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BandaLarga

as autoestradas da informação

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DEVE SER INÉDITO

O Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa declarou nula a licenciatura do ex-ministro Miguel Relvas. A notícia, seguramente, será ampla e repetidamente disseminada e glosada.

 

Perdida na bruma do tempo e abafada pelo ruído do sensacionalismo ficará a origem do processo.

 

Nuno Crato, ministro com a tutela respectiva à data do conhecimento dos factos, entendeu que estes deveriam ser apurados. Entendeu também que, a verificar-se a irregularidade falada, seria possível que houvesse casos semelhantes.

 

Entendeu bem.

 

Na verdade, relevante não era apenas o caso de Relvas, por ser ministro, mas o de todos quantos estivessem a beneficiar de critérios benévolos da universidade em causa.

Relevante ainda a credibilidade do sistema de ensino, não apenas um particular caso, porque falado na comunicação social, mesmo que de um ministro se tratasse.

 

Mandou investigar.

 

Os encarregados da investigação deram conta, se bem me lembro, de mais de uma centena de casos em que existiam suspeitas semelhantes. Relataram.

 

Crato, sempre bem, comunicou ao Ministério Público. A partir daí, o assunto já não era da sua regedoria.

 

Quatro anos depois, temos a sentença. De acção proposta pelo Ministério Público, na sequência da participação do Ministro. A sentença, de primeira instância, ainda é passível de recurso. Não importa para o caso.

 

Importa, sim, que, quando mandou investigar e participou o relatório da investigação, se sentava à mesma mesa do Conselho de Ministros com quem era visado.

 

Creio que é caso único na nossa História.

 

Ainda há dias soubemos de um secretário de estado chico-esperto, que declarou viver onde não vivia, para abichar mais umas centenas de euros por mês. Ministro e primeiro-ministro assobiam para o lado e o habilidoso lá continua onde estava, tentando disfarçar a vigarice com uma renúncia aparentemente magnânima. A burla, porque burla é, lá ficará impune e nós com o costumeiro prejuízo.

 

Nuno Crato mostrou envergadura ética para ser ministro de um país civilizado.

 

Outra história que, depois, se tenha deixado tolher pelo Nogueira. Não foi o único, longe disso, mas pena é que, também aí, não se tivesse distinguido.