Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

Um orçamento de esmolas e que não apoia as empresas

Um orçamento que quer ir a todas mas que não consegue estabelecer prioridades. Distribui esmolas e não apoia as empresas.

 O "Orçamento é mau", se "não combate o desemprego", se "não apoia as empresas", "distribui o que tem e o que não tem", se não dá sinais de recuperação à classe média, se "tem défice de transparência", se "pré-anuncia um Orçamento Retificativo" e, ainda para mais, "se o PSD não serve nem para evitar uma crise política", a decisão a tomar é óbvia: entrega a chave do entendimento a Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa.

"Se o primeiro-ministro diz "É de outra maneira", estamos livres; estamos livres para votar contra um OE que se esforça por agradar ideologicamente ao PCP e ao BE, que esquece o futuro e que manifestamente não é um OE que visa a recuperação económica de Portugal."

António Costa de cócoras perante as exigências de BE e PCP. E não, este não é o caminho como se viu nos últimos vinte anos. Se a economia não cresce os problemas não se resolvem.

Um orçamento poucochinho

Até aqui ainda havia um horizonte. Reverter rendimentos, poucochinho, mas era alguma coisa. Agora não há nada. Esperar que a pandemia se vá e que o dinheiro de Bruxelas chegue, é quase nada.

E é assim que este Orçamento fica conhecido não pelo que lá está, mas pelo que não está lá. Pelo vazio total. Não há um caminho, um projeto, uma estratégia. Em 2016, o PS tinha uma ideia, a de devolução de rendimentos, para 2021 temos um deserto. Além das tentativas de tapar os enormes furos na economia com pastilha elástica, não sabemos o que quer para o país, como vamos crescer ou dar a volta à crise. Este OE parece colocar o país em stand by por mais uns meses até a crise de saúde passar ou chegarem os milhões da Europa. Podemos usar a incerteza da crise pandémica como desculpa. Podemos. E também podemos ficar sentados, fechar os olhos e fazer figas para que tudo se resolva. Podemos. Mas não deixa de ser muito poucochinho, o que multiplicado por zero continua sempre a ser zero.

É a economia estúpidos

A economia há 20 anos que não cresce e é por isso que a dívida não desce, as listas dos hospitais não diminuem e os prazos na Justiça não melhoram entre outros serviços públicos que funcionam mal.. É a economia estúpidos.

E o aumento dos salários é de 10 euros e o aumento das pensões é de 14 euros.É a economia estúpidos.

É um orçamento sem política económica. É a decepção deste OE. O grande buraco é a economia e são as empresas. Não há aposta na capitalização das empresas, no fomento das exportações, na competitividade empresarial. Não há o que é estruturante e que cria riqueza. Não sei se Siza Vieira tem tanto peso político como dizem. A verdade é que o Ministro da Economia está completamente ausente deste orçamento. O que é mau.

É um OE sem solidariedade regional. Madeira e Açores tiveram de contrair empréstimos para financiarem os custos da pandemia nas Regiões. Precisavam do aval do Estado. O Estado faltou com a sua solidariedade. Inadmissível.

É a economia estúpidos. A falta dela.

121890684_10224466251868476_406491965710998978_n.j

 

Cheira a 2010

Carlos Guimarães Pinto 

Este Orçamento do Estado tem a mesma aparência. Em 2021 o PIB estará, na melhor das hipóteses, ao nível de 2018. No entanto, a despesa com pessoal das Administrações públicas já terá crescido mais de 10%. Enquanto o resto do país estará com um rendimento abaixo de 2018, a Administração Pública estará a gastar mais 10%, um crescimento robusto em 3 anos, digno de um país com taxas de crescimento económico elevadas. Com tudo isto, ainda sobra para termos o maior governo de sempre e enfiar mais 500 milhões de euros na TAP em cima dos 1200 milhões de 2020.

Não se pode dizer que o PS não esteja a fazer o que se espera dele: proteger a máquina do estado e aqueles de dela dependem. Tem sido a receita para ganhar eleições há 25 anos. Veremos quanto tempo mais os outros, aqueles que pagam a conta ano após ano, continuarão a aguentar. Há 10 anos quando fiz esta pergunta não esperaria que a resposta viesse tão cedo. Esperemos que desta vez seja diferente, até porque o Vítor Gaspar já não vai para novo.

BE : sem olhar a meios e sem escrúpulos

Já se percebeu que o orçamento vai passar porque o interesse nacional assim o exige pese as egoístas linhas vermelhas apresentadas pelo BE.

O OE será, essencialmente, do agrado do Governo com o apoio (porventura abstencionista) do BE. Se assim não fosse, seria o PSD a abster-se (se é que o não fará).

E aqui está o egoísmo do Bloco. Como eles próprios dizem, as suas posições são justas e não querem abdicar delas. Ou seja, qualquer ideia de negociação é colocada como um exercício dos outros em relação a eles. É o cúmulo do egoísmo político não ver nunca os interesses mais alargados do país, dos outros eleitorados, dos 90% que não votam Bloco (que recolheu 9,52% nas urnas, em 2019), para se centrar nas suas causas que, por esta via, conseguem uma sobrerepresentação e uma sobrestimação incalculáveis.

A diferença entre esses radicais e as pessoas moderadas, é que estas preferem que haja Orçamento mesmo fazendo algumas vontades ao Bloco, ao passo que o Bloco se fecha numa concha de egoísmo e de falsa autoridade.

O BE diz de si próprio que não acrescenta nada ao orçamento

O BE não se importa nada que o governo não aceite as suas exigências e, com isso, não apoiar o orçamento. O governo que governe por duodécimos.

Não é por acaso que Marcelo pressiona o PSD para apoiar o orçamento, o problema existe. PCP e BE apoiaram o governo de António Costa porque havia alguma margem para reverter rendimentos. Em plena crise acabou a margem, há decisões difíceis, já nada vale a pena. Não é bonito e o interesse nacional fica para trás.

Mas o problema da extrema esquerda é que não apoiando o orçamento pode ser acusada de muito do mal que aí vem . Daí a ideia de executar o orçamento por duodécimos caso as negociações não cheguem a bom porto. Como quem diz, não há razão para uma crise política.

Quem se mete com o PS, leva.

No orçamento o BE e o PCP dão as ideias gerais

Já os pormenores, como arranjar dinheiro, são para o governo. E como a riqueza não cresce, a carga fiscal é elevadíssima e os subsídios europeus não podem ser  enterrados outra vez em despesa, lá se vai o défice ( que neste semestre já se foi) e o correspondente aumento da dívida.

É o caderno de encargos da esquerda para uma nova geringonça que o PCP não quer ( não está agendado) e que o BE, apesar do ruído, vai ter que engolir. O Presidente já veio dizer para não contarem com ele para crises políticas a juntar às crises sanitária e económica.

É claro, que Rio também já veio dizer que o orçamento é da responsabilidade da esquerda ( o PS nunca mais vai precisar da direita para governar, lembram-se?) não há que enganar, o orçamento não tem margem para tentações por muito ruído que se faça e por muito preenchida que esteja a agenda.

As ideias gerais dão para tudo o pior é quando se chega aos pormenores. É preciso fazer contas.

É justo que a geringonça governe em plena crise e em austeridade

A União Europeia vai lançar novos impostos ambientais e sobre o digital

A Comissão Europeia e os países da UE decidirão em conjunto a alocação das verbas europeias segundo as regras orçamentais europeias

Ursula von der Leyen diz estar confiante nesta proposta, porque, assentando no orçamento comunitário, “é um conceito completamente novo e um passo em frente”.

Ursula von der Leyen lembra ainda que os estados-membros não vão poder fazer o que lhes apetece às verbas atribuídas, tendo em conta que há uma ligação ao Semestre Europeu — em que os governos alinham políticas económicas e orçamentais com as regras europeias. Como os países têm de “apresentar planos de recuperação”, a presidente da Comissão diz estar confiante de que serão executadas as políticas comuns.

Mais: a alocação de dinheiro aos estados-membros, através desses planos de recuperação, “vão ser decididos em conjunto com um grupo de trabalho do Conselho Europeu”.

E como é que vai ser paga a dívida gerada? A presidente da Comissão adiantou que, entre as opções disponíveis para pagar os empréstimos, prefere “aumentar os recursos próprios” da UE. Estão em causa um novo imposto digital e novos impostos ambientais. “Creio que é do interesse comum na UE criar novos recursos próprios de uma forma que nos permita devolver o dinheiro de forma estável”.

Outra possibilidade passa por devolver o dinheiro através do orçamento comunitário ao longo das próximas quatro décadas, aproximadamente.

O Estado mete o dinheiro nas empresas "certas "

As mesmas de sempre que se sentam à mesa do Orçamento.

Vista que está a forma como o Estado onera as empresas socorrendo-se delas para exercer o seu papel “protector” analisemos agora como o Estado “conserta” o problema que inflige a todas as empresas com o nobre intuito de relançar a economia. Começa aqui a nova ficção que mais não é do que a reedição dos programas financeiros de apoio ao investimento e quejandos. Isto é dinheiro para alguns mascarado de critérios de selecção de sectores, tipologias, pareceres, diagnósticos, etc., com uma finalidade única: a de canalizar dinheiro para as empresas “certas”, normalmente aquelas que já deveriam ter desaparecido há muito tempo, se não estivessem na rota “certa” da ajuda do Estado, acompanhadas pelos peritos “certos” que por sua vez aceitam os incentivos “certos” para que o nobre propósito de desperdício de dinheiros públicos se mantenha no nível “certo”.