Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

Então sobre reestruturação da dívida estamos conversados ?

Afinal a proposta apresentada para a reestruturação da dívida pelo BE e PS não propõe nenhum corte, nenhum perdão de dívida. E as razões são fáceis de entender.

Se não pagássemos aos credores internacionais o país ficaria fora dos mercados financeiros durante 20, 30 ou mesmo 40 anos ( veja-se o caso da Argentina).

Se o estado não pagasse, cá dentro, aos bancos e aos restantes credores ( indivíduos e famílias) todos iriam para a falência.

Realmente ficaríamos todos com as pernas a tremer mas não seriam os alemães. A extrema esquerda e os seus populismos em todo o seu esplendor . A montanha  pariu um rato .

E porque é que ninguém teve coragem de se atravessar por uma “reestruturação”, se durante tanto tempo a apregoaram?

Para responder a isso, é preciso perceber quem são hoje os detentores da dívida pública Portuguesa (dados de abril do IGCP). A nossa dívida pública de médio e longo prazo ronda os 240 mil M€ (240 bis). Destes, o setor financeiro (banca e seguros) tem 53 bis; os particulares nacionais (retalho) têm 31 bis; a Segurança Social tem 8 bis e o Banco de Portugal (via QE) tem 20 bis (valores aproximados para todos). Ou seja, os nacionais têm neste momento 112 bis, o que perfaz quase 50% da dívida pública.

A restante dívida está nas mãos do BCE (15 bis, via QE e sobretudo via SMP), no FMI (15 bis), nos instrumentos Europeus (50 bis) e nas mãos de investidores estrangeiros (60 bis).

Ou seja, uma reestruturação que apenas afetasse os investidores estrangeiros colocaria Portugal fora dos mercados financeiros por muito tempo (20, 30 anos, e não só para o Estado, mas também para os bancos, empresas e famílias), com gravíssimos conflitos judiciais (vide Argentina), e reduziria a dívida de 130% do PIB para 100%. Uma reestruturação que afetasse os investidores estrangeiros e nacionais, reduziria a dívida para uns 90%, mas implicaria além do fecho dos mercados internacionais, a falência do setor financeiro nacional. Uma reestruturação que colocasse a dívida pública em 60% do PIB teria de atingir o Banco de Portugal e BCE, colocando em sério risco a permanência de Portugal na zona Euro.

Então sobre reestruturação da dívida estamos conversados ?

O perdão fiscal é só por si uma imensa confissão

Como fizeram outros governos este também vai tentar cobrar mais uns cobres para chegar ao défice. Pois se não há crescimento da economia, os juros estão a crescer, nenhuma reforma, a dívida a crescer só com uns pozinhos de perlimpimpim...

No entanto, mesmo com um défice de 2.4% atingido desta forma, com uma medida extraordinária, Portugal arrisca-se a não cumprir as recomendações do Conselho Europeu – e aí vem novamente a discussão das sanções… Claro que provavelmente isso será desvalorizado como sendo algo irrelevante e “estatístico”. Mas em bom rigor não o é, e implicará um maior esforço (mais “austeridade”) em 2017, a não ser que o governo conte ter um perdão fiscal todos os anos…

Sem perdão fiscal chegar a um défice abaixo de 3% na presente situação é praticamente impossível...

O BCE junta-se ao FMI no alívio da dívida Grega

É caso para dizer que o que tem que ser pode muito. E que o Syriza começa a vislumbrar uma vitória até agora improvável. O alívio da dívida grega começa a ser consensual. O perdão puro e simples não parece ter pernas para andar mas prolongar os prazos, com um período de carência de 30 anos, pode ser que obtenha acordo generalizado. Até porque a Grécia não consegue mesmo pagar de outra forma apesar de as suas taxas de juro médias serem inferiores às de Portugal. 

O BCE também adianta que a Grécia pode beneficiar do Quantative Easing ( compra de dívida) tal como todos os outros parceiros.

Não é controverso o facto de que um alívio da dívida é necessário, e acho que ninguém contesta isso. A questão é qual é a melhor forma de o fazer dentro da nossa moldura institucional”, referiu o italiano na habitual conferência de imprensa mensal após a reunião de Conselho de Governadores. “Acho que nos devíamos focar neste ponto nas próximas semanas”.

A União Europeia vai ter que mudar . A saída da Grécia ou de qualquer outro membro não é solução.

 

 

Syriza promete o impossível

Perdoar a dívida à Grécia. Pode ser uma forma de pressão tão perto das eleições mas , finlandeses e espanhóis, não o fazem por menos. Impossível. Não podem andar a impor austeridade aos seus cidadãos e perdoar a dívida aos gregos. E há eleições em Abril na Finlândia.

Tsipras escreveu recentemente um artigo de opinião no The Guardian onde defendia que "a maior parte do valor nominal da dívida pública tem de ser anulada, tem de ser imposta uma moratória sobre o reembolso da dívida remanescente e uma cláusula que associe o serviço dessa dívida à taxa de crescimento, de modo a que se possam usar os recursos assim poupados em medidas de estímulo do crescimento". "Nós reclamamos condições de reembolso que não levem o país a sufocar em recessão e as pessoas ao desespero e à pobreza", concluía Tsipras.

É claro que não estão a falar da mesma coisa, há muita política, margens de manobra. As eleições gregas não irão alterar a realidade. A Grécia terá de prosseguir as reformas económicas para retomar o crescimento. E se o fizer pode contar com a solidariedade europeia? Claro que sim, ninguém quer a Grécia fora do Euro.

Não é possível sair do euro sem quebrar a zona euro por completo. Seria passar de um sistema de moeda única para um de taxas de câmbio fixo, como tivemos na década de noventa”, explicou. “Somos contra a depreciação das condições de vida da maioria das pessoas e uma depreciação monetária seria equivalente a aplicar um plano de austeridade”, acrescentou.

 

Quanto vale o que pede a Grécia ?

A dívida da Grécia chega  vale hoje quase 317 mil milhões de euros. E cerca de 90% desse valor está nas mãos dos países europeus, já que, depois das perdas sofridas com o ‘haircut' de 2012, a grande maioria dos investidores privados se desfez dos títulos helénicos. O plano do Syriza envolve, assim, o perdão de cerca de 158,5 mil milhões de euros, implicando perdas para os governos europeus que podem ir de entre 127 a 143 mil milhões de euros.

As perdas avultadas a que os governos seriam sujeitos são um dos maiores obstáculos a que países que, como a Alemanha, aceitem sentar-se com Atenas a negociar uma reestruturação. E representam também um dos motivos pelos quais Berlim faz campanha a todo o custo contra o Syriza, voltando a invocar o fantasma da saída do euro.

Diferenças com o rabo de fora

O IFO - instituto Alemão- vem propor o perdão da dívida para os países do sul, à semelhança do que se fez em 1997 para os países da Ásia. A iniciativa vem de dentro da própria Alemanha e de um instituto altamente reputado. Agora atentem no proposto por quatro economistas portugueses. Banca controlada pelo estado o que, parece completamente inviável no quadro da UE.

Uma terceira e que me parece a mais equilibrada e isenta de ideologias é a que propõe que o BCE compre metade da dívida que será paga com os dividendos a que cada país tem direito como accionista. Nesta proposta não se tramavam os credores.

A boa notícia é que há cada vez mais vozes em defesa da reestruturação da dívida como forma de dar folga para o relançamento da economia. Um período de carência a começar já em 2015 libertaria meios para o investimento o que alavancava a economia e combatia com eficácia o desemprego. Mas é claro que para se discutir agora estas soluções foi preciso chegar aqui. Grande parte do trabalho de casa está feito.

Sem perdão

Assim estamos mais descansados embora não muito, porque o que se diz hoje amanhã pode não ser a mesma coisa.  "A posição do PS é clara, transparente e límpida: Defende uma renegociação da dívida e não defende em circunstância alguma um corte ou um perdão de dívida", respondeu o dirigente do PS. Eurico Brilhante Dias especificou que o PS "defende a renegociação da dívida", designadamente ao nível de "maturidades, juros e eventuais moratórias". "O PS não defende um 'hair cut' nem um perdão de dívida", frisou. Como sempre foi evidente pedir  o perdão da dívida não teria perdão.