Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

António Costa demitia-se com o aumento dos professores mas agora quer aumentar os funcionários públicos

O primeiro ministro diz o que quer e quando quer e ninguém lhe aponta nada. Há menos de um mês ameaçava demitir-se porque o aumento aos professores descarrilava o orçamento agora, apregoa que vai aumentar os funcionários públicos e ninguém lhe chama a atenção para o descarrilamento do orçamento.

Todos estamos à espera que o governo invista na melhoria dos serviços públicos esquecendo que quem vota são os funcionários públicos. Para Costa os utentes dos serviços públicos não são preocupação.

O actual governo deu a machadada final na qualidade dos serviços públicos baixando das 40 horas para as 35 horas . O objectivo foi o mesmo. Ganhar os votos dos funcionários públicos estragando a qualidade dos serviços públicos.

Apesar dos professores PS e Costa sobem nas sondagens

Mário Nogueira ameaçou o PS e o governo com uma luta sem tréguas e que irão lamentar a posição que tiveram no processo dos professores. Para já o PS sobe e Costa continua a ser o líder político com mais apoio.

Nogueira, PCP e BE não perceberam que a sociedade, sensível ao argumento da equidade e da sustentabilidade das contas públicas, se tinha colocado contra o exigido pelos professores. PSD e CDS perceberam tarde e a más horas. 

Por outro lado a opinião expressa também mostra que as contínuas exigências e manifestações dos sindicatos da escola pública perderam a eficácia, o que é significativo quando o país contínua a ser submetido a diversos graus de austeridade.

A dívida elevada, a crescente despesa pública e a maior carga fiscal de sempre calam fundo na opinião dos portugueses que não querem mais pântanos e bancarrotas.

 

A situação do país é bem pior do que nos anunciam

Este cenário dos professores mostra bem que a situação do país é bem pior do que nos querem fazer crer. Por mais argumentos políticos que nos ofereçam o que está realmente em causa é a falta de dinheiro.

A dívida não parou de aumentar desde que Portugal entrou para a UE devido ao défice sistemático; ultrapassou o PIB em 2011 – ano da bancarrota iminente – e nunca mais baixou, estando hoje 25% acima do PIB.

Há, porém, algo de tão grave e revelador como a dívida, porque estrutural e condicionante do futuro a longo prazo. É a produtividade do trabalho em baixa há cinco anos seguidos. Segundo o Banco de Portugal, “Portugal tem divergido face à área do euro” devido ao crescimento do emprego de baixo valor acrescentado. O aumento do turismo e da construção civil são bem-vindos mas sempre foram actividades de baixa produtividade. A escolarização e a formação profissional, assim como a saúde – em crise sem equivalente desde a criação do SNS – são os factores que definem o chamado «índice de desenvolvimento humano».

 

 

Todos ralham mas Costa tem razão

Até que enfim que no nosso país há coragem de dizer a verdade. Aumentar a despesa pública é uma calamidade como já se viu quando Guterres chegou ao pântano e Sócrates chegou à bancarrota.

O actual governo com o seu apoio parlamentar fez crescer a despesa pública ( só pessoal) em 2 mil milhões contando com um ligeiro crescimento do PIB e a mais alta carga fiscal de sempre . Aceitar mais o aumento exigido pelos professores e logo reivindicado pelos restantes sectores obrigaria a aumentar o défice, a aumentar os impostos, a congelar os investimentos ou a aumentar a dívida. Um de cada vez ou um bocadinho em todos mas de qualquer maneira um desastre anunciado.

O argumento agora é há muito conhecido. É a política do "já agora ". Como nas obras públicas sempre se pode acrescentar mais uma despesa. É o já agora. O próprio Louçã diz que aumentar os professores era só aumentar em 0,001%. É, claro, que aumentar a despesa é sempre aumentar poucochinho de cada vez até ao dia que o governo tem que fazer cortes dolorosos.

Vejam lá quem tem estes objectivos: rebentar com o défice, não pagar a dívida e aumentar os impostos aos privados ?

Ah, pois é...há muita maneira de matar pulgas

Afinal o diabo chegou e não vai embora nem daqui a dez anos

Nem daqui a dez anos será possível devolver o que foi congelado aos portugueses nos tempos difíceis da Troika e que começaram ainda antes no tempo de Sócrates.

Ouvimos e vemos Mário Nogueira e ele queixa-se que as negociações entre sindicatos e governo foram uma encenação. Foi correndo o tempo, foram-se aprovando orçamentos e as negociações prosseguiam. Dum lado e outro posições inflexíveis.

Mas o governo e os seus apoiantes foram-nos vendendo que a austeridade tinha acabado embora Costa e Cereno de vez em quando avisassem. Claro que nunca foram ouvidos. Chegados à beira do pântano deixou de haver margem para mais negociações faz de conta.

Não há dinheiro, a mais básica das razões e, sem dinheiro, bem podem todos ter razão mas o diabo não se vai embora . Nem daqui a dez anos .

O dinheiro que vai para os bancos, o dinheiro para baixar o défice, o dinheiro que sobe a dívida, gritam os que não quiseram ouvir. Pois, antes de qualquer sector está o país. É disso que se trata.

António Costa já não consegue esconder mais a austeridade

A haver reposição aos professores é preciso que também a haja para os restantes sectores. Ora isto é orçamentalmente insustentável e mostra o que o governo andou estes quatro anos a esconder com a ajuda do PCP e BE. A austeridade não acabou .

António Costa ainda manteve o congelamento, mas com um défice próximo de 0% e com toda a retórica construída pela atual maioria de que se virou a página da austeridade foi perdendo argumentos para o fazer. Assim, em dezembro de 2017 e antes da entrada em vigor do Orçamento do Estado de 2018, o PS, PCP e Bloco de Esquerda, aprovaram na Assembleia da Republica uma resolução bastante semelhante à que foi aprovada na passada quinta feira.

Ora, à medida que se torna mais evidente que não se virou a pagina da austeridade – algo que será ainda mais evidente à medida que a atividade económica for abrandando, também se torna mais evidente que a geringonça não serve para os próximos quatro anos. Não só as exigências do BE e do PCP serão cada vez maiores como também o espaço para mais cedências será cada vez menor.

Posto isto, quais a opções do PS? Tenta ter o apoio da direita, ou governar com maioria absoluta? Como a primeira hipótese parece cada vez menos provável e com as sondagens a apertarem, António Costa viu no tema dos professores a hipótese ideal para chegar ao eleitorado de centro e à maioria absoluta. Assim, o PS voltou atrás na posição que já tinha assumido em 2017 e adotou uma postura “responsável”.

Não há dinheiro : o que é que PCP e BE não percebem ?

Não há dinheiro nem agora nem no futuro próximo. O que é que PCP e BE não percebem ?

PSD defende a contabilização total do tempo de serviço dos professores, “desde que salvaguardados pressupostos muito claros de equilíbrio orçamental, respeito pelo pacto de estabilidade e crescimento, pela situação económico-financeira do país, pelo controle da dívida pública e pela sustentabilidade do sistema público de ensino”.

Quanto aos sindicalistas não percebem e até têm raiva a quem percebe. Não é das suas contas e alguém pagará .

Adeus, geringonça

Que margem é que ficou para se reeditar a geringonça à esquerda depois desta ópera bufa dos professores ?

Nenhuma ou muito pouca. Hoje, é clarinho que PCP e BE não estão dispostos a largar mão de nada mesmo que se trate de manter o equilíbrio orçamental. Resistir aos ditames de Bruxelas é isso mesmo, rebentar com o défice, não pagar a dívida e sair do Euro.

Para quem não tem motivos para agradar a eleitores o que sempre esteve em cima da mesa era muito simples. Não se podia pagar aos professores sem pagar a todos os outros  sectores e desde que fosse orçamentalmente sustentável. Sem crescimento económico mais forte não há dinheiro suficiente. Mas o drama é que o crescimento está a fraquejar não está a fortalecer.

Na estratégia da esquerda a função de Mário Nogueira era forçar o PS a escolher um dos lados.  Juntava-se ao PCP e BE e avançava na degradação orçamental ou desagradava aos professores e perdia votos para a extrema esquerda entre uma classe que vota PS. Em qualquer dos casos ganhava sempre . Mas Costa e Centeno perceberam o que estava em jogo bem ao contrário do PSD e do CDS e escolheram a estratégia orçamental que vinham a desenvolver nos quatro anos de governo.

Controlar o défice, gerir a dívida e manter a mais elevada carga fiscal .

No fim temos um PS ganhador como defensor sério do equilíbrio das contas públicas, PSD e CDS como perdedores nos seus méritos de exigência orçamental e PCP e BE ( anti-equilíbrio orçamental) afastados do arco da governação.

O que dirá o PS na sua campanha eleitoral quanto ao mérito de nova geringonça ?

 

Uma foto que vale mais que mil palavras

PSD, CDS, PCP e BE na mesma foto mostra bem que em política tudo é possível. É só tirar dali o PSD e substitui-lo pelo PS e percebe-se a dimensão do filme de terror.

Aos dois partidos da direita bastava dizer que 1) o problema dos professores era do governo e de quem o apoia 2) apoiariam o pagamento integral desde que não se degradassem as contas públicas

Não só mostravam coerência com o que sempre defenderam como mostravam que acabado o dinheiro a apregoada estabilidade da geringonça não existe nem nunca existiu.

foto.jpg

 

O PSD e o CDS não têm razão e Centeno vai demitir-se

Depois da intervenção de Mário Centeno na Assembleia da República onde afirmou, com clareza, que quem aprovasse a contagem integral do tempo aos professores teria que decidir onde cortar na despesa fixa e/ou no aumento dos impostos, não tenho dúvida nenhuma que a demissão do ministro das finanças está em cima da mesa.

António Costa também tem a sua palavra em banho maria mas, a sua demissão, equivaleria à demissão do governo o que seria mais problemático a não ser que o primeiro ministro jogue agora tudo na maioria absoluta em eleições legislativas antecipadas.

Todos sabem que pagar aos professores obriga a pagar a outras categorias de funcionários públicos para não falar em todos aqueles que perderam o emprego no sector privado. Trata-se de uma enorme injustiça que o PS não aceitará. Mas pagar a todos os prejudicados arromba definitivamente com o equilíbrio orçamental e com as conquistas conseguidas com tanto trabalho.

Degradar ainda mais os serviços públicos ? Aumentar o IVA ? PSD, CDS, PCP e BE têm a palavra.

"Isto é pôr em causa todo uma legislatura de recuperação de rendimentos. Temos sabido manter o rumo certo, as contas no seu sítio e avançar passo a passo de forma segura. Isto é querer destruir todo o trabalho de construção de uma legislatura. A História julgará quem assim procede", disse o deputado do PS.

iva.jpg