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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Há 3 anos que o Brexit ruma em direcção ao Remain

O Reino Unido tem mostrado como sair da União Europeia é uma decisão perigosa e difícil de por em prática. Há três anos que o Brexit se prepara para entrar "em coma" e ficar a marinhar até encontrar condições para o RU se manter na UE.

O mercado de 500 milhões de consumidores vizinho não é substituível por mercados a milhares de quilómetros de distância. As empresas há muito que sabem isso e a população jovem também só os grisalhos e os políticos ( embora sabendo) têm dificuldade em recuar.

O argumento é forte, trata-se de cumprir o resultado do referendo o que na mais antiga democracia do mundo conta muito. Mas virá o dia em que as condições para reverter o "coma" levarão a novo referendo. 

Mesmo com os seus 80 milhões de pessoas o RU é um mercado pequeno entre os gigantes como a China (1,4 mil milhões) Índia ( 1 bilião), UE (500 milhões), USA ( 200 milhões), Mercosul ( 400 milhões).

Estamos perante uma enorme lição para todos os europeus e para todos os povos que mais tarde ou mais cedo enfrentarão o mesmo problema. Unirem-se com os vizinhos regionais.

E não é só na economia. No ambiente, na defesa, na saúde, só grandes espaços criarão condições para o combate ser frutuoso.

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No Reino Unido 70% apoiam o remain ?

O partido do Brexit obteve 30% dos votos. É legítimo dizer-se que o partido do remain é apoiado pelos 70% que não votaram Brexit ?

Não há dúvida que os que votaram pela saída da UE estão empenhados e convencidos que é o melhor para o seu país. Qualquer pessoa que partilhe dessa convicção não deixaria de votar. Não se trata de ideologia ( pelo menos para a grande maioria) trata-se de uma vontade clara movida por uma forte convicção. Serão poucos os que deixaram escapar esta oportunidade de defender algo tão concreto.

Os 70% que não votaram pela saída têm entre si quem é convictamente contra o Brexit, quem é convictamente a favor do Remain e quem não tem opinião. Não se pode falar numa vitória do partido de Farage e ainda menos de uma vitória do Brexit.

O que se espera agora é que os partidos que apoiam a permanência coloquem como discussão nuclear nas próximas eleições legislativas a permanência do Reino Unido na União Europeia. É que se há uma ilação a tirar dos resultados da eleição de ontem é a que os partidos que defendem os valores da UE saíram fortemente reforçados. 

 

 

Saída do Reino Unido entrada da Escócia

Escócia quer ser independente e aproveita a saída do Reino Unido da União Europeia para reforçar o seu desejo de permanência, pelo caminho quer um referendo sobre a independência.

É bom não esquecer que a votação para o Brexit na Escócia foi o Remain que ganhou .

“Não tenham dúvidas. Foram os que se opõem à independência, os que estão à direita do Partido Conservador, que causaram a insegurança e a incerteza” em relação à saída do Reino Unido. “Cabe-nos agora a nós, defensores da independência [da Escócia], oferecer soluções melhores para os problemas que eles criaram”, disse a líder escocesa. Primeiro, Surgeon disse que iria tentar “trabalhar com outros partidos para tentar salvar o Reino Unido como um todo do destino de um hard Brexit”.

Mas, temendo que isso não aconteça, prometeu: “vamos propor novos poderes para manter a Escócia no mercado único mesmo se o Reino Unido sair.” E “se o Governo conservador rejeitar estes esforços, se insistir em levar a Escócia por um caminho que prejudica a nossa economia, que faz baixar os nossos padrões de vida, que causa danos à nossa reputação como um país aberto, acolhedor, diverso – então não há dúvidas, a Escócia tem de ter a possibilidade de escolher um futuro melhor”, disse.

A Escócia e Londres querem manter-se na União Europeia

O "remain" ganhou por muitos na Escócia e em Londres. A Escócia agita a bandeira independentista e prepara referendo. Londres e a sua city têm na sua relação à Europa uma fatia importante dos seus negócios. Já há empresas que falam em deslocar trabalhadores para Frankfurt.

A primeira ministra escocesa já se reuniu com o Mayor de Londres porque têm interesses em comum e não podem nem devem deixar de tirar partido da vitória do "remain" nos seus territórios. O mayor de Londres já veio dizer que o Brexit não terá consequências nas empresas e nos trabalhadores da city.

Perante tudo isto, é particularmente significativo que Nicola Sturgeon e Sadiq Khan tenham falado hoje, algo que poucos analistas têm mencionado, mas que é muito, mas muito importante. Sturgeon disse “que existe claramente uma causa comum” entre a Escócia e Londres. Entretanto, já começou nas redes sociais a campanha #Scotlond, onde precisamente se apela à permanência conjunta da Escócia e de Londres na União Europeia.

Como é que este problema vai ser solucionado é uma das incógnitas mais cegas resultantes da opção legítima dos ingleses. 

A maioria dos que votaram pela saída não viverão o suficiente para a ver

Ou seja, aqueles que serão mais afetados pelos efeitos e implicações do Brexit, não o querem – aliás, dada a complexidade e os prazos do processo, é fácil perceber que muitos dos que o decidiram poderão já nem assistir à sua conclusão.

Os números do pró-europeísmo nos restantes países mostram tendências semelhantes. É encorajador que tantos de nós, que só assistimos às imagens da queda do Muro em diferido, tenhamos esta intuição, este sentimento claro de que, juntos, percorreremos melhor o caminho da História nas próximas largas décadas. Mais do que encorajador, é reconfortante, quando os gritos dos populismos suscitam ecos do pré, e não do pós, II Guerra.

Pensando bem, não surpreende quando, noutros países, além de Millennials* somos também a geração Erasmus que nunca viu fronteiras; a geração euro que não se lembra do escudo, do franco ou do marco

* nascidos nos anos 80 ou nos anos seguintes

Já há reconhecimento da derrota do Brexit

Farage o líder do partido independente e ferozmente anti-europa  já admitiu a derrota. Foi uma óptima campanha mas perdemos, diz o politico. 52% para o " remain" 48% para o "leave". Votaram 83% dos inscritos o que é um valor muito alto para um referendo. É bom que seja assim, o último referendo sobre a UE foi há 40 anos, com esta percentagem de votantes decorrerão mais 40 anos para que a questão seja novamente colocada.

Este resultado fortalece a União Europeia, e terá importantes efeitos na opinião pública dos 28 paísesos que a compõem. Não será de ânimo leve que os anti-europa iniciem campanhas que sabem à partida perdidas. Nenhum país tem tão fortes argumentos para questionar a permanência na Europa, incluindo a sua situação geográfica.

Será agora bom que os líderes europeus regressem aos princípios democráticos e de solidariedade que cimentaram a UE. Não que os tenham abandonado mas hoje já é visível que há muita coisa que tem que mudar.

É um grande dia para a UE .