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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Um governo eufórico com resultados medíocres

João César da Neves : Há cerca de um ano o nosso país estava à beira de novo colapso financeiro. Desde então, uma conjuntura externa favorável e opções políticas internas permitiram uma trajectória que evitou a catástrofe e gerou esta situação auspiciosa. Mas o alívio de última hora não resolveu os nossos graves problemas estruturais. É compreensível um sentimento de libertação, mas confundi-lo com a cura gera condições para recaída pior.

Primeiro, a actual dinâmica económica é realmente bastante fraca. Ela só impressiona por vir na sequência de enorme crise, mas em qualquer outra época estes resultados seriam medíocres. Temos o menor crescimento de todas as recuperações dos últimos 50 anos. A actual taxa de desemprego de 8,8% parece baixa, comparada com os 17,5% de 2013, mas é a mais elevada da história de Portugal, exceptuando o período desde 2009, e 150% superior à média do desemprego dos 20 anos antes de 2008. Também o rating da dívida pública, mesmo após a melhoria recente e as que se esperam, permanecerá muito abaixo de tudo o que tivemos até 2011. Em termos relativos, no curto prazo, há pois razões para festejos, mas objectivamente ninguém pode dizer que está tudo bem.

O que nos deu a agenda das "posições conjuntas " ?

Esgotada a agenda das posições conjuntas o que temos ?

Um crescimento económico medíocre que ainda não superou o melhor da anterior maioria; um absoluto torpor reformista; os juros da dívida a disparar; os serviços públicos em agonia; um sector bancário ainda à espera do lendário espírito resoluto do primeiro-ministro (na administração da Caixa, no Novo Banco, na solução para o crédito malparado).

A acrescer a tudo isto, quando precisávamos de um Governo forte temos agora o PCP e o Bloco empenhados em mostrar "o Governo do PS" em toda a sua esplendorosa pequenez, com o apoio de apenas um terço dos deputados.

António Costa jurou ter "uma alternativa estável, coerente e duradoura". Não se tratou de uma mera carta de conforto aos portugueses: foi a própria justificação da sua legitimidade. Ora, sempre que não tem a esquerda consigo, a alternativa de Costa não é estável, coerente nem duradoura. E sempre que precisar da direita, então a alternativa nem sequer alternativa é. Por isso, a oposição não tem legitimidade para salvar o Governo de si próprio.  

 

A TAP privada descongela salários

Após seis anos de congelamento a TAP chegou a acordo com os sindicatos em aumentar os salários em 0,9%. Isto para os quase 3 700 trabalhadores de terra. Quanto ao pessoal de voo também já terá chegado a acordo para aumentar salários com os respectivos sindicatos.

Há dois dias já tinha sido anunciado que os resultados da TAP no primeiro semestre tinham melhorado de forma muito significativa e que tudo aponta para resultados positivos já em 2017.

Ao mesmo tempo foi anunciado que a TAP melhorou e conseguiu estes resultados transportando menos passageiros, o que quer dizer que foi com menos despesa operacional ( combustíveis, horas extra...) .

Chama-se a isto aumentar a rentabilidade da operação. Menor número de voos mas mais passageiros por voo. Passageiros dos US, Brasil e China encaminhados para a Europa através da TAP. E da Europa para os mesmos países.

E a carreira aérea Lisboa-Porto-Lisboa com preços competitivos.

Quem não sabe ser caixeiro fecha a loja. Foi o que fez e bem o governo ao vender a TAP e deixar a gestão do transporte aéreo a quem sabe.

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Clarinho, clarinho...

Não pode ser mais claro .  Em resumo :

  1. A coligação PDS/CDS deve ser chamada a formar governo com o apoio mais vasto que conseguir e que pode limitar-se aos deputados que elegeu;
  2. Deve governar procurando entendimentos e acordos que reflictam o facto de não ter maioria absoluta;
  3. Se esse governo vier a cair, cada um assume as responsabilidades no facto e o Presidente da República decide se convoca novas eleições ou encontra uma nova solução de governo no mesmo Parlamento;
  4. Neste último caso essa solução bem pode ser um governo do PS, CDU e BE. Mas só depois de dar a prioridade e oportunidade ao governo liderado pelo partido mais votado.

Pior que Seguro

É difícil fazer pior. António Costa obtém resultados abaixo dos de António José Seguro. Enquanto não abriu a boca teve um arranque fulgurante depois foi  sempre a descer.

E, cá para nós, aquela cena da facada em Seguro não caiu bem. E depois o regresso das múmias. E a seguir um programa que não conseguiu explicar. Tudo junto é um desastre.

O mau perder e o mau carácter . A ameaça que inviabilizaria a acção governativa . Querer arranjar uma golpada de última hora para ganhar onde perdeu.

Eu sei que muitas vezes se diz que por um se ganha e por um se perde. É verdade, no futebol é assim. Na política não é assim. É que a diferença faz muita diferença, na política. É que quem ganha por poucochinho é capaz de poucochinho. E o que nós temos de fazer não é poucochinho. O que nós temos de fazer é uma grande mudança" .

O seu poucochinho é tão poucochinho que até já se vê nas mãos do Bloco de Esquerda. Porca miséria .

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Portugal alcançou resultados brilhantes em 2012 - são os meus desejos para 2013

Mais uma autoridade europeia que não poupa elogios aos resultados alcançados por este governo.

Em 2011, Portugal estava na iminência da bancarrota e solicitou apoio à UE e ao FMI para evitar uma correcção abrupta, que teria tido consequências económicas e sociais extremamente graves. A solidariedade europeia funcionou. A situação da economia portuguesa está a melhorar, embora não existam soluções rápidas. Para evitar encargos económicos e sociais excessivos, a UE decidiu, em Outubro, conceder mais um ano a Portugal para reduzir o seu défice orçamental.

Os progressos alcançados desde então são notáveis. O défice orçamental estrutural foi reduzido de forma significativa, o sector bancário foi estabilizado e as ambiciosas reformas estruturais têm tornado a economia mais competitiva. O crescimento das exportações - num ambiente particularmente difícil - ilustra as transformações profundas de que a economia está a ser alvo na sequência dessas mesmas reformas. O necessário reequilíbrio da economia irá prosseguir não obstante as perspectivas externas manterem-se sombrias. Neste sentido, estima-se que o défice da balança de transacções corrente venha a situar-se abaixo de 1% do PIB no próximo ano, quando há poucos anos correspondia a mais de 10%. A dívida pública está novamente num caminho sustentável e os investidores internacionais começam a recuperar a confiança na economia portuguesa.