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BandaLarga

as autoestradas da informação

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É mesmo necessário comer um abacate que vem do Perú?

A pegada ecológica dos alimentos. Em Portugal há fruta boa de várias espécies mas andamos a comer abacate do Perú e manga do Brasil. Pior, uvas do Chile e laranjas de Espanha.

Perguntei a uma funcionária de um super mercado porque é que a fruta que vendiam era toda do estrangeiro. Respondeu-me que a nossa é melhor e que, por isso, se vende mais cara lá fora ficando nós com a pior.

É verdade que nos últimos anos se vê o aumento significativo da produção nacional da fruta e dos verdes em geral.Azeitona, uva, amêndoa, cereja, maças, peras( que exportamos fortemente)laranja do Algarve, pêssego (até na Beira Baixa)...

O que é de rir é que nos primeiros tempos da democracia o governo adjudicou ao famoso Peter Druker ( professor e economista) um estudo para identificar os clusteres que devíamos desenvolver. Quase quarenta anos depois estamos a seguir os seus conselhos.

E a cortiça, a madeira, os têxteis, o calçado...sectores onde Portugal sempre teve Know how. Antes tarde do que nunca.

E turismo, mar, aquacultura...

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O meu presépio

 
por Luis Moreira, em 23.12.11
 

Estávamos os três em casa, eu e os meus irmãos mais novos, estavam à minha conta embora eu só tivesse para aí uns seis ou sete anos. Tínhamos um quintal de onde só saímos quando o meu pai chegava a casa, encostado a um pinhal ali entre Óbidos e Caldas da Rainha. O musgo estava ali à mão e as figurinhas do presépio coleccionava-as eu nos desperdícios que as fábricas de porcelana deitavam fora.

Só faltava a boa vontade de um adulto para iniciar o mais belo presépio de sempre. E havia um jovem adulto deficiente que andava por ali e que me ajudou a fazer uma cabana, e um rio com a prata dos maços de tabaco, e um lago com água que corria de uma mangueira e os rebanhos com as ovelhas a que a todas faltava alguma coisa ( uma orelha, uma perna...) e, o jovem foi dizer à mãe que foi lá ver e que trouxe rabanadas e filhós, e os vizinhos foram ver um presépio no quintal, sempre os presépios tinham sido feitos dentro de casa e aquele cresceu à largura do quintal com muito musgo, ramos de pinheiro e pedras. As pessoas chegavam e juntavam mais alguma coisa e o presépio passou a ser de todos, com fogueira  e bolos feitos em casa e apareceu o vinho do Porto...

O meu pai percebeu e aderiu, ele que era boa pessoa mas andava de mal com a vida, abriu as portas do quintal e da casa e a mesa foi farta coisa que a maioria dos meus vizinhos raramente ou nunca tinha.

Cantaram-se hossanas e saltou-se à fogueira no meu único presépio. Tornei a ter mais um presépio na noite em que nasceu o meu filho e outro quando nasceram as minhas netas! E, desde que tenho uma família e uma casa minha nunca falta a árvore de Natal! Nos quartos alugados de estudante/trabalhador nunca houve espaço!

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