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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Sobre a minha morte decido eu

Carlos Paz

10 h ·
 

Sobre a minha morte, decido eu!

O debate político-social que começa agora a manifestar-se na sociedade portuguesa sobre a morte medicamente assistida, vai seguramente radicalizar posições.

Vão-se dizer imensos disparates políticos, ao sabor de sondagens e de estudos de opinião.

Vão-se dizer imensos disparates técnicos, para disfarçar posições meramente culturais, religiosas ou individuais.

Vão-se dizer imensos disparates jurídicos, pagos a preço de ouro, sustentando, simultaneamente, tudo e o seu contrário.

Diga-se o que se disser: sobre a minha morte, decido eu!

No dia em que sentir que o somatório das alegrias que ainda deixo aos que me rodeiam for inferior ao somatório das mágoas que os faço sentir, é o dia em que eu decido.

E, nesse momento:
- Não autorizo qualquer político oportunista a decidir por mim;
- Não autorizo qualquer religioso fundamentalista a decidir por mim;
- Não autorizo qualquer jurista vendedor de pareceres a decidir por mim;
- Não autorizo qualquer técnico, por mais credenciado que seja, a decidir por mim.

***

Repito: no dia em que sentir que o somatório das alegrias que ainda deixo aos que me rodeiam for inferior ao somatório das mágoas que os faço sentir, é o dia em que eu decido.

E, nesse dia, não permito que qualquer autoridade impeça a minha dignidade:

- Sobre a minha morte, decido eu!

Carlos Paz

PS : é o direito à liberdade de escolha que nesta matéria como em muitas outras, está em discussão . O resto é tentar limitar a liberdade individual

A geringonça morreu hoje que a terra lhe seja pesada

A solidez da "solução conjunta" que governa o país nunca foi nenhuma e regeu-se sempre por razões partidárias e instrumentais e não por razões estratégicas e nacionais. Mete dó ver o PS com as calças na mão perante os extremistas com quem se coligou a pedir ao PSD para "ter sentido de estado" e não se juntar aos seus apoiantes.

O orçamento em discussão passou a certidão de óbito à geringonça após as autárquicas terem feito a autópsia e a União Europeia ter dado o cheque mate.

Isto, apesar de António Costa andar a cantar ossanas ao crescimento maior do século, ao défice menor dos últimos dez anos e ao menor desemprego .O primeiro ministro há muito que anda a dar "beijos da vida" a comunistas e bloquistas para tentar salvar a solução conjunta. Que nunca esteve viva e sempre passou a ideia de estar nos "cuidados continuados".

Como sempre se soube, para quem quer saber, comunistas e bloquistas não estão interessados num Portugal europeu, democrático e livre. Estão interessados no comunismo e vêem na União Europeia o seu grande inimigo.

Nunca esperei outra coisa, mais tarde ou mais cedo o que está a acontecer hoje na Assembleia da República só surpreende por ser tão cedo, ao fim de apenas dois anos, metade da legislatura.

Falta agora juntarem-se dois a dois, longe das vistas da população e separarem-se "de papel passado".

Leonard Cohen - a derrota que chega a todos

Deu-se como preparado para morrer " aceitando tranquilo a derrota que chega a todos." Ficam as canções e  os poemas .

 

 

Lyrics

Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Oh, let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love

Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Written by Leonard Cohen • Copyright © Sony/ATV Music Publishing

Trabalhar no fio da navalha

Os dois agentes da GNR nem tiveram tempo de disparar as suas armas. Um morreu e o outro está em estado muito grave em consequência de tiros à queima roupa. Na cabeça.

Muito se fala nas frequentes mortes de cidadãos americanos por agentes da polícia. Lá dispara-se primeiro e pergunta-se depois. É o resultado da venda livre de armas.  Os agentes policiais sabem que é muito provável que o suspeito esteja armado e, por isso, as acções policiais de urgência são executadas no fio da navalha. Mata quem dispara primeiro.

Por cá há aquelas circunstancias que levam os agentes à prisão, como o caso do agente que disparou sobre um carro em fuga e matou uma criança que o pai levou para a cena do assalto.

Morrer ou ir para a prisão é esta a escolha ?

Os assassinatos desta madrugada deviam ser objecto de uma profunda análise. De um e outro lado estão seres humanos mas a Lei só está de um lado e não pode dar mais garantias aos suspeitos do que às autoridades. Os agentes policiais não podem morrer porque a Lei os obriga a disparar depois.

 

A morte de S. José vista por um médico

Se o hospital não dispunha de recursos devia ter tentado mobilizá-los. Se o doente não podia ser deslocado, talvez a equipa de prevenção a outro hospital, público ou privado, o pudesse fazer, fosse ela de Lisboa ou do Porto: é para isso que existem helicópteros (do INEM, da Força Aérea). Se isso não fosse possível, havia que tentar contactar colegas. Quem trabalha nos hospitais sabe como isso se faz e sabe que funciona. Eu mesmo guardo a história de uma cirurgia assim que só foi feita porque quem a podia fazer foi contactado, in extremis, no aeroporto de Lisboa quando se preparava para embarcar. E desistiu do voo e voltou ao hospital para operar. Sim, podia acontecer que nada disto resultasse. Mas era legítimo esperar que tivesse sido, pelo menos, tentado. Em vez disso, esperou-se por segunda-feira.

Estes candidatos a presidente são tão fraquinhos...

Doente de 91 anos morreu nove minutos depois de ter entrado no hospital

É, claro, que morreu nas urgências. Após uma queda que causou traumatismos e sendo um doente com diversa patologia acabou por morrer nove minutos depois de ter entrado no hospital. Não acontece só nos meses de inverno acontece durante todo o ano.

O ministro da Saúde afirmou hoje que o doente que morreu nas urgências do hospital São Francisco Xavier foi atendido nove minutos depois de entrar na unidade e alertou para o "alarmismo" e "falsidade" na análise das mortes nas urgências.

"Recebi há bocado uma nota do hospital de São Francisco Xavier [em Lisboa], relativamente a um óbito na urgência, de que a pessoa tinha 92 anos, tinha multipatologia e foi atendida nove minutos depois de ter entrado e esteve a ser sequencialmente seguida", declarou aos jornalistas Paulo Macedo, em Leiria.

A Plataforma de apoio ao SNS já deve estar de bandeira ao ombro à porta do Ministério

 

É nos hospitais onde mais se morre

Especialmente nas urgências. E principalmente quando se tem 89 anos. Sempre foi assim e sempre será. E nas alturas do ano em que as condições atmosféricas são mais exigentes. O fluxo anormal de doentes faz o resto.

Ontem, no FB, apanhei a revolta do filho desta senhora que morreu no HGO. A mãe estava com uma mascara de oxigénio por apresentar dificuldades respiratórias. Dá a entender que a medição do oxigénio indicava zero, isto é, não havia mais oxigénio.

O filho e a doente , pelo relato do primeiro, estiveram sempre acompanhados pelo pessoal do hospital. A enfermeira mudava a fralda, o médico falou com o filho, este foi chamado mas não encontrou o gabinete da consulta...

O que é que se pode fazer perante a dor das pessoas que veem um ente querido partir? Mesmo com 89 anos ? Dizer-lhes que se não tivesse morrido nas urgências teria morrido numa enfermaria? E que se assim fosse já não seria notícia ? É que nos hospitais morrem pessoas todos os dias .

 

 

Quando não há milagres avançam as fracturantes

Quando as coisas não estão a correr bem temos sempre à mão as causas fracturantes. Por cá foram as causas "gay".

Eu concordo em absoluto com o Testamento Vital e com a possibilidade de os doentes terminais escolherem morrer com dignidade. Uma boa solução é esta  que Hollande vai apresentar. O texto introduz uma figura inédita até à data na legislação francesa: o direito a uma "sedação profunda e contínua" para doentes terminais que manifestem esse desejo. O projeto-lei também prevê que os "testamentos vitais" -- elaborados por pessoas que não querem ser submetidas a tratamentos de suporte artificial das funções vitais -, passem a ser juridicamente vinculativos para os médicos. Atualmente, estes documentos têm um carácter meramente consultivo.

No momento não são bem estas as preocupações primeiras dos franceses, mas enfim, mais vale discutirem estas questões do que andarem a incendiar carros e montras nas ruas.

O LENTO ARREBITAR DE UMA SENHORA QUE É IRMÃ, MÃE E AVÓ - Prof Raul Iturra

 

 

 

Tinha escrito o texto en castelhano para a nosso blogue Pavana para una hermana que resucitó, en http://bandalargablogue.blogs.sapo.pt/pavana-para-una-hermana-que-resucito-1057119

A nossa aflição era grande. Ora acordada, ora inconsciente. Consegui falar com ela meio segundo ao telefone. A sua voz desfalecia. No meio das Festas Pátria do seu país, cinco dias de dança, comidas, bebidas, jogos. Não há quem trate um doente. São dias de família, nem doenças nem trabalho: toca divertir-se para quem o consegue.

Quem arrebita lentamente, nem tempo tem para reparar que a pavana, a cueca, dança popular e não peça de roupa intima em outras línguas e costumes, a resbalosa estão a ser dançadas ao ar livre.

A luta é outra, é o vírus que entra por todo o corpo, que encurta os pulmões, não permite os rins funcionar, o coração palpita duramente para salvar um corpo atacado por uma infanteria que não aceita nem balas em baionetas, onde as espingardas disparadas são tiros de foguete que não ferem ninguém. Apenas à pessoa que a sofre e que nem sabe que o mundo bailoteia enquanto o seu encolhido corpo luta. Filhos, noras, filhas, genros, netos e netas, irmãos e irmãs, param o seu próprio divertimento porque vê um sofrimento perto de si. Sofrimento que toca o malfadado corpo e em contágio emotivo, o corpo e as emoções dos que a rodeiam. Nem são tantos, é um pequeno grupo porque as leis estão feitas que para nascer, nascemos sós, e para entrar na eternidade, sem companhia nenhuma: o corpo encolhido em sinal de humilhação para se ser perdoado pelo tipo de vida que tenha tocado viver, as mãos estendidas em sinal de oração e arrependimento, voando pelos sonhos de la pavana, cueca e resbalosa que um dia se dançou.

A imagem e terrorífica. Os que querem ai estar, não lhes é permitido. A solidão das solidões.

Como analista, tentei falar com a antiga arrogante, alta e esguia dançarina que e tempos tinha sido. Os parentes sabem a história mas toca seguir adiante a desafiar a parca que ronda um corpo un corpo que um dia foi a delícia de toda uma população, grande ou pequena, que batia palmas como sinos em arrebato e acompanham a alma e o ser de quem sofre e que um dia foi o prazer de teatros cheios de pessoas. Como uma Maria Callas, que ainda canta nos discos, mas que foi-se embora só nos seus 53 anos.

Ora bem, há duas alternativas: a humilhação já falada, ou o pensamento positivo que arrebita a quem toma conta da pessoa doente e dá sinais positivos de ânimo ara que as tropas de vírus no avancem e invadam o corpo esguios que em sonhos ainda dança, com Callas, que não dormia para rememorar seus 20 anos de gloria y palmas a bater até ficarem vermelhas.

E o que se vê nesta mãe quando os sedativos a descansam e dorme como um anjo enquanto avança na Pavana do seu imaginário. Os que estão fora não vem esta ensonação e pensam que descansa enquanto a sua mente trabalha sem pestanejar para não sair do sono que repara mais e melhor, que o oxigénio, as diálises, os comprimidos. Dança de olhos azuis, cabelo louro e cumprido, a pé nu, o corpo vestido em tules brancos como Isidora Duncan, um vento percorre ao pé dela e faz da túnica una pintura que ni Rembrandt nem Goya ou Picasso, teriam imaginado. O Rodin ou Camille Claudel, esculpido.

Parecia de comprimido, mas era a sua forte imaginação e o seu prazer pela dança, o que demorava esse arrebitar. Enquanto menos mexer, mais Baloma- alma das pessoas para os nativos do arquipélago Kiriwina flutuava pela sua ensonação. Nem o Cisne Negro de Tchaikovsky tinha as dotes, o don, a dádiva da Duncan nos sonhos da doente, que demorava a sua curação para dançar mais.

Não me desespero, não se desesperam: é uma Isolda à espera do seu Tristão. As setas inflamadas não atingem a canoa e vai mar adentro em procura do repouso e serenidade.

Filhos, irmãos, netos, que Duncan ensone para se curar. É um lento arrebitar, mas é uma Pavana que restabelece. Com os santos padroeiros enumerados nesta página. Flor María está lentamente a ressuscitar. O cisne Negro, já príncipe, a espera junto com Tristão.

Amém.

Raúl Iturra

Domingo 21 de Setembro de 2014

lautaro@netcabo.pt

                                  

La resbalosa

 

 

 

 

 

 

 

 

A MORTE DE UM PAI - Prof Raul Iturra

 

Teria eu 39 anos, ele, oitenta. Tinha-me visitado recentemente a minha morada da Universidade de Cambridge, com a sua mulher, a nossa mãe. Foi atencioso, simpático, divertido, íamos passear pelas ruas da cidade universitária onde eu morava com a minha família. A nossa conversa era simpática, mas havia um fio que nos separava. Tinha eu morado na Grã-Bretanha desde os meus vinte e quatro ou vinte e oito anos, com mulher e filhas. Primeiro na Escócia, Universidade de Edimburgo e, a seguir, na de Cambridge quando apareceram no fim dos anos setenta do século passado.

Estiveram connosco seis meses, sempre a rir e brincar. Era um homem sério, mas alegre que adorava brincadeiras. Gostava de sair só comigo, com su cabelo negro, face branca, bigode aloirado com pontas brancas por causa da idade. Repartiam-se entre a nossa casa e a da minha irmã, marido e filha, docentes de Universidade de Southampton, no Reino Unido também, pelos mesmos motivos: no Chile, onde oravam, tinham assassinado o Presidente legal da República pelas forças armadas, surpresa para nós, en mais de duzentos anos de independência da coroa de Espanha, a que pertencíamos por causa da mãe e dos seus antepassados do Século XVI. Basco de ascendência, apoiava o assassino do Presidente Constitucional, que nos largara do Chile quando desde a Grã- Bretanha, corremos a Chile para votar por Allende. Ele, pela Democracia Cristã e o seu amigo, mais tarde Presidente, quando a democracia tornou ao Chile em 1990.

No Reino Unido, inventava as melhores viagens a outros países do velho Continente para me passear e estar com seu filho maior, que demorou seis anos em aparecer, a quem educou em casa com preceptores privados até onde a ei permitia: os dez anos de idade. Daí, para o melhor colégio que ele encontrou, com farda e um imenso telescópio para ver o mudo, que ele visitava para me ensinar como o usar: era engenheiro, sabia todo. Todos os anos recolhia os prémios que o seu benjamim ganhava, que eram muitos e entregues pelo Cardial Primado a ele primeiro e ele decorava-me a mim, com a sua mulher, a nossa mãe. Adorava o seu pequeno, apesar das ideologias diferentes: ele cristão, eu, socialista e chefe de partido que apoiava a coligação da Sua Excelência, o presidente constitucional da República.

Á sua morte, provocada, mandaram-nos de volta para o Reino Unido. Despedi-me no aeroporto a 8 de dezembro de 1973, pensando que a seguir, nunca mais o ia ver. Supressa das surpresas: anuncia a sua visita e ficam connosco um tempo cumprido. Queria levar-me só a mim, para a França, a Alemanha, outros países. Fui claro: Pai, eu o adoro, mas de que vamos falar? Vamos ter que evitar conversas porque apoia o Ditador que luta contra os pobres e os explora, eu os defendo, contrário ao Pai que tem esse primo o Almirante Merino-ele era Iturra Merino- que eu não tolero y luto conta ele. Ficou triste, fizeram as malas, foram casa da minha irmã que me seguia en cronologia por cinco anos. Ela era tolerante e tinha razão: eles tinham feito todo por nós e sempre calou as diferenças mencionadas.

Em breve, triste, fizera as malas e encontramo-nos no aeroporto britânico para um adeus que passou a ser final. Passearam os dois pais sós pelo continente por tempo cumprido, visitaram os parentes da corte, e foram-se para O Chile mais rápido que correndo. O meu confronto com ele em Cambridge o fizeram pensar. E tanto pensou, que passou para o lado das minhas hostes. Em 1986, um ano depois da visita a nós comemoram suas bodas de ouro. Eu no podia entrar para essa festa magnífica, mas todos os cinco filhos a custeamos, o nosso amor de largos anos e o meu confronto que o faz pensar.

O Chile, havia a campanha pelo no a única ditadura de un país livre, lo denominado asilo contra a opressão, que Karol Wojtila, São João Paulo II hoje, lhes ensinara como fazer para derrubar um apestado ladrão do sítio roubado à lei. O Pai, doente já e após de me ter ouvido e ver a minha determinação, bem contra o amor que lhe tinha, mais os netos e filhos, o levaram a votar por un não em 1989, um voto especial de un convertido às ideais dos seus descendentes. Meses depois, a 20 de março de 1990, partia deste mundo.

Tentei tantos que me deixaram entrar para um adeus final. Nem por isso. Apenas o telefonema de todos os dias, ate esse 18 de março, já nas potas da morte, falamos da nossa infância, a dele e a minha, contou coisas que eu não sabia e que por ser dele e o amor perdido, irão comigo a tumba.

A nossa filha mais velha estava comigo em Portugal. Cuando telefonam que eu no podia falar mais com ele nesta vida, a nossa analista clínica e eu nos acompanhamos. Encendemos vela. Não oramos, não era connosco, mas num dos terraços fizemos arder um atado de molho de trigo, adorno da casa.

No dia a seguir, enquanto a cidade parava para dar passo o funeral do Engenheiro, o pai, o marido, o avô, o patrão de tantos que tratou com justiça sem saber o bem que fazia.

O seu voto pelo não foi muito comemorado. Saiu da cama apoiado em netos e o nosso irmão engenheiro. Ele proferiu a oração fúnebre na minha substituição por ser agora eu o chefe de família… em exílio, mas as suas próprias palavras.

Dias prévios, falamos com o Pai do seu tio português, Hierónimo de Freitas, casado com uma prima direta da sua mãe. Eu sentia os seus olhos azuis sorrir enquanto prolongava a conversa. A derradeira.

A seguir, a voz do irmão: faleceu.

Hoje é dia de aniversário de nascimento. Mas, velho o Parque do Mar, o Pinheiro que o guardo, como as sua terras chamadas El Pinheiro.

Enquanto era enterrado, com força e emergia, proferi a minha aula, apenas que comecei por dizer que era dedicada a um Senhor que nesses minutos ia a enterrar.

A sua foto, em frente da minha secretária, com o seu sorriso de Senhor. O pé, a Senhora mãe, e netos e bisnetos. Tinha apenas 80 anos, mas nos ouviu, especialmente a conversa de Cambridge. O amor todo o pode

Dias duros, hoje, mas ele mora en mim, como eu em ele a o longo de anos. O respeito e amor eram grandes, imensos

Raúl Iturra Redondo

10 de julho de 1014

lautaro@netcabo.pt