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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Jaime Gama : tudo isto é ilusório

histórico socialista põe a boca no trombone . Há uma ilusão geral sobre a actual situação.

Alerta que "é muito fácil pregar as situações óptimas" e que "a opinião pública está anestesiada porque lhe é escamoteada a compreensão do problema [da dívida] e lhe é permanentemente afirmada a oferta ilusória que é impraticável". "A realidade far-se-á sentir na altura própria," adverte.

"Imagine o que é a perspectiva do endividamento português quando o BCE resolver deixar de comprar dívida aos Estados-membros. (…) Esses cenários não são discutidos. (…) Há uma ilusão geral muito grande em relação à situação que envolve a economia portuguesa," afirma esta quinta-feira, 23 de Março, o histórico socialista em entrevista a Maria Flor Pedroso, na Antena 1.

E critica ainda a ilusão de que Portugal conseguirá trilhar o caminho da recuperação da dívida sozinho e de que conseguirá limpar o passivo com o "aplauso" dos credores. "Acho que há aí uma ingenuidade enorme. (…) É uma matéria sobre a qual é possível fazer toda a espécie de demagogia, mentindo e salvando a sua imagem com propostas absolutamente ilusórias," acrescenta.

Mentira, ilusão, esconder, escamotear . Vindo de um socialista não está mal.

A crítica da esquerda oportunista contra a Europa

Não podemos ir pela crítica fácil e oportunista em tempos de vacas magras. Jaime Gama, o histórico socialista não tem dúvidas :

"Este é um momento difícil para a UE, e nós que somos a favor da União Europeia e não desistimos, não passamos uma certidão de óbito à UE, nós temos a responsabilidade de trabalhar no sentido de apontar caminhos, estruturar respostas e intervir para que a UE siga em frente dando o seu grande contributo para que a comunidade internacional fique mais estável, segura e próspera”.

Num claro recado aos partidos da esquerda que suportam o Governo e que não apoiam o projeto europeu, Jaime Gama apontou o dedo aos que se fixam na “descrença, no desinteresse, na piada fácil, na reivindicação imediata” e na “repreensão oportunista”. “Os que não passam certidões de óbito à União Europeia são os que estão no bom caminho”, disse, piscando o olho ao partido da casa, tradicionalmente europeísta a par do PS.

Sem maioria absoluta mas com o Constitucional

Jaime Gama diz que a situação política que aí vem é singularmente difícil. Sem maior absoluta de um só partido e com uma segunda câmara que é o Constitucional. A classe política teria dificuldade em arranjar uma situação tão difícil se fosse essa a sua intenção. É que há reformas que têm que ser realizadas, com atraso de pelo menos duas décadas, mas que são dificultadas  pelo sistema resultado da cobardia política de quem nos tem governado.

"Tudo leva a crer que o PSD e o CDS concorrendo coligados ou fazendo depois uma coligação não consigam uma maioria absoluta e também tudo leva a crer que o PS não consiga uma maioria absoluta. Portanto, vamos estar perante uma situação nova".

Já andam por aí uns partidos novos a juntar os cacos. Mais tarde ou mais cedo a democracia encontra soluções.