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BandaLarga

as autoestradas da informação

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OS SINTOMAS E A DOENÇA

Por não conhecer suficientemente o problema, não tenho opinião formada acerca desta tão falada “Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades”

 

É fácil dizer que os professores não podem exonerar-se daquilo que é exigido à generalidade dos profissionais – sujeitarem-se a avaliações. É difícil, também, não concordar.

 

A coisa torna-se mais complicada quando se questiona qual a forma ou o método que permitam uma avaliação eficaz e objectiva, tanto quanto objectivo se possa ser quando está em causa uma actividade cujas tarefas são desenvolvidas em circunstâncias completamente diferentes consoante a zona do país, as condições sociais e económicas dos alunos, o seu enquadramento familiar ou o seu passado académico.

 

Ainda não ouvi a ninguém qual essa forma ou método, sendo certo que não o é, seguramente, o elaborar de relatórios ou preenchimento de papeladas.

 

É evidente que não é admissível que um professor cometa vinte erros ortográficos numa frase, por muito extensa que seja, como é inaceitável que alguém proclame “tenho, muito orgulho em ser professor à dez anos”. Seguramente que quem o escreve não sabe, em bom rigor, no que diz ter orgulho.

 

Mas esta prova está inquinada de um vício básico - o considerar-se que, para além das habilitações académicas e uma vez estas adquiridas, os candidatos a professores devem demonstrar que sabem escrever correctamente.

 

Na verdade, de qualquer licenciado, seja qual for a sua área, deve esperar-se o bom domínio da língua portuguesa, cujo conhecimento deve ser ministrado bem cedo, no ensino básico, e cuja inaptidão deveria ser determinante da exclusão de acesso a graus superiores.

 

É grave um professor não saber escrever? Claro que é. Como é igualmente grave que o não saiba um jurista, um médico, um jornalista ou qualquer elemento de classe profissional que confira ascendente social ou acesso a meios de comunicação pública.

 

Ainda hoje ouvi na rádio um licenciado, creio até que doutorado, titular de um importante cargo público, dizer repetidamente “tem que”, quando deveria ter dito “tem de”. Um preposição ou a sua contracção com um artigo não são o mesmo nem exercem a mesma função que um pronome. Isso é básico.

 

Portanto, o problema não está em que há professores que não sabem o básico. O problema está em que há licenciados, de todas as áreas, que não sabem o básico. Esse problema não se resolve com provas de acesso, mas com um ensino exigente e exames de avaliação sérios.

 

Quem não sabe escrever nem no ensino secundário deveria poder ingressar.

 

O que urge é acabar com a leviandade e o negócio em que o regime de Abril transformou o ensino.

 

Claro que dói. O antibiótico e o analgésico curam a dor de dentes. Mas só a broca e o alicate resolvem o problema.