Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

Com Sócrates tivemos a versão europeia de Lula e Chavez/Maduro

Joe Berardo foi uma criação ( não única) de um processo político que envolveu o governo, grandes empresas, bancos e a comunicação social com vista a dar ao seu comandante o poder supremo de decidir que empresas poderiam ter acesso ao crédito.

Tivemos em Portugal a versão europeia do que se passou no Brasil com Lula e na Venezuela com Chávez ou Maduro. O pernil de porco, as casas pré-fabricadas, como antes o mensalão, a troca da participação da Vivo pela da Oi, a defesa da PT da OPA da Sonae e outros negócios que se podiam pensar entre a tenda do defunto Khadafi e os palácios da América Latina são episódios desse pesadelo nacional de que só acordámos, a partir de 2009, pelo lado bom da trágica crise imobiliária “made in USA”.

 A lógica era simples: Ricardo Salgado estava sempre com o governo de turno, a Caixa era nossa e o BCP, como maior banco privado, era a peça que faltava. Esse foi o racional do processo que movimentou Carlos Santos Ferreira e Armando Vara da CGD, em comissão de serviço, para o BCP; ou Francisco Bandeira, elemento da comissão da CGD que avalizou o empréstimo a Berardo sem as devidas garantias, e que foi colocado no BPN depois da derrocada cavaquista; ou, até, Celeste Cardona, que fez parte da mesma irmandade com Maldonado Gonelha.

 

 

O desplante de Berardo explica-se assim

Duarte Marques : «Berardo não é o principal responsável pelas dificuldades da CGD ou do BCP. Alguém lhe pediu que interviesse no BCP, alguém lhe autorizou créditos “de favor” no banco público para tornar possível o “assalto” ao BCP e alguém se esqueceu, convenientemente, de tentar recuperar o dinheiro da CGD enquanto era tempo. Alguém, em 2006, lhe ofereceu o CCB para colocar a sua coleção, lhe pagou uma “pipa de massa” e lhe renovou o contrato já em 2016.»

Há cumplicidades atrás do arbusto que convém conhecer.

 

Berardo não caiu do céu, Joe Berardo não é uma invenção de si próprio

Usar truques para fugir ao pagamento de uma dívida de 900 milhões a três bancos não é um desplante é um crime. Berardo assumiu o empréstimo mas não a dívida .

Manuel Fino também não tem com que pagar 300 milhões e, como é sabido, os devedores milionários não ficam por aqui. Então que fazer ?

Espera-se que os bancos prejudicados avancem com as penhoras e a PJ avance com as acusações no plano judicial e criminal. Porque é certo que o dinheiro não saiu dos bancos pelos próprios pés, alguém tomou as decisões   .

À direita, Paulo Rangel esteve em Santa Maria da Feira e procurou ligar Joe Berardo à anterior governação socialista. Depois de dizer que “não queremos mais ‘Berardos'”, Rangel considerou que personalidades como o comendador existiram em Portugal “para que a Caixa Geral de Depósitos assaltasse o BCP, e a Caixa e o BCP ficassem nas mãos de gente próxima do Governo socialista de José Sócrates”.

“É que Berardo não caiu do céu, Joe Berardo não é uma invenção de si próprio. É uma invenção de uma conjuntura político-económica em que havia um governo que queria controlar a banca e o usou a ele”, atirou o candidato social-democrata.

O desplante do governo para com o desplante do Joe Berardo

O governo em 2016 conhecendo já o desplante de Joe negociou com o comendador novo contrato para a exposição das suas obras no CCB.

Em 2016, já depois de ser pública a penhora de 75% dos títulos da ação Coleção Berardo por três bancos, o Ministério da Cultura renovou o protocolo com a Coleção, afirmando publicamente que não tinha conhecimento de qualquer penhora sobre as obras. Pela mesma altura, José Berardo e o seu advogado punham em prática um golpe jurídico para chamar novos acionistas (por si controlados, suponho) à Associação Coleção Berardo, diluindo a posição dos bancos credores. E como se tudo isto não fosse mau demais, o Estado ainda aceitou perder a opção que tinha de comprar a Coleção a um preço fixo determinado em 2006, tendo agora que se sujeitar à chantagem de Berardo e ao preço de mercado de obras que valorizam graças ao CCB e ao investimento do Estado.

Quem é que quer ser representado por um Estado que dá a mão a salteadores ?

Não foi só o Joe que nos envergonhou

Não me lembro de quase nada do episódio, mas lembro-me perfeitamente da cara que Zenal Bava fez quando a Mortágua lhe perguntou se não era amadorismo ter a 90% da tesouraria num só banco.
A Mortágua ficou famosa, os media chamaram-lhe de "estrela" e coisa do género. Mas a cara do Bava era de "nem acredito que fodi as poupanças de uns milhares valentes de accionistas e tudo isto vai passar como amadorismo". Claro que no raciocínio básico dos deputados portugueses, tinham vergado um tubarão famoso. Nem perceberam a cagada que tinham feito por dois minutos de fama. Bava, esse, deve ter ido para casa a assobiar pela rua de contente atendendo que nos USA estaria, no mínimo, preso a esperar julgamento, mas Mariana Mortágua fez-lhe o favor da vida. Agora era simplesmente amador.

A chicuelina que a Mortágua levou hoje de Berardo fez-me lembrar esse dia. O amadorismo de uma curiosa, armada em especialista para a televisão, faz o pior dos serviços à justiça, particularmente quando esse amadorismo não tem sequer a humildade de tentar perceber que não está lá para perseguir as pessoas ou atirar-lhes com seu ódio nacional-socialista, mas para averiguar se o estado - aquilo com que ela se devia preocupar - agiu bem ou não. E hoje, para além de Berardo, boa parte do tecido financeiro português foi para casa a assobiar de contente. Tudo porque há uma rapariga que não consegue ver a diferença entre ter umas luzes ou saber de facto das coisas. Hoje, em vez de se perceber se Berardo tinha sido o instrumento de uma conspiração de nível nacional, o que interessou foi se a CGD podia ir ou não tirar-lhe a vida opulenta.

A verdade é que esta "estrela" nos devia envergonhar a todos.

No CCB quem se senta à mesa no negócio com o Joe Berardo ?

Talvez se perceba melhor a pressa em colocar um avental no CCB . " A substituição de António Lamas no CCB por um boy de avental talvez tenha sido mais do que uma das prepotências com que o PS, bem representado por João Soares, costuma entregar-se à gestão da coisa pública. Antes fosse. O problema é ainda maior, parece-me. 

O mandato de Lamas, em circunstâncias normais, terminaria em Dezembro de 2017. Ora, segundo o protocolo que há dez anos José Sócrates assinou com Joe Berardo para instalar a famosa colecção do comendador no CCB, o Estado português está obrigado a exercer o direito de preferência na compra da dita colecção até ao fim de 2016, ou Berardo pega nos oitocentos quadros e esculturas e leva-os sabe-se lá para onde. Em circunstâncias normais, como aquelas que deviam rodear o fim do mandato de Lamas, o Estado e Berardo deveriam, pois, negociar o futuro - e o preço - da colecção em meados do corrente ano. Ou seja, daqui a três meses.
Continue a ler aqui

A CGD recuperou os mil milhões usados no controlo do BCP ?

Joe Berardo está falido. A CGD apresenta resultados negativos a que não serão alheios os muitos milhões emprestados para os negócios "finos". O BCP apresenta muitos milhões de prejuízo a que não serão alheios os jogos de controlo do banco que levou à nomeação de dois administradores íntimos de Sócrates.

Corre com insistência que os bens de Berardo terão sido arrestados pela Justiça a pedido dos credores. E quem vai pagar isto tudo não tem direito a saber a história toda?