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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Parceria -público-privada do Novo Hospital de Lisboa - vamos às contas

O novo hospital Oriental de Lisboa cujo concurso foi lançado há dois meses na modalidade de concepção/construção/equipamento é um investimento de 330 milhões de euros.  Esta importância até podia ser paga pela receita arrecadada pelos terrenos dos actuais hospitais da Colina de Santana que vão ser fechados : S. José, Desterro, Santa Marta, Miguel Bombarda, Maternidade Alfredo da Costa . Mas o estado não tem os 330 milhões e precisa dos 200 milhões que vai arrecadar com a venda dos terrenos. O Estado come tudo e não deixa nada.

Se fizermos as contas, a partir dos números apresentados no concurso temos que um hospital que custa 330 milhões gasta por ano cerca de 110 milhões por ano em exploração. Ora o estado vai pagar ao privado que ganhar o concurso 26 milhões por ano em renda durante 30 anos ou perto disso.

Já viram bem como quem quer as PPP é o estado ?

Poupa 330 milhões nos dois próximos anos, acrescenta-lhe mais cerca de 200 milhões quando iniciar a exploração (2022/3) e vender os terrenos e paga a renda anual de 26 milhões.

É bem verdade - pensa o estado - que no médio e longo prazo estamos todos mortos. Mas não enganem as pessoas ó Catarina, Ó Jerónimo.

Montijo ? "So near" é o que importa

Quando cá chegam pela primeira vez os turistas ficam deslumbrados com o aeroporto. So near...

Li algures que o actual aeroporto de Lisboa era para ficar onde é agora a Alameda D. Afonso Henriques onde está o Instituto Superior Técnico . Alguém com visão conseguiu afastá-lo para perto mas que a muita gente parecia longe.

Santana Lopes vem agora novamente com a hipótese Alverca. Bastava alinhar uma nova pista na vila Ribatejana, paralela à pista única do Humberto Delgado e, dessa forma simples, a rota de aproximação das aeronaves já não se cruzavam. E Alverca há muito que tem lá as oficinas ( OGMA) e a pista .

Mas tem o inconveniente de não ser "so near " e de ser preciso gastar uns milhões em acessibilidades . Ora as aves do Montijo são mais fáceis e mais baratas de afastar . E as acessibilidades estão já lá  só precisam de uns acrescendos.

O argumento maior dos ambientalistas é  a existência no Montijo do enorme aquífero de água doce que se estende até à Arrábia que pode ser fortemente poluído com a actividade aeroportuária. Um avião de 5 em 5 minutos. Um desastre.

Está bem, se calhar até têm razão, mas está tão " so near "

 

O governo ( e os seus apoios) a comprar votos nas áreas de Lisboa e Porto

Com os incêndios florestais e dramas da população pensou-se que a intenção de voto abandonaria o governo . Tal não se verificou e a razão é bem simples.

Em 2015 o PS só elegeu mais deputados do que a direita em três círculos (Açores, Faro e Setúbal). Costa perdeu em todo o território acima do Tejo e em muitos distritos importantes perdeu com estrondo, obtendo apenas metade dos mandatos (veja-se Aveiro, Leiria, Viana do Castelo ou Viseu). Piorando as coisas, para formar governo o PS teve de se aliar a partidos que, no seu conjunto, têm em Lisboa, Porto e Setúbal cerca de 65% dos seus deputados.

Este facto explica bem a apressada medida da redução do preço dos transportes em Lisboa e Porto.

É dificil que os partidos tão dependentes dos grandes centros urbanos se preocupem com o interior .

A haver um museu em Lisboa devia ser o das Descobertas

Só em Portugal há gente muito politicamente correcta que contesta a existência do Museu das Descobertas. Não é o caso de cientistas e historiadores estrangeiros .

O presidente da Câmara de Lisboa quer fazer um museu das descobertas. Algumas pessoas argumentam que a palavra “descoberta” esconde a escravidão e a colonização que se seguiram. Acha que devíamos ter um museu das descobertas em Lisboa?
Claro que devíamos ter um museu das descobertas em Lisboa! Possivelmente, a coisa mais importante acerca de Portugal nos últimos 600 anos foram as grandes descobertas feitas por navegadores portugueses. É verdade que Vasco da Gama não descobriu a Índia. Descobriu o caminho marítimo para a Índia. E também não é verdade que um português tenha descoberto o Brasil, já havia um milhão de nativos americanos a viver no Brasil, mas um navegador português foi o primeiro europeu a chegar ao Brasil. E isso teve uma importância enorme para a história mundial, porque levou à colonização europeia do Novo Mundo. Se Lisboa só pudesse ter um museu e tivéssemos de demolir todos os outros, esse único museu deveria ser das descobertas. Mas teríamos de entender o que significa descobertas.

Apresentação do novo Hospital Central de Lisboa

O que tem que ser tem muita força. Com o encerramento dos seis velhos hospitais centrais de Lisboa poupam-se 68 milhões/ano, custos das ineficiências.

A nova unidade vai substituir os seis hospitais do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC): Capuchos, São José, Santa Marta, Curry Cabral, Dona Estefânia e a Maternidade Alfredo da Costa. No CHLC os "custos padrão por doente são 20% superiores aos dos outros hospitais do país. Esta ineficiência resulta do facto de estarmos perante instalações inadequadas e dispersas".

"Esta ineficiência representa 68 milhões de euros por ano", pelo que "a nova unidade permitirá poupar 68 milhões de euros" por ano. "A renda [a pagar ao parceiro privado] andará à volta de 16 milhões de euros por ano. Estão a ver os ganhos que podermos retirar deste projecto. São ganhos importantes, em termos de conforto, em termos financeiros", assinalou o secretário de Estado.

Agora vamos esperar pelas habituais manifestações espontâneas contra o encerramento dos velhos hospitais.

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Há comprimidos para a azia ?

Primeiro o governo manda fazer um estudo sobre a "candidatura do Instituto do Medicamento Europeu para instalar em Lisboa" . Sobraram as críticas, o Porto, bem, veio lembrar que não podíamos continuar a centralizar tudo na capital. Perante o erguer de voz portuense o governo rapidamente deu o dito por não dito e decidiu-se pela capital do norte.

Mas não é que agora se sabe que um inquérito feito aos 900 funcionários da agência, localizada em Londres, a maioria escolheu Lisboa ?

Com a falta de jeito a que já nos habituou, António Costa, "o hábil", acabou por cortar o pescoço ao melhor argumento que Portugal podia apresentar na candidatura. A vontade maioritária dos funcionários. Esta nem dá para acreditar.

Como o actual governo se limita a fazer render o peixe, cavalgando a onda positiva que se formou na austeridade e que agora se desenvolve no crescimento da economia na Zona Euro, sempre que tem uma decisão para tomar enreda-se na rede esburacada que lança ao mar. E espera que algum peixe venha à rede. Desta vez em vez de peixe apanhou uma barrigada de ridiculo.

 

 

O PS vai pagar esta vergonha

A recolocação do Agência Europeia para o Medicamento em Lisboa ainda vai fazer correr muita água debaixo da ponte. Coimbra, Porto, Braga e mesmo outras cidades não compreendem esta decisão sem que tenha havido uma prévia discussão. Uma vergonha chama-lhe o Prof Daniel Bessa. Uma precipitação chama-lhe Catarina Martins.

Os argumentos apresentados por António Costa são um hino à centralização e são uma boa razão para que Bruxelas rejeite a proposta.

"Com toda a consideração e todo o respeito, nós temos obrigação de assumir claramente que já basta", frisou.

O economista disse que, "tanto quanto parece, o simples facto de a quererem por em Lisboa foi um fator decisivo para que não tenha sido aceite".

"A União Europeia, muito bem, tem um princípio de descentralização, os outros países têm essas agências descentralizadas, Portugal já tinha duas em Lisboa, como é que agora vai por a terceira? Foi chumbada e muito bem, eu tiro o meu chapéu à Comissão Europeia" .

Rui Rio alinha pela mesma bitola . "

Não compreendo. O país é um todo, não é só a capital. Por essa lógica tem de ir tudo para Lisboa. Está tudo em Lisboa, tem de ficar tudo em Lisboa por uma questão de proximidade". E acrescentou. “Vai ter de se dar um murro na mesa e pôr termo a isto. Não é inteligente”.

Rui Rio acrescentou que o Porto até é das cidades que menos se pode queixar neste tipo de situações. “O resto do país não pode ficar satisfeito com isto”. O social-democrata lamentou ainda as contradições entre as palavras e os atos do Governo. “Não há coerência direta entre as palavras e os atos, que são os mais importantes Nas palavras o Governo está sempre a falar em descentralização e desconcentração, nos atos temos sempre situações destas”.

Não é justo nem democrático para as cidades do interior.

Argumentos viciados

Carlos Guimarães Pinto

2 h ·
 

António Costa disse hoje que a Agência Europeia do Medicamento não podia ser no Porto porque o regulador nacional (o Infarmed) estava em Lisboa e porque apenas Lisboa pode vir a ter uma "Escola Europeia".

Vamos por partes. A questão do Infarmed já ser em Lisboa é daqueles argumentos que alimentam o ciclo vicioso do centralismo. Quantos mais organismos na mesma cidade, mais se justifica a centralização acrescida. Mas será que ter o regulador nacional na mesma cidade é um requisito assim tão importante? Olhemos o que acontece nas outras cidades candidatas:
- Espanha candidata Barcelona. Regulador nacional do medicamento é em Madrid.
- Itália candidata Milão. Regulador nacional do medicamento é em Roma.
- Holanda candidata Amsterdão. Regulador nacional do medicamento é em Utrecht
- Suécia candidata Estocolmo. Regulador nacional do medicamento é em Uppsala

Sobre a absoluta necessidade de a Agência Europeia ficar na mesma cidade do regulador nacional, estamos conversados.

O segundo argumento de Costa é que só Lisboa poderá vir a ter uma Escola Europeia (ou seja, uma escola gerida conjuntamente pela UE e governo nacional). Este ainda é mais risível que o anterior. Em primeiro lugar porque a instalação de uma Escola Europeia em Portugal nem sequer é certa pelo que não poderá ser uma vantagem na candidatura. Em segundo lugar, fica por explicar porque é que "só Lisboa poderá vir a ter uma Escola Europeia". Em Itália, a escola Europeia é em Varese, a uns 600km da capital. Na Holanda é em Bergen. Em Espanha é em Alicante e no Reino Unido em Culham. Para além disso, das cidades candidatas à Agência Europeia do Medicamento, apenas Bruxelas tem uma escola Europeia. A esmagadora maioria das agências europeias não está em cidades com escolas europeias. Os filhos dos funcionários vão simplesmente para escolas internacionais.

E se mais dúvidas existissem sobre as vantagens de Lisboa é ver o relatório desenvolvido pela KPMG há 3 meses, analisando 16 cidades europeias tidas como candidatas à agência. Nessa análise, Lisboa ficava em 15º lugar. (retirado daqui http://www.greatercph.com/a-way-of-li…/…/location-comparison

Mais um exemplo de descentralização exemplar

Os argumentos para trazer o Instituto do Medicamento Europeu para Lisboa são uma "pescadinha de rabo na boca ". Traz-se o Instituto do Medicamento para Lisboa porque já cá estão o Instituto da Droga e o Infarmed e, estes, estão em Lisboa porque já cá estavam as melhores infraestruturas e acessibilidades. E assim por diante.

O Porto reage mal e com razão porque aceitando este raciocínio Lisboa será cada vez mais a cabeça de um deserto. E, na cidade invicta, há infraestruturas de investigação médica de grande reputação mundial com o I3S e o IPATIMUP onde se encontra a mais avançada investigação como é o caso do cancro da tiróide e do estômago. E há, hospitais que estão na primeira linha do que melhor se faz em várias áreas da medicina.

No entanto, por motivos de “conveniência da proximidade do Infarmed” e também por Lisboa já ter outra agência europeia, Costa acredita que, com as três sedes em Lisboa, seria possível criar uma Escola Europeia. E considera a questão fechada.

Rui Moreira tem-se mostrado contra a decisão de Portugal candidatar Lisboa para acolher a agência que, por causa do Brexit, terá de sair do Reino Unido e encontrar um novo país de acolhimento. E considera mesmo que candidatar novamente Lisboa, que já tem uma agência europeia, é uma fraqueza da candidatura portuguesa. O autarca deu vários exemplos na Europa. Espanha, por exemplo, discutiu o assunto desde julho de 2016, depois do Governo ter aberto a discussão nacional. Barcelona foi a cidade escolhida, num país que já acolhe cinco agências europeias — nenhuma em Madrid. E lembrou que a Escola Europeia, em Espanha, fica em Alicante.

 

Lisboa cheia de luz de gente bonita e de mistérios

Hoje fui à Baixa de Lisboa tratar de um assunto. Aproveitei para ir almoçar à Cervejaria Trindade, que depois de um fogo ainda antes do Terramoto de 1775 , de  uma reabilitação e de mais um fogo, foi comprada por um cidadão empreendedor que ali instalou a primeira cervejaria de Lisboa . Claro que nunca mais tornou a arder.

Cheia que nem um ovo por gente loira e barulhenta. Segui para as instalações dos conhecedores. Uma esplanada coberta de árvores meia escondida. E ali cantei a "La Bohémia" por duas vezes, bela cerveja a acompanhar o repasto a condizer. Andando que se faz tarde, desci o Chiado pejado de gente e aportei ao Rossio. Dali ao Tejo é a descer a Rua do Ouro e dar de caras com uma frente de rio das mais belas do mundo. Digo-vos eu que já fui a muito lado .

As nórdicas aproveitam a praia e a escadaria para apanhar sol . Sucedem-se  o Terreiro do Paço, a Praça Europa e a Praça do Cais do Sodré. Um conjunto sem igual.

Volvendo e já com tempo para apreciar o ambiente, vejo as inúmeras reabilitações de edifícios, as lojas cheias de gente endinheirada , os artistas de rua e as "mil e desvairadas gentes " de que falava Camões. E sentir o nó emocional que levava Cesário Verde a "sentir uma paradoxal vontade de morrer" .

E os mistérios de Lisboa a serem expostos por estes dias nas visitas ao subsolo para apreciar as galerias velhas de séculos. 

Contrariamente a uns senhores que estão sempre contra a vida, contra o progresso e a favor da paz dos cemitérios , voltei a casa prenhe de alegria. Cada qual come do que gosta é a convicção que há mais tempo me acompanha.

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