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BandaLarga

as autoestradas da informação

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As cativações a meio da ponte

Hoje já sabemos que as mortes nos incêndios do verão passado não resultaram só dos fenómenos ambientais especialmente adversos. Muito do que aconteceu resultou da falta de meios e da falta de operacionalidade de quem estava no terreno.

Em Tancos faltaram os meios sobrou a vergonha. Na saúde os profissionais agitam-se e os doentes desesperam . Nas escolas os alunos tiritam de frio por falta de aquecimento e passam fome por lhes oferecerem comida intragável.

Agora caiem peças da ponte 25 de Abril a dar sinal de falta de manutenção.

O governo sabe que a política de cativações já deu o que tinha a dar. O interior não perdoará novo drama e o presidente da república já faz saber que perante cenário semelhante não terá condições de manter o governo.

O dinheiro injectado na CGD e o que se prepara para injectar no Montepio fará descambar o défice, assim Bruxelas o exija. Para já é ao dinheiro da Santa Casa que se faz mão baixa com o argumento que se trata de um bom investimento embora ninguém o queira fazer.

Os estímulos do BCE vão parar e com isso sobem as taxas de juros sobre uma dívida que não desce . E o preço do petróleo a este nível tão baixo é uma bênção que não se manterá.

Falando de bênçãos temos aí a chuva que para já livrou o país da seca extrema.

Estamos nas mãos de outros e da mãe natureza que não suportam mais cativações. Falta o povo perceber que nestes dois últimos anos andamos a dar ao pedal sem sair do mesmo sítio. O crescimento da economia já definha por falta de investimento e de reformas incontornáveis.

Marcelo começa a falar em "presidências abertas sectoriais " à Mário Soares ".

Procuram-se bodes expiatórios .

 

 

 

A ponte não faz greves

Rui Mendes Ferreira

15 h ·
 

Pensamento do dia:

A ponte não faz greves, não reclama, não é cliente do regime.

Segundo a revista Visão, há já 6 meses que foi entregue ao governo, um relatório do LNEC, a alertar para a perigosa situação em que se encontra a ponte 25 de Abril, onde até mencionam o risco iminente de colapso da estrutura.

E há 6 meses que o ministro da respectiva tutela, Pedro Marques, informou o ministro das finanças, da extrema necessidade de autorização e alocação das verbas necessárias para poder executar as reparações necessárias.

Também há já seis meses, que o ministro das Finanças, Mário Centeno, tem retido a autorização e as verbas e mantido o mais absoluto silêncio sobre esta matéria.

E há 6 meses, que o ministro Pedro Marques, tem andado a engolir em seco, a recusa do ministro das Finanças, e também ele se tem remetido ao mais absoluto silêncio sobre a situação em que se encontra a ponte 25 de Abril, e sobre a recusa do ministro das finança em autorizar a sua reparação..

E há 6 meses que da parte de todo o governo, e respectivos serviços públicos, que detêm as várias responsabilidades nesta matéria. Nunca se ouviu uma única palavra. Todos no mais absoluto, e abjecto silêncio.

Foi preciso a revista Visão colocar este assunto na capa da sua última publicação, e terem previamente informado o ministro de que o iriam fazer, para que em menos de 24 horas, o governo desse andamento, a algo que durante 6 meses manteve na prateleira e escondido das centenas de milhares de utentes que atravessam semanalmente aquela ponte

Por outras palavras, os actuais governantes, só se mexeram, porque alguém atacou o único ponto onde lhes dói: o risco da sua popularidade.

Já quanto ao risco dos utilizadores da ponte, claramente ficou demonstrado, que ao longo de 6 meses, nunca foi uma preocupação nem uma prioridade do governo.

Mas desenganem-se se pensam que este é um caso isolado. Não é, nem pode ser de forma nenhuma, face à opção política escolhida pelo actual governo.

Cortar nas despesas da manutenção e investimento das estruturas públicas, para poder conseguir dessa forma, as verbas necessárias, para satisfazer a voracidade das suas clientelas da máquina estatal, a prazo, o resultado só pode ser este.

E face à continua adopção desta via de governação, isto é só um começo. Muitas mais pontes, muitos mais edifícios e estruturas e serviços públicos, irão começar a apresentar sintomas de colapso, e irão ser mantidas nas gavetas, até onde lhes for possível: até mais algum jornalista denunciar, ou até acontecer alguma tragédia. Com a actual política, não poderá haver outra via.

Não há milagres. a manta é curta e por isso tem que ser gerida com equilíbrio. E cortar quase a zeros, nos gastos de manutenção, para poder manter as clientelas do eleitorado que sustenta o actual governo, não é uma gestão equilibrada , e como tal, não pode nunca gerar nada de bom a não ser cada vez mais casos como o da ponte 25 de Abril, pois tudo indica que não aprendemos nada com entre os Rios. Tal como não aprendemos nada, com anos a fio de repetidas tragédias com os incêndios.

Mas as pontes, não reclamam, não votam, não fazem greves, não fazem parte da clientela do governo. e os utentes, das pontes, só irão reclamar quando elas caem, e mesmo assim, só os familiares dos que lá morrerem é que tendem a não esquecer, nos dias das eleições.

E se na ponte de Entre os Rios, ainda tivemos um ministro que se demitiu, assumindo as responsabilidades políticas, mas nunca a cíveis nem criminais, já com o actual governo, será uma perda de tempo ficarem à espera de verem alguns dos seus membros a apresentarem voluntariamente a demissão ou a assumirem quaisquer responsabilidades.

O mais provável, e virem dizer que a culpa foi do Passos Coelho, e até mesmo do Salazar, esse grande fascista, que não tinha nada que ter mandado construir a ponte.

O que vale é que, agora, se alguma ponte ou edifício cair, temos algo que antes não tínhamos: um presidente que prontamente lá estará a distribuir uns afectos e uns abraços.

Mas como é assim que o povo quer, é assim que o povo tem. Democracia é isto.

A obra pública essencial está de volta

Quem alguma vez pensou que, por uns tempos, o investimento seria carreado para a produção de bens essenciais, bem pode tirar o cavalinho da chuva. Um elevador externo à ponte 25 de Abril já está aprovado. Com 70 metros de altura e lá dentro uma exposição.

É bem de ver que tal obra é fundamental para as nossas vidas e para o enriquecimento de Lisboa.  Então, não é verdade, que basta viajar de comboio na ponte, uma vez para cá e outra vez para lá para se ver tudo o que o elevador nos vai mostrar? Ou mesmo de carro se não for a guiar . Vê-se tudinho . Então do Castelo e dos diversos jardins panorâmicos sobre Lisboa nem se fala.                                                                                                          

Mas também é claro que sem obras públicas fundamentais para a nossa felicidade ninguém goza nada . E já viram o contributo para a taxa do emprego ? Olha, pode ser a solução para o pessoal da construção civil que está a abandonar Angola cheia de petróleo mas que não paga salários. E que deixou de ter dinheiro para pagar a importação de bens essenciais.

Países irmãos na obra pública e no desemprego.

Jorge Coelho 30 - Macedo 1

No seu tempo de ministro, Coelho demitiu-se porque a ponte de Entre-os-Rios ruiu arrastando para a morte cerca de 30 pessoas. Soube-se depois que as bases dos pilares que sustinham a ponte estavam corroídos pela água e pelo desgaste causado pela extracção de areia do rio. Não havia manutenção há muitos anos nem sequer a verificação atempada do estado de fragilidade a que os materiais tinham chegado.

Nessa altura não faltavam subsídios da UE que foram dirigidos para auto-estradas. Não foi por falta de dinheiro que a manutenção da ponte foi negligenciada. Foi mesmo por opção, por cretinice.

Agora estamos confrontados com a questão do medicamento para a hepatite C, ou melhor, com o seu custo. Foi preciso morrer um doente para que a farmacêutica cedesse e acordasse com o governo um preço aceitável para o tratamento de todos os doentes que dele necessitam. ( de todos não só de alguns)

E que conclusões se tiram daqui? É que o doente que morreu de hepatite C foi vítima da austeridade. Ficamos por saber a que se deveu a morte dos 30 viajantes do autocarro que caiu ao rio. Foi por gastar dinheiro a eito sem critério?

 

Atravessem a ponte e agrupem-se em Alcântara

A manifestação da CGTP não é na ponte, é em Alcântara. Qual é a ideia? Fechar o acesso à ponte ?

É óbvio que face às recomendações das entidades de segurança não podia o ministro tomar outra decisão. Não à manifestação na ponte. Os perigos são evidentes e só faltava agora que fosse o Arménio a contradizer quem tem como função precaver desastres públicos. E se algo corresse mal ?

É uma provocação política no âmbito da política sempre seguida pelo PCP "o quanto pior, melhor!" Provocar, destruir a imagem do governo, lançar a ideia que não há autoridade. “O que temos aqui é uma tentativa do Governo de querer impedir o legítimo direito de manifestação. O Governo receia a capacidade de mobilização da CGTP para fazer uma grande manifestação de contestação à política do Governo.” O que impede a CGTP de mostrar a capacidade de mobilização descendo a avenida como fez tantas vezes? Não colhe o argumento. “Nenhuma destas questões (segurança e legalidade) foi até agora contestada, nem pelos promotores”, disse Miguel Macedo aos deputados da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

É, claro , que ninguém contestou. Contestar arrasta responsabilidade. Fica-se pelo barulho para as televisões transmitirem.

O que Arménio quer esconder

Durante muito tempo houve uma batalha de números sempre que havia uma manifestação. Os sindicalistas diziam que teriam sido 300 000 os manifestantes. Depois, na visita do Papa, os mesmos logo disseram que não tinham estado nem 200 000 crentes ( presume-se que não cabiam mais). Até que as fotos tiradas do ar pelos helicópteros e a aritmética confirmaram. Na Praça do Comércio não cabem mais que 150 000 pessoas. ( tem cerca de 36 000 m2 x 4 pessoas/m2 = 144 000 pessoas). Na ponte ( 23 000 m2 x 4 = 92 000 pessoas) . Vá lá 100 000 pessoas.

Isto mostra, sem margem para dúvidas, que aqueles números que nos eram vendidos são pura fantasia.

A maior manifestação de sempre foi a da sociedade civil ( que se lixe a Troika) o que é um problema para sindicatos e partidos. Há. pois, que repor as coisas. Baralhar e dar de novo. Uma ponte cheia de gente, vista cá de baixo dá "no olho". Dá margem para se falar novamente em números paquidérmicos . E a útil discussão pública. Lança a dúvida. É preciso correr riscos? Há um interesse geral superior aos riscos que as pessoas possam correr. Mas já algum estalinista recuou perante tão pequeno problema?

Como é sabido as maratonas no tabuleiro da ponte não reunem mais de 40 000 pessoas. Também não é argumento que se apresente.

 

 


O Arménio não é crente mas isto é um aviso

Aconteceu na Índia como pode acontecer em Portugal. Uma multidão pode ter reacções não previsíveis nem racionais e, uma vez iniciadas, não há como pará-las. Não vale a pena correr riscos, já todos sabemos que as manifestações da CGTP comportam 1/3 do número anunciado pelos sindicalistas pelo que descer a avenida é uma boa decisão.

O pânico foi causado por rumores de um possível colapso da ponte e muitas das vítimas caíram ao rio. Mais de uma centena de mortos e outros tantos feridos e, no entanto, não havia mais que 20 000 pessoas na ponte. Calcule-se o que seria se lá estivessem 150 000...


E se corre mal? Esta simples hipótese não afasta Arménio da ponte?

 

Como não enchem a Praça do Comércio ( nunca encheram e na Praça só lá cabem, no máximo, 120 000 pessoas ) a única forma de continuarem a brindar-nos com os 300 000 manifestantes é juntar o pessoal do lado sul da ponte com o pessoal do lado norte. Vão poder falar no número que quiserem que não há maneira de os desmentir.
É, claro, que uma multidão, mesmo pequena na ponte, é um risco. Mas que interessa a vida das pessoas se em causa está um bem maior ? Vejam o filme sobre a "banalidade do mal" que ajuda a perceber porque é que os riscos de manifestação na ponte não são reconhecidos pelos sindicalistas.
Uma "ideia maior " precisa de gente que não pense que se mova pelas emoções, que perca a noção de consciência do risco . Porque tudo pararia se a questão se colocasse. E se corre mal?
Vê-se bem o que faz correr Arménio!