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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Onde há muito dinheiro as razões altruístas não contam

A Indústria Farmacêutica está agora a todo o vapor . O dinheiro da UE para a investigação do coronavírus é muito.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da Comissão Europeia (CE) sublinhou que está a ser investida "uma verba significativa de dinheiro em pesquisa e inovação na saúde, nas alterações demográficas e no bem-estar, assim como na sustentabilidade ambiental e na ação climática, com o foco nos desafios da sociedade e atacando as necessidades médicas e ambientais"

Sobre a postura das grandes farmacêuticas, a especialista considerou que "muitas multinacionais estão agora envolvidas na pesquisa da vacina e de tratamentos contra o coronavírus, uma vez que agora existem enormes quantias de financiamento público mobilizado na União Europeia e a nível global. Mas não necessariamente por razões altruístas".

Por seu turno, Martin Pigeon, investigador do CEO, considerou que "já é tempo de a política de investigação e inovação da UE receber o escrutínio político e os debates que merece", a bem do interesse público.

"O que está em jogo aqui é a captura corporativa de grandes áreas da política e dos orçamentos de pesquisa da UE, às custas das necessidades públicas, da nossa saúde e da saúde do nosso planeta", destacou.

É a indústria privada que desenvolve os medicamentos

O CAPITALISMO NÃO É ASSIM TÃO MAU

Não simpatizo particularmente com clivagens entre público e privado. Conforme estamos a testemunhar agora, há no público fantásticos profissionais de saúde a darem tudo de si.

Mas também não gosto de quem diaboliza a livre iniciativa (sector privado, ou seja, modelo capitalista). É a indústria farmacêutica privada que nos tem trazido nos últimos anos uma série de medicamentos com resultados fantásticos.

É uma indústria de capital intensivo que paga bem aos seus colaboradores. Andava a correr nas redes sociais um post, que não sei se é fake, em que uma investigadora espanhola dizia que, ao contrário de um Messi ou Ronaldo, só ganhava 1.800€. Trabalharia talvez num obscuro instituto público. A indústria farmacêutica para atrair e reter os melhores paga bem. Um investigador ganha à volta de 120.000 USD/ano. Cada medicamento que a Johnson & Johnson desenvolve representa um investimento de 5885 milhões de dólares. Cada medicamento que a AstraZeneca coloca no mercado tem um custo de desenvolvimento de 11 790 milhões de dólares. Para quem não está habituado a grandes números direi que custa quase tanto à AstraZeneca desenvolver um medicamento como o valor (capitalização bolsista) da mais valiosa empresa portuguesa (EDP). Um medicamento da AstraZeneca “vale mais” que uma Galp inteira.

Defender o SNS da Hepatite C e dos preços pornográficos

Há pouco mais de um mês vimos instituições públicas, médicos e representantes dos médicos a fazer lobby pela indústria farmacêutica. Iam morrer umas dezenas de doentes por falta do novo medicamento que cura a doença. O preço proposto é imoral, mas nada trava estes interesses poderosos de lançar campanhas na comunicação social . Matar gente, nada menos.

Os verdadeiros defensores dos doentes e do SNS recusaram o alarmismo e foram estudar o problema. E, como era de prever há soluções que defendem os doentes e o SNS. "Para o efeito propõem que o "tratamento da Hepatite C em Portugal se baseie apenas na associação dos novos antivirais", por oposição aos atuais tratamentos que, diz, são comercializados "a preços verdadeiramente pornográficos e incompatíveis para qualquer sistema de saúde".

Claro que a gentinha do costume apressou-me a bater palmas apoiando a indústria farmacêutica a coberto do sempre renovado "interesse público". Têm aí a resposta.