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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A gravata de Louçã

Para Louçã há corruptos à esquerda e à direita mas uns são mais corruptos do que outros. Os da sua área política são menos corruptos. Vai-se a ver e Louçã ao longo dos anos reage conforme são dos seus ou são da direita. Agora até aconselha calma em relação aos Espírito Santo. E ao que se passa no Brasil deita água benta. O mesmo Louçã que açoitou Dias Loureiro, Relvas, Cavaco Silva, Paulo Portas e Passos Coelho

Em relação aos Papéis do Panamá nem uma palavra para os comunistas e neo-comunistas que por lá aparecem ao lado de barões da droga. Que havia capitalistas nas off shores já sabíamos agora que a classe dirigente comunista mundial lá esteja a esconder dinheiro sujo é que é uma surpresa de arromba.

O poder estraga os políticos e a gravata de Louçã é disso prova. Os sistemas políticos não mudam a natureza humana ao contrário do que Louçã pensa. Para os suspeitos da sua área política temos um Louçã institucionalista para os suspeitos da direita temos um Louçã revolucionário.

Mas Louçã sabe que são iguais com ou sem gravata .

 

Nós não vamos mudar a Rússia mas podemos mudar o Panamá

A questão dos Papéis do Panamá não terá nenhum efeito nos países totalitários onde não há liberdade de imprensa. Na Rússia, na China, em Angola...não é possível mudar mas é possível fazer alguma coisa no resto do mundo onde há liberdade. É também a opinião de um ex-ministro soviético :

“Eu fiz isto para ser visto pelo senhor [David] Cameron. Porque nós não vamos mudar Putin ou a Rússia. Nunca vamos conseguir mudar uma cleptocracia, já perdi essa esperança há muito tempo”, garante. “Mas, no resto do mundo, podemos pelo menos tentar fazer alguma coisa. Dá para mudar as leis do Reino Unido e passar a obrigar os offshores que tenham propriedade cá a divulgar as listas de ativos todas e os nomes que estão por detrás. Se isso acontecer, não vão poder esconder o dinheiro.”

Eu sei como esta gente trabalha. Eu já trabalhei com esta gente, fui banqueiro e capitalista na Rússia durante tempo suficiente para perceber como eles são. Por cada meia-medida que o Governo tomar, eles vão arranjar várias para dar a volta ao sistema. Portanto, a única maneira é haver uma divulgação total de dados.”

Logo vamos saber quem são os portugueses que andam aos papéis

Não esteja nervoso. Vai ver que terá uma boa explicação para o seu nome estar na lista. Desde logo diga que é mentira ou que está a ser perseguido pelo imperialismo americano. A elite chinesa - os amigos dos trabalhadores - está lá toda tal como os amigos de Putin. Não podia ter melhor companhia.

Os tesouros da arte, há muito desaparecidos, também estão lá. Hoje soube-se que um famoso quadro que vale milhões é propriedade de quem há muito se desconfiava. É claro que os papéis são mesmo autênticos. Como é que lá foi parar um quadro famoso há muito desaparecido?

É um consolo saber que os milionários, as elites - capitalistas, socialistas e comunistas - se preocupam em manter bem seguros e longe da populaça o dinheiro e a arte. E a cultura. Olhem para o nosso ex-ministro . Como é que se pode cuidar da cultura com um ministro que anda a distribuir porrada ? Não pode.

Não esteja nervoso.

A elite comunista mundial aos papéis no Panamá

Já aí corre que são os Estados Unidos que estão a financiar os jornalistas que investigam os Papéis do Panamá. A dúvida está a instalar-se pela mão dos comunistas e bloquistas. Pudera, que os capitalistas lá escondem dinheiro não é surpresa para ninguém mas as virgens comunistas? Pode lá ser !

Colocando assim a questão só os comunistas têm a perder  e vá de instalar a suspeição . O importante deixa de ser a investigação e o que divulga publicamente e passa a ser a mão atrás do arbusto ( ou a mão que embala o berço). Mais importante que a verdade é manter fora de dúvidas a superioridade moral das elites comunistas. Para isso nada melhor que denunciar o imperialismo americano.

Paralelamente, os actos terroristas na Europa, e as guerras nos países muçulmanos, devem-se à indústria de armamento dos US que precisa de vender armas. Boa notícia, é fácil acabar com a guerra, basta acabar com a indústria de armamento.

  

 

Os dias de esconder dinheiro acabaram ?

O mundo agita-se com os papéis do Panamá. Vários países já anunciaram investigações, processos e revisão dos procedimentos. Os dias de esconder dinheiro acabaram ?

Que poderão dizer as autoridades que tornam possível a existência de off shores se não que tudo vai mudar ? Mas há que atentar que até um dos donos da empresa de advogados do Panamá que está na origem do escândalo já veio dizer que nas praças financeiras de Londres e Frankfurt há mais dinheiro sujo que no Panamá.

O problema é que nestas coisas do dinheiro temos a raposa a guardar o galinheiro como se vê nos inúmeros dirigentes mundiais envolvidos, e assim é difícil.

Desde 1977, são 39 anos de informação acumulada que revela “como uma indústria global de escritórios de advogados e grandes bancos vende o sigilo financeiro a caloteiros e traficantes de droga, assim como a bilionários, celebridades e estrelas do desporto”.

Os que agora reagem como virgens ofendidas ou estão envolvidos ou conheciam o esquema.

O estado social está a dar lugar ao estado fiscal

Há que fazer a diferença entre quem tenta pagar menos impostos e quem tenta esconder dinheiro ilícito. Entre Messi e um barão da droga. Entre políticos que desviam dinheiro público e empresários que fogem à dupla tributação.

Para se acabar com os off shores é necessário os estados perceberem que há limites na arrecadação de impostos. Há exemplos bem recentes como a Irlanda que baixou o nível de taxação e assim relançou a economia para dois dígitos.

Mas os papéis do Panamá são uma oportunidade para fazer a limpeza que se impõe. Isso faz-se globalmente, com os estados a entenderem-se e a cooperarem. Se não o fizerem haverá sempre um Panamá.

E a origem do dinheiro, desde países ditos socialistas até aos países capitalistas, mostra bem que a natureza humana não muda com sistemas políticos. Reis e Rainhas, chefes de estado democráticos, barões da droga, oligarcas que se eternizam no poder, a leste e a sul , estão todos representados.

Há uma versão muito nossa dos papéis do Panamá

Papéis do Panamá :  1,5 mil milhões de euros. Este será o valor de que terão beneficiado os amigos de Vladmir Putin a partir do esquema de corrupção revelado pelos “Panama Papers”. Apesar de o nome do presidente russo não aparecer nos registos divulgados, os dados revelam o enriquecimento ilícito de várias pessoas próximas de Putin.

É o caso de Sergei Roldugin, responsável por apresentar ao presidente russo a sua mulher, Lyudmila, além de ser o padrinho da sua filha mais velha, Maria.

Esta narrativa é em tudo semelhante à narrativa que Sócrates sustenta para explicar os seus gastos faustosos. Bem dizia o meu saudoso pai . Quem tem amigos não morre na prisão.

A Democracia trouxe os papéis do Panamá à luz do dia

Só uma sociedade civil livre e a exercer os direitos que lhe são reconhecidos em estados de direito é que é possível que um consórcio de jornalistas investigue e traga à luz do dia os papéis do Panamá. Mais tarde ou mais cedo a liberdade encontra formas de atacar o crime e a corrupção e vencê-los. E esta é a mais importante conclusão que se pode tirar desta investigação.

Não por acaso, entre os milhares de criminosos encontram-se poderosos de países onde não há liberdade. E também não por acaso nesses países, a que alguns cantam loas, não há limpezas destas . Nada ficará como dantes.

É que no Panamá há uma certa empresa, a Mossack Fonseca, que faz do seu ramo de negócios abrir outras empresas. O azar é ela ter sido agora alvo da maior fuga de documentos da história do jornalismo.

Também há países ocidentais, é claro, representados neste furo coordenado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

A dimensão é extraordinária: se nos Luxleaks, que nos revelaram como algumas multinacionais fogem ao impostos através de acordos privilegiados com o Luxemburgo, tínhamos um monte de informação, aqui não temos uma montanha, mas uma cordilheira. São mais de 200 mil as empresas fictícias cuja documentação é revelada.

E não se espere que os Estados acabem com estas práticas. É necessário que a sociedade civil apoie a Justiça a levar até às ultimas consequências todo o processo. E meter os poderosos na prisão.