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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Os problemas de fundo que separam PCP, BE e PS

Um desses problemas é a negociação da dívida que PCP e BE colocam em cima da mesa . O PCP está a avançar com uma proposta na Assembleia da República que PS não apoia com a justificação que a Comissão de Economia e Finanças já está a tratar do assunto.

Em conferência de imprensa, na passada terça-feira, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, defendeu que o problema do endividamento público e externo do país coloca Portugal numa situação de dependência externa muito significativa e sobretudo com dificuldades em dar resposta a problemas económicos como o apoio aos sectores produtivos".

Fonte da direcção da bancada socialista disse à agência Lusa que o sentido de voto apenas deverá ficar definido hoje, ao final da tarde, após o debate de urgência requerido pelo PCP sobre dívida pública, mas uma posição favorável em relação a essa iniciativa legislativa dos comunistas "está praticamente afastada.

O PS quer uma renegociação em conjunto com todos os países com um endividamento elevado e em parceria com o BCE, já PCP e BE no limite apontam para um perdão unilateral e parcial da dívida .

Não podem estar mais afastados .

A solução mágica do Bloco de Esquerda

O BE insiste na renegociação da dívida sem que seja ouvido . Porque será ?

O pior, porém, são os custos directos. Se Portugal não cumprir os seus pagamentos financeiros alguém perde as poupanças. Os que defendem a reestruturação assumem implicitamente que os credores que sofrem são capitalistas ricaços, boa parte deles estrangeiros, a quem não se deve dar muita atenção. Mas vão ter uma amarga surpresa, porque a coisa explodirá bem perto de casa, senão mesmo dentro dela. BCE e FMI, credores privilegiados, nunca serão prejudicados, e muitos dos ricaços alemães já se afastaram ou protegeram. Serão as famílias portuguesas que confiaram na honorabilidade do Estado, ou depositaram as suas poupanças em bancos que detêm dívida pública, a ser gravemente afectadas. Teremos uma nova saga do papel comercial do BES, desta vez com títulos do Tesouro. A política que há tantos anos o Bloco de Esquerda apresenta como a solução mágica irá atingir aqueles mesmos que ele diz querer proteger. ( João César das Neves )

PCP e BE engolem a dívida toda

António Costa diz coisas acertadas. É primeiro preciso fazer o trabalho de casa e só depois, em conjunto com todos os outros, falar na renegociação da dívida. É que se o BCE deixar de comprar dívida os juros escalam sabe-se lá até onde. E os credores não gostam e isso paga-se. PCP e BE não querem perceber isto.

O BE está cheio de pressa "quem espera pelos sapatos do defunto morre descalço " mas António Costa considera que esse não é um problema exclusivo de Portugal. "A dívida global que hoje existe na Europa é do conjunto da zona Euro e terá de ser assumido e encarado nesses termos", respondeu. "Nunca aceitei isolar o caso português."

Mas Costa, que disse há dois dias na RTP ser preciso esperar pelas eleições alemãs do próximo ano, assume ser necessário agir. "Temos de agir. Como? Tendo o bom senso que falta a outros". Ou seja, argumentou, agir internamente garantindo "uma boa execução orçamental", assim como a estabilidade do sistema financeiro e um melhor crescimento. "A nível europeu também temos de fazer, mas não nos podemos confundir. A dívida não é a causa, é a consequência de uma desfuncionalidade que existe."

Já sabíamos mas é bom que o BE e o PCP aprendam " que as gatas apressadas têm as crias cegas "

Baixar os juros é a melhor maneira de renegociar a dívida

Os países nossos parceiros, com excepção da Grécia pagam taxas de juro a 10 anos à volta dos 1%. Portugal paga cerca de 3,5%. Basta baixar para 1% tal como os outros fizeram e não precisamos de aprovação nem de negociar com ninguém. Basta ter credibilidade . Se a essa baixa, acrescentarmos um crescimento do PIB igual aos mesmos parceiros (1,6%) então, temos a renegociação assegurada.

Como já temos um défice primário positivo agora só precisamos de ter políticas alinhadas com os restantes países europeus. Não podemos ter o BE e o PCP a exigir a saída do Euro todos os dias e depois pedir a compreensão dos credores.

Pagamos em juros ligeiramente acima de 8 mil milhões/anos de juros da dívida. Grosso modo se baixarmos a taxa média em 2% poupamos quase metade ( 4 000 milhões). Basta PCP e BE saírem da solução governativa. O resto é conversa desafinada da Catarina e do Jerónimo. Aí está uma boa maneira de mostrarem patriotismo . Saírem da frente. É que quando esta solução conjunta entrou em funções a taxa de juro a 10 anos andava pouco acima dos 1% (1,3% ) .Tal como os outros.

Juros da dívida soberana em Portugal, Grécia, Irlanda, Itália e Espanha cerca das 08:35:

2 anos… 5 anos… 10 anos

Portugal

14/10……0,277….1,850…..3,358

13/10……0,276….1,861…..3,354

Grécia

14/10……n disp….n disp…8,316

13/10……n disp….n disp…8,316

Irlanda

14/10…..-0,467….n disp….0,500

13/10…..-0,466….n disp….0,490

Itália

14/10…..-0,088….0,354…..1,380

13/10…..-0,084….0,350…..1,376

Espanha

14/10…..-0,219…..0,126….1,115

13/10…..-0,215…..0,129….1,114

Fonte: Bloomberg Valores de ‘bid’ (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.

A natureza do BE exige-lhe matar o hospedeiro

O BE quer impor a Bruxelas via PS a renegociação da dívida. Como estrago colateral atropela o PS . Mas o estrago será mesmo colateral ou é o objectivo principal? Se e quando sairmos dos cuidados intensivos logo saberemos. Para já vimos o camarada da cama do lado ( a Grécia) ficar no estado vegetativo depois de tentar a renegociação da dívida.

A dívida tem vindo a ser renegociada, baixando a taxa de juro, prolongando os prazos, com o BCE a comprá-la e pagando antecipadamente as tranches com mais alta taxa de juro. Quando o país ( e os outros nas mesmas condições) fizerem o trabalho de casa ( consolidando as contas públicas) estou convencido que se abrirão portas . O BCE prescindirá dos juros da dívida na sua posse, reterá os dividendos como paga da dívida , prolongará prazos de pagamento para 50 anos.

Mas o BE tem a sua natureza que lhe exige matar o hospedeiro . Nada a fazer.

O FMI reconhece que as pessoas lhe interessam pouco

FMI vem agora reconhecer que foi tudo demasiado rápido, difícil e doloroso. Consolidar as contas públicas à custa de mais desemprego e empobrecimento é fácil, todos fazem. No equilíbrio não conseguido é que está a ciência que o FMI não teve. O erro, o pecado, foi que nas folhas de excel não entra o social. A curto prazo as consequências são nefastas.

Expectativas demasiado elevadas em relação ao efeito imediato das reformas estruturais, consolidações orçamentais feitas de forma excessivamente rápida, expectativas irrealistas em relação a uma estratégia de curto prazo de desvalorização interna e cedências no princípio de reestruturar logo à cabeça dívidas públicas pouco sustentáveis.

O travão teria sido pensar nas pessoas. Esperemos que compreendam de uma vez por todas que país que paga dívidas elevadas não tem meios para investir e sem investir não há emprego nem crescimento sustentável da economia. Isto é tão óbvio que é difícil aceitar que o FMI e a Europa só agora o tenham percebido.

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Catarina Martins dá um murro na Joana Mortágua

Quem fala pelo BE é a Catarina e a renegociação da dívida não está em cima da mesa, como adiantou a Joana irmã da Mariana. As clivagens são mais que muitas e a Catarina ainda vai ver que os seus 10% não dão para tudo. Que diabo não são mais que 10% dos votos.

As reuniões são muito profícuas mas não sai de lá nada. Veja-se o tio Jerónimo como já fala para dentro do próprio partido a acalmar a facção estalinista . Agora é a Catarina a tentar meter as ovelhas no redil . É claro que a tal renegociação da dívida é bandeira para deixar cair mas era tão fácil há um mês atrás...

Tanto a porta-voz do BE como o líder comunista recusaram clarificar duas dúvidas: se o acordo com o PS é válido por um ano ou para toda a legislatura; e se exigem a reposição imediata dos salários na função pública e dos valores cortados nas pensões e ainda a eliminação da sobretaxa de IRS.

Isto é tudo muito bonito mas é preciso saber se o défice não fica acima dos 3%

 

A malta que não acertou uma volta à carga

A malta que escreveu cartas e petições a favor da  renegociação da dívida, volta à carga.

A malta que no ano passado escreveu um manifesto a dizer que era necessário renegociar a dívida, que iríamos necessitar de um segundo resgate, que nunca iríamos cumprir o acordado pelo PS com a Troika, a malta que no ano passado nos atiraria para a situação que a Grécia tem hoje, os Bagão, os Ferro Rodrigues, Cravinhos, Mortáguas, Louçãs, Sampaios da Nóvoa (e quer ele ser Presidente…), Carlos César, Freitas, Roseta, Carvalho da Silva (outro que se imagina presidenciável), Adão e Silva, Octávio Teixeira, Soromenho Marques e, claro, Vítor Ramalho (enfim, os clássicos, só faltando Manuela Ferreira Leite e Mário Soares), e eu sei lá que mais, toda essa gente que se enganou nas previsões, escreve agora outra carta, com mais colegas, ao Primeiro-Ministro, para que aproveite a oportunidade do actual momento de discussão na Europa para encontrar “soluções realistas e mudar a visão das políticas para o país”. Eles, que se enganaram, que andaram enganados, que enganaram os portugueses, voltam à carga. E defendem que Portugal se atrele à Grécia. Que infantilidade, que crianças, que pena, que tristeza! Que malta!

 

O PS já diz que não há soluções simples

Renegociar a dívida. O PS leva da esquerda e da direita. E ideias concretas, há ? Os socialistas jogam à defesa. É preciso discutir a dívida mas não avançam com ideia nenhuma. Depois da discussão do orçamento haverá a discussão da dívida na AR, primeira prova de fogo do PS de António Costa. Junta-se ao PCP e BE no "hair cut" ou quer pagar a dívida no quadro de uma solução europeia?

O PS acabou por estar no centro do debate, com os restantes partidos da oposição e da maioria a acusarem os socialistas de não assumirem uma posição sobre a reestruturação de dívida nem de apresentarem soluções concretas. "Dos que levantam a voz para falar contra a dívida, foram muito poucos os que levantaram a voz para falar contra a despesa. Para este debate ser sério, teremos de discutir as causas deste problema", apontou a deputada do CDS-PP, Cecília Meireles, apontando a falta ideias concretas do projecto de resolução do PS.

Pois é, como se diz na gestão das empresas " as ideias gerais são comigo os pormenores são contigo"...