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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Com Salgado em liberdade não há perigo de destruição de documentos ?

Hoje soubemos que a PJ fez buscas na casa de Ricardo Salgado e em mais 50 outros locais. Quer dizer, com Salgado em liberdade, há mais de um mês, a PJ acha razoável que documentos e outros elementos comprometedores não tenham sido destruídos. Ora, este é um dos argumentos ( destruição de provas) que mantém Sócrates na prisão.

Então agora nem entre poderosos a justiça é imparcial ?  Em Julho deste ano, Ricardo Salgado foi constituído arguido por suspeitas dos crimes de burla, abuso de confiança, falsificação e branqueamento de capitais. 

Terminado o interrogatório, Ricardo Salgado saiu em liberdade, mas mediante o pagamento de uma caução de três milhões de euros e "proibição de ausência do território nacional e de contactos com determinadas pessoas", segundo nota da Procuradoria-geral da República (PGR)

 

 

A queda dos " donos de Portugal" Sócrates e Salgado segundo o "El País"

Sócrates e Salgado, os donos de Portugal entre 2005 e 2011. O primeiro em prisão efectiva o segundo em prisão domiciliária depois de pagar uma garantia milionária.

En cuatro meses, han caído los símbolos de aquellos años felices. “El país era alegre, maravilloso, con trabajo para todos...”, recuerda el economista João Duque. Cinco años de lujo que comenzaron con la mayoría absoluta del socialista. “Sócrates era el gran promotor y Salgado el gran banquero. Se juntaron intereses que beneficiaban a ambas partes”, explica Duque, presidente del Instituto Superior de Economía.

“El país vivió una época aterradora”, explica José Antonio Saraiva, director del semanario Sol, que Sócrates intentó cerrar. “Reunió cinco poderes en sus manos, algo inédito en una democracia europea: el Parlamento, el Gobierno, los medios de comunicación —endeudados con la banca—, la Justicia —el fiscal general de entonces almorzó con él dos días antes de su arresto—, y la banca, poniendo a amigos como Vara en bancos nacionalizados. Le quedaba la banca privada, el BES, y estrechó su relación con Salgado”.

Até que ponto Sócrates não foi vítima tal qual o sapateiro que foi além da chinela...

Salgado não pode falar mas "eles" vão contar tudo

Passos Coelho deixou no ar a ideia de que o que se passou no BES resultou da promiscuidade entre políticos e negócios. E todos perceberam que se estava a referir aos governos de Sócrates. Às PPPs, swaps, PT, submarinos, sobreiros, Monte Branco...

Do lado de Salgado ninguém fala pois isso seria aceitar que cometeram erros e ilegalidades. E quem fale ficará a falar sozinho e isso não servirá para nada. Não prova nada. Mas não será assim com os políticos. Em campanha eleitoral muita coisa virá a público até porque nessas circunstâncias (políticas) o que se disser pouco contará para a justiça. São ataques políticos. Mas mesmo assim, quem quiser, vai perceber o essencial. E se ele fala? perguntava há semanas um dirigente do PS, ansioso.

Seguro já veio dar corda às palavras de Passos Coelho incitando-o a contar o que sabe. Ora a verdade é que a tralha socrática está toda com António Costa. É caso para dizer que Seguro também poderá contar o que sabe. E na campanha para secretário geral do PS vai fazer o mesmo que Passos Coelho. Não conta nada mas dirá tudo.

O chão salgado

Encostado à pastelaria dos pastéis de Belém, está um pequeno monumento ( Beco do Chão Salgado) que, segundo reza o texto que foi escrito a cinzel e martelo, lembra o atentado contra D. José... "... e todo aqule chão fosse salgado para que nada vivesse nele...".

 Na última década, houve uma tentativa de concentrar o poder em Portugal, protagonizada por Sócrates no Estado e por Salgado na banca. Coligados, o representante do arrivismo partidário e o representante da fidalguia financeira procuraram controlar ou influenciar bancos, empresas, jornais, televisões, etc. A crise de 2008 abanou-lhes a casa. Em 2011, Sócrates caiu, depois de Passos Coelho se ter recusado a ampará-lo. Em 2014, aconteceu o mesmo a Salgado, também depois de ter batido inutilmente à porta de Passos. Mas se a Parceria Sócrates-Salgado tombou, nem por isso desistiu de turvar a “narrativa”. Sócrates tem o PEC IV a que se agarrar e Salgado já veio dizer que daqui a uns tempos dirá quem foram os culpados. Quem vem atrás que apague a luz.

 

 

 

Estes não perdoam

Há muita gente poderosa que perdeu milhões com o caso BES. E isso vai ter consequências. Quando foi o caso do "broker" Caldeira, na Bolsa de Lisboa, poucos foram os que apresentaram queixa na Justiça. Não tinham como justificar o dinheiro aplicado. E no caso "D. Branca" foram ainda menos os que apresentaram queixa nos tribunais. As contas, nestes casos, ajustam-se pela calada, nos jornais, cartas anónimas para a Polícia Judiciária ou num beco mais escuro e ermo. Havendo dinheiro pessoal pagam-se os silêncios.

Já se notam movimentações com candidatos partidários e comentadores a tomarem para si as dores de Salgado. E se ele conta o que sabe? Guterres viu aumentadas as suas possibilidades de ser o candidato presidencial do PS. Costa pode ser obrigado a desembaraçar-se dos socráticos cujo afã em torno de Salgado lhe traz embaraços. Seguro aguarda por novas revelações. "Quem sabe, sabe e o Ricardo sabe."