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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Desigualdade na saúde é a mais cruel de todas

Subfinanciamento é a razão principal para as listas de espera em consultas e nas cirurgias.

É verdade que há quem queira dominar a medicina privada, limitando-a ou proibindo-a. Como há quem queira privatizar a saúde pública. Mas não parece que estas opiniões tenham muitos seguidores nem sequer hipóteses de se concretizar, a não ser nas cabeças dos polemistas de serviço nos partidos, nas ordens e nos sindicatos.

É verdade que a despesa com saúde, em percentagem do PIB ou por habitante, tem descido. Parece estar agora em recuperação, mas muito ligeira e lenta. Que será preciso para que se mantenha a saúde no topo das prioridades? Com o máximo de controlo financeiro? Com o mínimo de desperdício? Com um real esforço de eficácia social, isto é, uma tentativa permanente de evitar que os menos afortunados e os mais pobres não estejam a ser sistematicamente desprezados nas filas de espera e na qualidade do atendimento?

O Estado subsidia os doentes não os hospitais privados

Catarina Martins diz que o Estado transfere para os hospitais privados 30% do total orçamentado ( 8 600 milhões de euros ) o que é uma redonda mentira.

O que o estado faz é pagar aos privados o que o SNS não é capaz de fazer. Tratar a tempo e horas todos os doentes. A não ser que ao BE não interesse que os cerca de 2 milhões de doentes que se dirigem ao privado engrossem as listas de espera do SNS . São umas centenas de milhar em consultas e em cirurgias.

A líder do BE fala como se o dinheiro dos impostos fosse propriedade do Estado e se possa gastar conforme a ideologia de quem governa. Nada mais errado. O dinheiro é para ser aplicado nos melhores serviços que se podem oferecer aos cidadãos sejam eles públicos ou privados.

É assim na Saúde e na Educação e em todos os serviços que são prestados. Os serviços só são públicos porque são pagos com os impostos dos contribuintes .Sejam os prestadores públicos ou privados.

Não se fecham boas escolas privadas e bons hospitais privados para manter más escolas públicas e maus hospitais públicos.

Mas a Catarina Martins não passa de uma actriz que na boca de cena sabe fazer a pontuação. O que diz é-lhe transmitido pela caixa de ressonância 

Um descontentamento transversal

Há um descontentamento transversal a toda a administração pública . Afinal o descongelamento das carreiras ainda não saiu do papel. Aumentos salariais ainda não chegaram aos bolsos dos trabalhadores e na saúde os enfermeiros marcam greves e os médicos assinalam que se bateu no fundo.

Horas extras já feitas e não pagas, não abertura de concursos para médicos jovens que assim vão abandonando o SNS para o privado ou para a emigração . O orçamento do SNS (5%) está abaixo da média europeia que é de 6% do PIB.

Entretanto foram pagos cerca de 1 200 milhões em atraso aos fornecedores dos hospitais .

Tudo isto configura uma gestão de tesouraria por forma a no fim dos meses o balanço se apresente como positivo. Paga-se a uns fica-se a dever a outros.

Quando há falta de dinheiro faz-se realmente assim. Há sempre alguém a financiar o estado.

As listas de espera na Saúde

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 Há vida para além do défice. Mas também há mortes, filas de espera nas cirurgias , nas consultas e nos cuidados continuados. As urgências continuam o caos habitual .

Apesar do crescimento da economia e do aumento dos impostos indirectos . Os cortes só não vê quem não quer. . Nos serviços públicos que é uma forma de prejudicar os mais desfavorecidos .

Não vale a pena tapar o sol com uma peneira...

A culpa do que se passa no SNS ainda é do governo anterior ?

Cirurgias atrasadas, listas de espera , urgências num caos, pagamentos a fornecedores atrasados, falta de pessoal.

Os burocratas de Bruxelas e as agências de rating não estão preocupados com o índice de desenvolvimento humano ou com a qualidade dos serviços sociais ou de saúde em Portugal. A desigualdade interessa-lhes pouco. Sei bem como foi difícil lutar contra a troika e não posso deixar de sublinhar a injustiça daqueles que só assistiram de fora e falam de se ter ido para além das exigências ou de se terem tomado más opções. Mais aviltante ainda quando revisitam o discurso do “passismo” ser o culpado daquilo, de tudo, o que agora não conseguem, nem querem, resolver. É patético, ridículo, ainda ouvir, dois anos de Governo já vencidos e perdidos, os deputados da esquerda atribuírem o subfinanciamento agravado e o aumento galopante das dívidas hospitalares aos cortes do Governo PSD-CDS. Chega, assumam as responsabilidades!

Sim, fechou-se uma enfermaria num hospital para abrir um contentor

O SNS está de pantanas apesar da epidemia da gripe estar só no ínicio. O SNS é uma vítima das famosas cativações de Centeno. Para aumentar salários e pensões o dinheiro tem que vir de algum lado.

O médico explica que o que o leva a expor publicamente as suas críticas é o facto de os responsáveis governamentais e dos hospitais afirmarem, “de forma continuada, que está tudo bem”.

Com um SNS gratuito porque é que há 2,3 milhões de seguros de saúde privados ?

Trata-se de um dos mais profundos problemas do Serviço Nacional de Saúde . A acessibilidade . E a resposta é simples. Se precisarem de uma cirurgia não urgente não estão para esperar oito ou nove meses para serem operados.

Outro aspecto é o da sustentabilidade, o SNS sobe o dobro ou o triplo do que sobe o PIB. Não há reequipamento nem investimento na inovação.

Outro aspecto é o da ineficiência : há 15% a 20% de ineficiência no SNS. Temos que ter comparação entre as iniciativas públicas, privadas e social. O Estado tem que prover um bem público não tem que o produzir pode contratar com o privado ( neste caso pagando conforme os resultados) ou com o sector social ( cuidados continuados).

O Estado tem que ter competências de controlo e fiscalização. O problema não é se é público ou privado é se serve ou não a população. O Estado como está organizado não permite pagar melhor a quem faz mais e melhor. Não há incentivos.

Outra questão é : os privados estão a fazer lucros com a minha saúde .Mas os medicamentos são todos de empresas privadas . Nunca vi a esquerda reivindicar a nacionalização das companhias farmacêuticas. 

O livro que foi lançado por António Arnaut e João Semedo não precisa de ser lido é a apologia do estatismo na saúde, é a ideologia, não é a autonomia dos hospitais. É o sentido contrário à evolução do "Serviço Nacional de Saúde" para um  "Sistema Nacional de Saúde", onde continuará a garantia da gratuitidade dos cuidados de saúde à população mas onde possam coexistir as iniciativas pública, privada ou social.   

E, sim, as PPP na saúde tiveram ganhos claríssimos .

Expresso - entrevista a Luis Filipe Pereira

As cativações de Centeno fecham serviços nos hospitais do SNS

As cativações de Centeno foram longe demais e a realidade está aí e não pode ser desmentida. Há hospitais centrais de referência a fechar serviços por falta de enfermeiros e de equipamentos. Os 600 enfermeiros em falta só entram em Março para que as contas de 2017 batam certo. A austeridade tinha acabado.

A falta de enfermeiros nos hospitais atingiu este ponto de ridículo e a razão é simples de entender: sem nada que os incentive a ficar, optam por sair para unidades privadas ou mesmo para centros de saúde, onde as condições financeiras, de trabalho ou a qualidade de vida que adquirem compensam bem mais do que ficar. É um caso sério que alguns dos maiores hospitais do país já ponderem fechar serviços fundamentais, como a ginecologia e a obstetrícia, porque não têm profissionais suficientes para os garantir. E é um problema que tem de ser resolvido rapidamente e ao mais alto nível. Não criando barreiras à mobilidade e possibilidade de escolha destes profissionais, mas antes garantindo-lhes condições que assegurem que compensa ficar. O que inclui dar prioridade à contratação de meios suficientes para que todo o sistema não torne a colapsar daqui por um par de meses.

A despesa não pode crescer mas não é o governo que diz que estamos a crescer no PIB como nunca ? E se tal não é verdade não há que estabelecer prioridades que afectem menos os cidadãos ?

Os incêndios e os hospitais onde se morre é que são as prioridades para efectuar cativações enquanto se aumentam salários e pensões ?

Como aumentar as filas de espera no SNS

Hoje há o lançamento do livro cujos autores - António Arnault e João Semedo - nos querem explicar como se aumentam as filas de espera nas consultas e nas cirurgias no SNS . Os doentes podem bem esperar está bem de ver não são para aqui chamados.

E o argumento é arguto e nada ideológico. Acabar com as PPP na saúde e estatizar a 100% por forma a extinguir os privados. Como se vê cá estamos com a solução de sempre. Estatizar.

António Costa, como é seu timbre vai comparecer mas a título pessoal não vá comprometer-se. É que há uns tempos criou uma comissão para reavaliar o SNS presidida pela Maria de Belém que pelo que se sabe apoia a existência dos privados no SNS tanto, que até é consultora de um Grupo privado na área da saúde..

Como se vê e como o PS sempre nos habituou isto é tudo mais ou menos, faz de conta que muda para que tudo fique na mesma.

Retirar as poucas PPP da saúde dificilmente terá o resultado que Arnault e Semedo pretendem. É improvável que o governo poupe dinheiro e duvidoso que a qualidade melhore. Mas , sobretudo, impede um elemento essencial num sistema variado, como o actual SNS : a comparação entre modelos de gestão, estrutura de custos, qualidade do serviço e satisfação dos utentes.

E, isso sim, pode ser muito arriscado. Mas que importam os doentes se o SNS passar a ser totalmente estatizado ? É por isso que Costa está hoje em Coimbra a título pessoal.