Cento e oitenta e oito empresas públicas que apresentam muitos milhões de dívida. Se juntarmos a este universo as mais de 200 empresas municipais, mais os inúmeros institutos públicos teremos o retrato do "caminho para o socialismo" .
Um enorme sorvedouro de dinheiros públicos um monstro ineficiente e também uma máquina de poder e de distribuição de poder.
Somos um país pobre com uma economia sem capacidade de pagar salários decentes.
As autoridades tomaram a iniciativa no combate ao banditismo. Oitenta líderes criminosos foram presos. Pela primeira vez no Rio de Janeiro e em São Paulo a criminalidade baixou.
O medo que paralisa o Brasil combate-se com vigor é uma questão de sobrevivência . O Brasil continua a ferro e fogo, mas agora, tudo o indica, as autoridades tomaram a iniciativa no combate à criminalidade . Há uma sensação de optimismo no cidadão comum .
Na economia o PIB cresce a 2,5% , a inflação está controlada a 4 %. e o Real está estável face ao dólar.
Há várias reformas importantes com vista a atacar os cancros que sugam as finanças públicas. A profunda renovação da classe política alimenta algum optimismo. O governo que já tinha o controlo da Câmara ganhou também a presidência do Senado. O polvo instalado no estado está a ser afastado.
O Brasil tem cerca de 400 empresas públicas, das quais 138 são controladas directamente pelo Estado federal. Destas o estado pretende privatizar 135, ficando apenas com a Petrobas, o Banco do Brasil e a CAIXA com um encaixe de cerca 20 mil milhões de dólares. É neste vastíssimo sector público que assenta o poder da oligarquia corrupta brasileira.
Durante três anos criaram-se expectativas. Venderam-se ilusões. A realidade, no entanto, é bem diferente .
A economia cresceu pouco, a dívida nominal subiu, a riqueza individual dos portugueses baixou na média europeia. 2019 será um ano de transição para algo que ainda não conhecemos. Uma coisa é certa : a situação não será melhor do que foi nos últimos três anos. O que confrontará quem esteve no poder com as escolhas feitas e com os amanhãs que afinal não cantaram
O que eles querem mesmo é uma versão do socialismo seja ele o venezuelano ou da Coreia do Norte, países a que o socialismo trouxe a felicidade a abundância. Eles estão prontos para o fazer.
É uma espécie de 11 de março de 1975 : conquistar o controlo público de sectores estratégicos privatizados. Acabar com o investimento privado no ensino, na saúde e na segurança social. Nacionalizar a banca. Sem esquecer a revogação do tratado orçamental.
Nem mais nem menos. Sob a capa das causas fracturantes está o BE marxista, trotkista e lelinista.
Catarina Martins : " Os privados pilham a empresa e assaltam as suas reservas" . Quem são estes privados assaltantes dos CTT ?
Acontece que nos CTT só sete accionistas tem mais de 2% do capital, totalizando estes menos de 30% do capital representado por 106 milhões de acções . Quer isto dizer que a esmagadora maioria do capital dos CTT está disperso por milhares de pequenos accionistas, ou seja, privados.
Imaginar que todos eles andam "a pilhar a empresa e a assaltar as suas reservas" é do mais puro delírio. Ainda por cima quando os CTT são uma concessão do Estado regulada por uma entidade pública, a Anacron.
O objectivo desta esquerda, já o sabíamos é acabar com o capital nacional ou estrangeiro, mas só o privado. No dia em que tudo for do Estado e os trabalhadores viverem da Segurança Social será o paraíso na terra.
Em abstracto os problemas do país estão resolvidos em concreto não estão. A dívida continua insustentável, o controlo orçamental permanece frágil, garantido apenas pela "mão de ferro" de Centeno, por cativações que fariam corar de vergonha um governo de direita, pela ausência de investimento público e uma ou outra trapalhada pelo meio.
Em abstracto, Portugal estaria a caminho de ser um "paraíso na terra", um exemplo para o mundo e o refúgio de Madona. Em concreto, morrem mais de cem pessoas em incêndios, roubam-se armas de paióis militares sem ninguém saber como e o governo rumou para parte incerta, desorientado e acossado pelos seus amigos de ocasião.
António Costa comprou amigos de ocasião para garantir o poder. Chegou agora o momento de não conseguir satisfazer os apetites que alimentou, ou fazê-lo emitindo uma factura que o país não vai conseguir pagar.
Em abstracto a festa continua. Em concreto a festa acabou . Todos já o perceberam incluindo António Costa. Arrepiar caminho já é a única forma de evitar um desastre anunciado .
Guterres teve condições excepcionais que não soube aproveitar . Mas deixou o país em crise, em resultado de graves desequilíbrios macroeconómicos que não conseguiu contrariar e de que, na realidade o país nunca recuperou totalmente.
Guterres foi incapaz de combater a euforia e o facilitismo, alimentando-os. Deitou dinheiro para cima dos problemas, numa constante procura de agradar a tudo e a todos. Fugiu das dificuldades e das escolhas difíceis.
Quinze anos depois António Costa herdou de Passos Coelho uma economia a sair de um dos mais violentos ajustamentos de que há memória, que teve em 2012 o seu ponto crítico com uma retracção de -4 do PIB. A recuperação começou em 2014/5, ainda com Passos Coelho, e terá este ano a sua consagração.
Até aqui do "novo" passado só faziam parte coisas boas. Agora inclui coisas más e algumas muito más. As que conhecemos, as que vamos conhecendo e as que conheceremos mais à frente.
Esta nova realidade apanhou de surpresa os três partidos da coligação. Basta olhar para a cara deles para perceber que algo mudou. Em pleno debate do estado da nação, e com este quadro em fundo, o BE propõe um período excepcional para vincular professores e o PC mais celeridade na resolução dos precários. Patético.
O "estado de graça" acabou. O tempo "esse grande escultor" vai fazendo o seu caminho, destapando a realidade escondida sob a retórica anti austeridade. Ela continua lá embora com outras vestes. Como lá continuam os problemas de sempre, o atraso de sempre e as novas habilidades para esconder a realidade. Tudo isso fazia parte do passado, um passado que nos persegue. A novidade é que agora faz parte também do passado desta coligação.
O grande inimigo deste governo como de todos os outros é o tempo. Durante dezoito meses António Costa e os seus aliados de esquerda alimentaram-se do passado, da herança de Passos Coelho, pintada e retocada com as cores negras da austeridade .
Agora será cada vez mais difícil invocar o anterior sempre que toma alguma medida ou acontece alguma coisa, seja ela boa ou má. E há sempre, agora como antes, coisas que estão a acontecer ou vão acontecer.
"Essa gente" confunde reforma do estado, ou seja, cortes certeiros de desperdícios e gorduras, com cativações, uma forma ardilosa de mascarar o verdadeiro valor do défice sem mexer no essencial. Confunde-se assim o estrutural com o conjuntural, estratégia com táctica, consolidação orçamental sustentada com medidas temporárias à espera de um milagre.
Mas não há milagres quando se esconde o pó debaixo do tapete.
As tragédias que nos assolam nada têm a ver com a redução do défice, é antes o resultado de opções erradas e da manifesta incapacidade do poder político para cumprir a sua missão de defender o interesse de todos e não apenas de alguns.
Podemos imaginar, por exemplo, como é que Medina Carreira trataria "essa gente" que se prepara para aprovar um relatório sobre a Caixa Geral de Depósitos que atribui à crise internacional a derrocada do banco do estado.
"Essa gente" colocou durante anos a CGD ao serviço da política, que a usou para assaltar um banco privado, que nela colocou verdadeiros comissários políticos em "lugares-chave", que distribuiu dinheiro a uns amigalhaços do governo de ocasião.
É preciso uma democracia forte e um estado ao serviço dos mais desfavorecidos e esquecidos.