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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Atreveram-se substituir Joana Marques Vidal

Observador :

 

É bom lembrar o que estava em causa. É verdade que o governo e o presidente da república não eram obrigados a reconduzir a Procuradora-Geral da República. Mas nas actuais circunstâncias, era perfeitamente legítimo esperar que o fizessem. Primeiro, porque a justiça portuguesa não tem simplesmente entre mãos uns quantos casos melindrosos, mas, segundo a acusação da Operação Marquês, uma conspiração para subverter a democracia, a qual só no mandato da Dra. Joana Marques Vidal pôde ser investigada. Segundo, porque o governo é neste momento exercido por antigos colegas de José Sócrates. Por tudo isto, talvez se pudesse esperar do governo e do presidente da república um zelo redobrado para não deixar nenhumas dúvidas de que o poder político não pretendia de modo nenhum influenciar o curso da justiça ...

É preciso renovar o mandato da PGR e do actual Director da PJ

O governo, com dez meses de antecedência, fez saber publicamente que não reconduziria Joana Marques Vidal como Procuradora Geral da República. Foi uma jogada política estranha até por ter sido feita a uma tão grande distância . Hoje, conhecidas as mais recentes evoluções dos casos em investigação, percebe-se melhor.

Há que afastar quem tem mostrado independência face ao poder político e mostrado resultados. Os nomes que têm vindo a lume são machadadas gigantes no PS e nos governos de Sócrates. Porque a investigação tem mostrado que as investigadas fraudes foram cometidas por membros do governo em exercício à época, ao contrário das fraudes investigadas a gente do PSD cujas fraudes decorreram no exercício da sua vida profissional privada.

É preciso estar muito atento porque é o futuro da Democracia e do estado de Direito que estará em cima da mesa.

TALVEZ SEJA JÁ TARDE

Se a maioria actualmente no poder fosse de direita, não teria sido discutida, hoje, no parlamento, a imposição do pagamento de taxas moderadoras a quem queira abortar. Teria, sim, sido reposta a discussão pública acerca da lei que aceita a interrupção da vida humana, indiscriminadamente e sem motivo sério. E tê-lo-ia sido, não hoje, mas há quatro anos.

 

Num quadriénio em que se legislou, bem, no sentido de prevenir o punir os maus tratos a animais, quando se especula e trabalha no sentido de conferir ao animal a dignidade de pessoa e, de quando em vez, ressurgem as pouco serenas discussões acerca das touradas, consentir que a vida humana intra-uterina seja ceifada arbitrariamente com o apoio dos meios clínicos mais avançados, pagos por todos nós, é algo que fere, não só o sentimento geral, como a elementar harmonia que deve enformar qualquer sistema jurídico.

 

Não podemos sujeitar um cão ao isolamento, à fome ou à doença, mas é-nos permitido pôr termo à vida de um feto, sem invocar motivo, que pode até ser o simples rompimento da relação que lhe deu génese. E assim é tão francamente, que há um número considerável de mulheres que fazem mais de um aborto por ano; numa época em que, salvo acidentes marginais, só engravida quem quer, a prática assemelha-se a um desporto. À vista de todos.

 

Independentemente da posição que se tenha relativamente à questão principal, impor a obrigação de pagamento de taxas moderadoras a quem queira fazer um aborto é, pois, da mais elementar justiça e equidade.

 

Não há motivo algum para que um doente as pague e esteja delas isenta a mulher, saudável, que quer abortar, sendo, para mais, que o custo do aborto ao SNS, estipendiado por todos nós, é muito superior ao da generalidade dos tratamentos, quer pela natureza do próprio acto, quer pela precedência de que goza.

 

Andaram bem, pois, os deputados afectos ao governo, ao ignorar o berreiro infrene, as frases feitas sem conteúdo e as manifestações ruidosas, sempre amplificadas pela bem orquestrada comunicação social.

 

Pena que, pelo menos aparentemente, só no final do seu mandato a maioria se tenha dado conta de que os eleitores não vão na arreata dos vanguardistas desordeiros.

 

Foram cobardes durante quatro anos. Demasiado iguais aos outros.

 

Receio bem que já seja tarde para que a maioria que vota os veja como diferentes.