de negociar com os privados protocolos isentos e financeiramente razoáveis para que os doentes deixem de ser as vítimas de combates ideológicos que nada têm a ver com o Serviço Nacional de Saúde.

Avancem para um Sistema Nacional de Saúde que junte em cooperação o público, o social e o privado. A bem dos doentes.

Se o PCP e o BE quisessem mesmo um SNS amigo dos doentes

Percebiam a diferença que tem pouco de ideológica . Tem que ver com o quadro jurídico em que exercem a gestão hospitalar.

O gestor público não pode contratar livremente, nem despedir, nem negociar prémios de produtividade. E têm que cumprir regras rígidas. Tudo isto torna a gestão pública mais rígida, mais burocrática e por isso mais dispendiosa e lenta. Com prejuízo da eficácia no tratamento dos doentes.

Ninguém pergunta se um hospital é público ou privado na hora da doença .

Se o doente for a prioridade maior todos entendem

O que se pode esperar de um Serviço Nacional de Saúde que acumula listas de espera de meses ? Que resposta dar a um utente do SNS que se vê forçado a esperar meses (ou anos) por uma cirurgia num hospital público quando ela poderia realizar-se, de pronto, numa instituição não-estatal a preço equivalente?

É esta a questão que não tem refúgio porque há que escolher entre a ideologia que privilegia a relação entre o público e o privado e a prioridade a que o doente tem direito. 

E, sim, o preço é equivalente como não pode deixar de ser . O argumento que o dinheiro dos impostos é público e, como tal, não deve ser usado na privada, é de uma hipocrisia sem nome só possível em radicalismos ideológicos cegos.

Usam o benevolente desejo de não quererem extinguir o sector privado desde que os doentes o paguem, assim deixando quem não pode pagar a morrer nas listas de espera. 

É estúpido, inaceitável e desumano .