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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A OCDE não surfa a onda do optimismo

A OCDE avisa com caldos de galinha. Isto não é sustentável e o seu indicador para Portugal recua pelo sétimo mês consecutivo.

O indicador que dá uma avaliação qualitativa indica para Portugal um valor abaixo dos 100 enquanto a zona euro permanece acima dos 100 . Sinaliza assim que a economia em Portugal pode derrapar no prazo de seis a nove meses.

E a tão cantada redução do desempro afinal mantém-nos nos 10,1% acima do propagandeado pelo governo anuncia o INE.

Há duas semanas atrás as agências de notação financeira não mexeram na avaliação do risco da dívida mantendo-nos no "lixo" e dependentes do ventilador DBRS, única a que nos mantém ligados à máquina do BCE.

Parece que lá fora não vão no irritante optimismo do primeiro ministro. Já foi assim no tempo de Sócrates, já tínhamos batido contra a parede e ainda havia quem rezasse pelo PEC IV...

Há quem vá a pé a Fátima... 

Só por cima do cadáver da Alemanha

É claro que os indicadores positivos ( que há alguns) são melhor que nada mas são tão poucochinhos que pouco são melhores que nada.

As reversões e o apregoado fim da austeridade puseram os investidores em alerta e é por isso que a nossa dívida é o pior negócio para os tomadores e que os juros sobem mais que todos os outros.

Não há investimento, a economia não cresce, a dívida aumenta e os juros sobem. Uma situação perto do dramático. Os partidos da extrema esquerda clamam por renegociar a dívida já que, o governo não o pode fazer porque no nosso caso, implica perdão parcial da dívida. Só por cima do cadáver da Alemanha. 

O colunista da Bloomberg lamenta que o Governo tenha, por sinal, “perdido o apetite por controlar o endividamento e manter a troika longe”. Os investidores estão a começar a aperceber-se que algo mudou na política portuguesa e os próximos tempos não se afiguram fáceis.

O que é irónico é que António Costa está agora a perceber o que Jorge Sampaio disse há alguns anos. Há vida para além do défice .

 

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Os indicadores para a economia são paupérrimos

Além da taxa de juro a 10 anos que é muito alta ( 4% contra 1,5% da Espanha) a dívida e o crescimento da economia são frágeis e não contribuem para que o país saia do procedimento dos défices excessivos. Não basta ter um défice abaixo dos 3% é preciso ser sustentável mas o andamento da dívida , dos juros e do crescimento não dá garantias. 

O analista responsável pelo soberano de Portugal afirmou que a agência estará atenta a uma trajetória de redução da dívida (pública e externa) e do crescimento económico.

“O que aconteceu é que [as trajetórias destes indicadores] estagnaram. Para fazermos qualquer ação positiva sobre o rating no futuro temos de nos focar nisto”, afirmou.

Federico Barriga mostrou-se preocupado com o crescimento económico e com os níveis de endividamento externo, afirmando que “o que a economia portuguesa deve ao resto do mundo continua a ser muito elevado”.

“O crescimento económico é importante para reduzir a dívida, mas um crescimento de 1,5% [conforme prevê o Governo para 2017] não vai mudar a dinâmica da dívida . E para 2018 o governo prevê um crescimento de 1,7%. Vá lá já não mentem como quando previam 2,4% de crescimento para 2016 .

Três indicadores de que as coisas não estão bem

A saber :

Depois de um ano, há três indicadores claros de que as coisas não estão bem:

  1. O primeiro foi o aumento dos juros. No verão de 2015 eram 1,5% a 10 anos, com uma diferença face a Espanha de 0,5 p.p. e uma diferença face à Alemanha de 1,8 p.p.. Agora estão perto dos 4%, com uma diferença de 2 p.p. face a Espanha e de quase 4 p.p. face à Alemanha.
  2. O segundo é que o crescimento económico, mesmo com o terceiro trimestre, foi inferior ao do ano passado. Sinal que o investimento não arranca (falta de confiança) e a aposta no consumo interno é errada.
  3. O último vem da dívida pública. Entre janeiro e outubro aumentou cerca de 12,5 mil milhões de euros. Se o défice em Pública é de 5,5 mil milhões, não houve recapitalização da CGD, só se amortizou antecipadamente dois mil milhões ao FMI (dos seis mil milhões previstos de amortização antecipada) e os depósitos que eram 10% do PIB passaram para 11,5% (mais três mil milhões), há aqui cerca de 2 mil milhões de financiamento a mais. Se for défice, lá vão as contas parar aos números que sempre referi.