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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A liberdade de escolha - o dinheiro segue o doente

O SNS tem que seguir o caminho já seguido pela maioria dos países europeus . Separação clara entre financiador e prestadores de serviço - público, privado e social -.

É especialmente premente terminar com a dicotomia prestadora entre setor público, privado e social e promover uma sã concorrência - muito bem regulada. A descentralização e a municipalização da gestão das unidades públicas, também serão determinantes.

Na Europa, todos os sistemas de saúde de base ideológica semelhante ao nosso têm feito a sua evolução e em quase todos começa a haver uma nítida separação entre prestador e financiador - o dinheiro segue o doente.

Será a FFSS( Fundo Financeiro dos Serviços de Saúde ) que contratará com os diferentes operadores de saúde devidamente certificados - públicos, privados, sociais - os cuidados de saúde em termos de equidade e universalidade de cuidados. Igualmente competirá a esse fundo, consoante o modelo traçado, financiar atividades de saúde pública, medicina preventiva, cuidados continuados e paliativos, encargos farmacêuticos extra hospitalares e, em parte, a formação.

Basta olhar pelo lado dos doentes

Aí está uma reforma em curso das urgências após a morte do jovem em São José. O objectivo é o mais simples possível. Envolver em rede os recursos disponíveis e optimizar a sua utilização. Há muito que é assim no privado mas no estado os serviços funcionam na óptica dos interesses corporativos instalados . Morrem os doentes.

Há por aí uns sonâmbulos que nos querem fazer crer que estes crimes nada têm a ver com as reivindicações de quem se julga dono do estado. Não dás mais ? Então não brinco. E como por encanto aparece uma cortina de argumentos a defender o indefensável. Até há aquela frase idiota dos sindicalistas : se a greve não prejudicar ninguém não tem efeito nenhum. A ideia é, pois, prejudicar os utentes, só que na saúde joga-se com a vida e com a morte. Mas a ligeireza com que se decreta a greve é a mesma. Pelos direitos de quem tem trabalho e vencimento certinho ao fim do mês. 

Os políticos dão a cobertura necessária, ignorante e demagógica, como é o caso de Maria de Belém que até foi ministra da saúde. Cortou-se demasiado e, pecado dos pecados, nas horas extraordinárias...

A reforma em preparação obriga a que o SNS se organize de modo a garantir uma resposta pronta e coordenada". Isto é, "exige que se proceda a uma profunda reorganização dos cuidados de saúde hospitalares nas várias regiões de saúde do país, apostando nos princípios da cooperação interinstitucional, da organização em rede e da partilha dos recursos disponíveis no SNS".

E eu a julgar que este era o trabalho da gigantesca estrutura que supervisiona o ministério da saúde

A reforma hospitalar

Optimizar a oferta dos serviços hospitalares é uma das vertentes da reforma hospitalar. Especialidades altamente diferenciadas têm que reunir uma série de factores - técnicos e humanos - insusceptíveis de serem replicados. É o caso dos transplantes, da cirurgia cardiotorácica, da neurocirurgia, do cancro...A reforma hospitalar tem várias vertentes, esta é uma dessas vertentes, a vertente da reorganização do espaço da oferta hospitalar", dando outros exemplos de segmentos da reforma em curso: a reforma no modelo de governação e de financiamento dos hospitais ou criação dos planos estratégicos das unidades de saúde. Este diploma vem categorizar os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em grupos de I a IV, hierarquizando as unidades de acordo com a natureza das suas responsabilidades e as valências exercidas. A portaria determina que as instituições hospitalares cumpram as reorganizações propostas até 31 de Dezembro de 2015.

Ainda há bem pouco tempo veio a público o caso dos transplantes e outras cirurgias do fígado ( que segundo um dos mais prestigiados cirurgiões da especialidade são efectuadas em condições longe das ideais) e quanto às cirurgias cardiotorácicas a guerra vem de longe.

Dispersão de meios técnicos, humanos e financeiros que reduzem a qualidade e pesam nos custos.

Se olharmos para o interesse do doente é tão simples

Por cá sempre que se fala em encerrar uma qualquer unidade de saúde, ou reduzir camas, logo aparecem espontaneamente, ora essa, os cordões de solidariedade. "Foi aqui que eu nasci" é um dos argumentos . Mas há países modernos e progressistas, que olham para a mudança como uma inevitabilidade a bem dos serviços prestados à população.

Há por aí uma discussão sobre o encerramento dos Hospitais Centrais de Lisboa. Uma das posições é mantê-los abertos mesmo depois da inauguração do Hospital de Todos os Santos. Como se fosse sustentável. Como se com isso se melhorassem os cuidados prestados. 

Porque é preciso fechar algumas camas para abrir outras e isso gera receios e resistências. Por cada cama de situações agudas que fechamos nos hospitais abrimos três nos cuidados continuados, entre eles os paliativos.

 

 

Mas tem de abrir e tem de ser transparente. Uma cama de internamento num hospital agudo custa 1100 dólares por dia, podemos abrir com esse dinheiro quase três camas numa unidade de cuidados continuados. Os doentes são referenciados e libertam-se três camas dos cuidados agudos. Como só fechámos uma, ganham-se duas. É vantajoso para o doente e para o sistema de saúde.

Se olharmos para o interesse dos doentes é tão simples.