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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Voando sobre um ninho de cucos

A pandemia destapou a miséria que existe nos lares para idosos. Melhor mesmo é dizer que nunca ninguém leu os relatórios até porque tenho sérias dúvidas que alguém alguma vez se tenha interessado .

Os idosos são depositados em caixotes com as condições segundo as possibilidades económicas próprias ou da família. Ora, sendo Portugal um país com 20% de pobreza e com baixas pensões dificilmente os lares poderiam ser muito diferentes do que são.

É difícil perceber a surpresa hipócrita quando todos ou quase todos temos um familiar ou alguém próximo esquecido num lar. Como se um país pobre, cheio de dívidas que há vinte anos não consegue reduzir a faixa de pobreza pudesse fazer muito melhor.

Repugnante é esta miséria escondida e envergonhada dos que não têm voz, a quem não chegam nunca os subsídios europeus nem a distribuição aos mesmos de sempre. Chega aos que marcham rua abaixo, indignados com o mal estar dos animais, dos subsídios dependentes e das minorias sempre em festa.

Com os idosos já não se sabe bem se são assim por serem idosos ou se são assim porque não contam em eleições. O que sabemos agora é que nunca ninguém teve coragem de lhes dar voz . Os vírus têm disto, não são politicamente correctos.

É a lista de espera na Saúde onde só estão doentes pobres ; são as más escolas públicas onde só estão alunos pobres ; os processos na Justiça que exigem muito dinheiro que os pobres não têm; as miseráveis pensões; o salário mínimo que é mesmo mínimo...

É, claro, que ninguém tem culpa como é habitual nos governos do PS.

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O SOM DE UM NINHO VAZIO

 

para os meus discípulos de Etnopsicologia da Infância…. E para Madalena e Pierre…

 

Devo confessar que a frase do título não é minha. Antes fosse. É a frase de Mac Kinsey ou Clare McMillan, a mulher do Biólogo, Entomólogo e Sexólogo, o Professor Doutor Alfred Kinsey, o autor do denominado Relatório Kinsey, sobre a sexualidade da vida adulta e das crianças, escrito após reparar que nos anos 60 do Século XX nos Estados Unidos, as pessoas nada sabia sobre a vida sexual. É verdade que os meus Santos Padroeiros, Freud, Klein e Bion, tinham referido consequências e sequelas da vida sexual entre membros da sociedade ocidental, mas como doenças e problemas. Alfred Kinsey e Clare MacMillan organizam um Instituto de pesquisa sobre os mitos, os desejos, o imaginário da vida sexual entre adultos. A frase de Clare MacMillan, é, antes, a frase de uma mãe, que também refere que as crianças crescem num instante e o ninho ou o lar fica vazio. Vazio da responsabilidade de tomar conta de seres a explorarem o mundo, a entender a relação amorosa, a emotividade e os sentimentos eróticos, que sentem mas não sabem que é procura de uma outra pessoa para amar, tocar, se esfregar, ter um compromisso. Clare entendia o seu dever emotivo, o seu marido, entendia de estatísticas, de como medir o saber de seres humanos sobre a sua reprodução, sem falar de amor: o amor não pode ser medido, donde, não é sujeito de pesquisa científica.

A sexualidade não era falada, não era explícita, não era conhecida. Se os mais novos brincavam à masturbação, a ética ripostava que causava doença, sem saber que o prazer erótico solitário faz parte da vida de qualquer ser humano desde que nasce até a sua morte. A masturbação é parte da vida e é melhor falar que punir ou impingir medos. É tão verdade essa naturalidade, que até o Catecismo da Igreja Católica o retirou do seu texto. Outros, nem falam do facto. Era Clare MacMillan ou Kinsey, a mãe interessada em dar noções de erotismo à sua ninhada, enquanto o pai, à sociedade tout court. Motivo da sua frase, comentada a um discípulo e amante do seu marido, um rapaz de 20 anos ou mais, mais tarde também o seu amante. Histórias do arco-da-velha Apenas um exemplo do que Kinsey descobre, e prova, com a sua equipa, acontece entre todos os membros da vida social. A relação sexual nem dá vergonha nem é pecaminosa, não entontece nem faz adoecer os seres humanos. A heterossexualidade, a homossexualidade, a bigamia, hétero ou homo, a bissexualidade, o amar outros enquanto se tem assumido um compromisso com um, como acontece no Ocidente, fazem parte da interação social, fazem parte da nossa civilização, apenas que não se diz, não se fala. O adultério é de espécies, ou, por outras palavras, há o clássico, já referido, há o de um homem casado e o seu amigo, há o adultério múltiplo, há o adultério de apenas uma hora, para libertar desejo ao se gostar de alguém ou se sentir seduzido ou gostar de seduzir. (1) A mudança de preferência sexual ao longo da vida, é um facto sabido, hoje em dia, mais do que provado e que acontece de forma múltipla. E, no entanto, parte do prazer, é não dizer, o segredo da relação que penetra o corpo e a emoção.

O som de um ninho vazio, é a falta de seres humanos não apenas para educar, bem como para falar de forma aberta e sem vergonha, sobre a preferência sexual, que, as vezes, passa não só pelos atributos eróticos das pessoas, bem como pelas posses para gozar e partilhar. Como os jogos amorosos, prévios, durante, depois, da intimidade da penetração de um ser humano dentro de outro. A penetração com emotividade, acabam por causar prazer e objetivos de vida, dizem Kinsey e a sua mulher.

E mais nada. Um tema tão difícil em apenas poucas palavras, apenas permite sugerir aos adultos serem abertos no erotismo, como nos outros assuntos da vida.

Parede, 22 de Setembro de 2013.

 

 

Nota:

 

Para saber mais, consultar a página web: http://en.wikipedia.org/wiki/Alfred_Kinsey, ou o filme de 2004 de Francis Ford Copolla, 2005: O Relatório Kinsey, DVD LNC,USA.

 

 

 

Retirado da Edição N.º 155Ano 15, Abril 2006 , Página da Educação da minha autoria, com a colaboração de Ana Paula Vieira da Silva

Autoria: Raúl Iturra
Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Lisboa
Ana Paula Vieira da Silva

22 de Setembro de 2013

lautaro@netcabo.pt