Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

Um Estado monstro e um país estagnado há 20 anos

Os contribuintes actuais e os vindouros bem podem andar com as pernas a tremer.

Para além da máquina do Estado, das finanças, dos serviços centrais, das Forças Armadas, das forças de segurança, o Estado português gere a esmagadora maioria dos hospitais e das escolas do país, detém o maior banco comercial, órgãos de comunicação social, a rede ferroviária, redes de autocarros, de metro e uma companhia aérea. Nas restantes grandes empresas também consegue lá colocar os seus administradores porque muitas dependem directamente do estado como cliente ou regulador. Fora da esfera do estado estão algumas pequenas e médias empresas, sendo que muitas delas têm no estado e nas empresas na esfera do estado os seus mais importantes clientes. Ter a economia assim toda controladinha é importante porque mantém muita gente calada. Com tanta gente dependente do estado, com medo de perder o seu negócio ou o seu emprego, ficam todos com muito medo de criticar o governo, ou, como será conhecido daqui a alguns anos, ter “discurso de ódio”.

Com tanta estratégia, tanta boa gestão em nome do interesse público, contra o malvado lucro e os radicais religiosos neo-ultra-liberais não se entende como é que o país está estagnado há 20 anos e assim deverá ficar mais 10, quando acabar de pagar pela “estratégia” da TAP. Pobres, mas a salvo do radicalismo religioso que tanto teme o Padre Nuno Santos. As pernas dos contribuintes até tremem.

O monstro eléctrico foi criado no tempo de José Sócrates

O governo de Sócrates duplicou a capacidade já instalada. Esqueceu-se .

"O desastre do actual sistema eléctrico português teve origem em 2007, quando o então governo de José Sócrates, com Manuel Pinho como ministro da Economia, com a tutela da energia, decidiu instalar 8.000 MW de potência eólica remunerada por 15 a 20 anos com tarifas 'feed-in' [tarifas bonificadas de venda]", defendeu o antigo ministro.

Para Mira Amaral, "o governo de Sócrates esqueceu-se que já havia muita potência contratada através dos CAE [Contratos de Aquisição de Energia] e CMEC [Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual], os quais asseguravam o pagamento dos custos fixos de centrais que passaram a trabalhar então em apoio às intermitentes, tendo começado a instalar capacidade eólica em duplicação a essa potência existente coberta pelos CAE e CMEC".

"Dos 8.000 MW de eólicas intermitentes, vieram-se efectivamente a instalar até agora cerca de 5.300 MW, número este que é muito superior aos 3.500 MW de potência de consumo em Portugal nas horas de vazio durante a noite", afirmou.

É dificil deixar uma herança tão má como a dos governos de José Sócrates

Uma gigantesca máquina de desperdício

O Estado-patrão é uma fonte de problemas. O boletim Imformativo do Sector Empresarial do Estado mostra que em 2017 das 83 empresas públicas aí analisadas resulta um dívida de 29,7 mil milhões de euros, sendo que só o sector dos transportes é responsável por 18,9 mil milhões do total.

Este monstro administrativo, burocrático e empresarial não para de crescer à custa das famílias que, via impostos, o têm de pagar. A coisa aguenta enquanto a conjuntura externa for favorável. Quando deixar de o ser ( já começou) o que ocorrerá mais tarde ou mais cedo, o monstro vai-nos engolir e os velhos problemas renascerão das cinzas.

PS : Expresso - Luis Marques

O "monstro" após dieta recuou

Em 2000 o "monstro" gastava 51,8% da riqueza total produzida no país. Em 2016 recuou para 45,1%. E vai ter que continuar a dieta.

Os registos disponíveis mostram que nunca houve (pelo menos desde 1953) um período de contenção tão forte da despesa. Nem no final dos anos 80, quando Portugal liberalizava a sua economia para cumprir as regras da Comunidade Económica Europeia, à qual tinha recentemente aderido, se viu uma descida tão pronunciada dos gastos públicos .

Investimento público e salários lideram a redução da despesa. Uma das razões é que não há mais PPP rodoviárias ao desbarato com rendas excessivas para os privados e risco total para o estado.

O Conselho das Finanças Públicas (CFP) faz regularmente exercícios de projecção de tendências, que permitem ter uma ideia aproximada do perfil futuro da despesa e da receita públicas. O último exercício deste género, divulgado na semana passada, mostra que a dieta do Estado vai prosseguir de 2017 em diante. Isto é: mesmo que não haja mais medidas de consolidação orçamental, a tendência da despesa é para continuar a cair.

Não ter dinheiro é não ter vícios e fora ( longe vá o agouro) do Tratado Orçamental, sem controlo do défice e da dívida, rapidamente voltaríamos ao fartar vilanagem.

despesa.png

 

Onde é mais visivel a ausência de reformas ?

É nos serviços centrais de Lisboa. Chocam-me imenso os cortes feitos na província, em centros de saúde, por exemplo, onde as pessoas vivem pior. Em Lisboa, e no Porto, a dimensão majestática do estado não foi devastada. A quantidade de observatórios e institutos públicos que há, e que fazem o que as direcções - gerais deviam fazer, não se alterou. Isto para não falar da quantidade de assessores que os ministros têm...É preciso ter capacidade de gestão e espírito empresarial para fazer reformas e dar a volta ao "monstro público".

PS : Mira Amaral - expresso