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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O rapto da menina inglesa no Algarve

Vale a pena lermos o acordão do Supremo que isenta da culpa de difamação o ex-inspector Gonçalo Amaral que chefiou a equipa que investigou o alegado rapto.

“É certo que o inquérito criminal acabou por ser arquivado, em virtude de nenhum dos indícios que levaram à constituição dos recorrentes como arguidos ter obtido confirmação. No entanto, mesmo no despacho de arquivamento são suscitadas sérias reservas quanto à verosimilhança da alegação de que Madeleine fora raptada”. Os juízes acrescentam ainda que, sobre a presunção de inocência invocada pelos pais, não se deve dizer “que os recorrentes foram inocentados por via do despacho de arquivamento do processo-crime. Tal arquivamento foi determinado por não ter sido possível  obter indícios suficientes da prática de crimes. Não parece aceitável que se considere que o referido despacho, fundado na insuficiência de indícios, deva ser equiparado à comprovação de inocentação”, concluem os juízes-conselheiros.

Para mim é um mistério indecifrável e o que sobra é tão terrível que é uma agonia pensar que seja possível . Mas a Justiça ficou longe de estar convencida.

Madeleine_McCann,_aged_three_and_(age-progressed)_

 

 

Cresci numa pequena comunidade

Fico desolado quando verifico serem possíveis estes raptos que de quando em vez temos conhecimento. Só a solidão em que todos vivemos explica o inexplicável. No meu bairro, todos se conheciam, todos se ajudavam. Quantas vezes, na ausência do meu pai, uma vizinha me levou ao hospital?

Esta indiferença para com o outro é terrível. Vivo nesta casa há trinta e cinco anos. Na última reunião do condomínio é que dei conta que só dois ou três dos moradores iniciais ainda permanecem. Foram embora pessoas com quem me relacionei, com filhos com quem o meu filho cresceu e foram para novas etapas da sua vida sem que me tenha apercebido.

E que dizer dos prédios onde vivem centenas de pessoas? Passam vidas debaixo do mesmo tecto e não se dão conta que existem.

O escritor Alçada Baptista com quem me cruzei na vida profissional dizia que a vida moderna tinha resolvido os grandes problemas do mundo mas que nada tinha feito pelos afectos. Estes casos dos raptos dão-lhe inteira razão.