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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A culpa dos incêndios não é das alterações climáticas

A culpa é dos sucessivos governos que não mandam limpar o combustível acumulado na floresta por anos e anos de incúria. Depois disto o ministro da maior reforma da floresta não se demite ? E o primeiro ministro que é o principal responsável da estratégia seguida em Portugal desde que foi ministro da administração interna ?

Qual foi a maior surpresa do que viu neste mês que aqui esteve?

A rapidez com que o combustível já aumentou desde a última vez que cá estive, em novembro de 2017. Piorou mesmo muito. Pensei que vinham aí grandes problemas de novo. O que vamos fazer? Reduzir o combustível. A minha equipa que esteve na zona de Pedrógão e em Monchique viu postes de eletricidade sem o terreno limpo de vegetação à roda, quando esta foi uma das causas de incêndios. Não estamos a aprender as lições. E digo "nós" a uma escala global.

O governo promoveu durante alguns meses a limpeza das florestas e muita gente fê-lo...

Mas tem de haver continuidade. Se não houver, o problema até piora. As sementes germinam mais depressa.

As políticas públicas deste governo são esta permanente mediocridade . E não é só na floresta.

As preferências do fogo - são indiferentes ao tipo de vegetação que encontra pela frente

No caso de Monchique a área ardida é proporcional ( na verdade igual) à area plantada. Já se sabia que é assim Monchique só confirmou . Os eucaliptais não ardem nem mais nem menos, ardem mais se forem a espécie com maior área plantada . Tal como as outras espécies.

O fogo de Monchique afectou os grandes tipos de floresta e mato na proporção quase exacta em que estavam presentes, não tendo “preferido” (nem “evitado”) nenhum deles, fossem eucaliptais ou sobreirais .

Lá se vai a teoria dos que odeiam a indústria da celulose.

Todos revelaram igual propensão para arder. Verificou-se o mesmo para tipos de ocupação do solo com menor extensão, como as áreas agrícolas e as de outros tipos de floresta, ou seja, a propagação do fogo foi essencialmente indiferente ao tipo de vegetação que encontrou pela frente.

Fogos que ardem sem se ver

Para além dos incêndios há outros fogos que ardem sem se ver .

...sabemos que há mais sectores onde caminhamos sistematicamente em cima do arame.

Sabemos que é assim com a sustentabilidade das contas públicas e da dívida. A bancarrota de 2011 tornou o problema evidente e inegável para todos. Mas nem tinha começado aí nem está resolvido. Longe disso. Entre a austeridade urgente assumida e a austeridade disfarçada transformada em gestão orçamental corrente, continuamos expostos aos solavancos económicos que, tarde ou cedo, acontecerão inevitavelmente.

Incapazes de reformar e tornar o Estado sustentável, achamos que é com cativações que o problema se resolve. Não é. A redução do défice que está a ser feita credibiliza o país e ajuda a conter a dívida mas o método seguido tem prazo limitado, como se tem visto pelo impacto nos serviços do Estado.

Com a Segurança Social não é diferente. Não há governo que não jure que salvou o sistema.

Chegaram os incêndios desapareceu o António Costa

Tal como o ano passado António Costa desapareceu. O país arde e o primeiro ministro foge. É uma cobardia política inaceitável.

Na Grécia o primeiro ministro apareceu no local da tragédia e assumiu a responsabilidade política . O ministro da administração do território demitiu-se. Por cá não só desapareceu o primeiro ministro como o ministro respectivo ao fim de três dias veio aplaudir a coragem das populações. E é claro tudo está a correr como seria de esperar.

O ano passado ardeu onde havia material combustível acumulado este ano arde onde há material combustível acumulado. Nenhum avanço na estratégia. Depois de começar a arder foge o governo e aparecem os bombeiros. Tudo como dantes.

O país devia exigir que António Costa voltasse, interrompesse as férias e assumisse a responsabilidade política. É que fugir com a desculpa que estava fora do país não colhe quando a tragédia está prometida e em plena repetição.

O PCP e o BE não tugem nem mugem. Grandes partidos ao lado do (seu) povo em sofrimento.

Portugal é a Grécia

Governos fracos e administrações incompetentes incapazes de planear a longo prazo levam ao desespero e à morte . Maus serviços públicos apesar da elevada carga fiscal.

Está a acontecer no sul quente e seco. Está a acontecer onde os Estados são falhos, governados à vista desarmada e tomados por administrações públicas lideradas por incompetentes promovidos por cunhas e cartões partidários, incluindo nas suas proteções civis. Portugal e Grécia são casos diferentes mas ambos estão há anos tomados por governos com total incapacidade estratégica de longo prazo (o que nos incêndios se vê na floresta e no ordenamento do território), por comportamentos sociais desvinculados e por uma sujeição orçamental a que chamamos austeridade: impostos muito elevados para pagar despesa pública e corte de meios e serviços públicos por exaustão (o que nos incêndios se vê na falta de recursos de combate).

Esta combinação de incompetência na estratégia e na ação, de falta de planeamento e de falta de meios, leva perfidamente à resignação inaceitável: a da fatalidade. Como se morrêssemos nos incêndios porque a natureza está assim e vida é isto.

Finalmente, o terceiro traço, o de que Portugal e Grécia são países da União Europeia resgatados por uma austeridade então necessária mas disparatada na profundidade com que se espetou a faca na ferida, pelo experimentalismo económico e pela raiva vingativa de políticos e países do Norte. Quiseram fazer uma purga. Criaram um purgatório. 

Embora o que Portugal passou não se possa comparar ao que passou ( está a passar) a Grécia.

Nova época de incêndios está a ser preparada ( não é gralha)

Não, não é engano. É mesmo a nova época de incêndios que está a ser preparada quando se esperava que se preparassem os  meios de combate e a limpeza dos terrenos para a evitar.

Os meios aéreos, já se sabe, não levantam voo e a organização dos meios terrenos está pelas ruas da amargura.  De tal forma que Marcelo já veio avisar que em caso de repetição do desastre não terá condições de se recandidatar. Ora, o presidente é quem anda no terreno a ouvir as pessoas e as organizações e, se, coloca essa possibilidade é porque ela não só é possível como provável. E, assim sendo, acontece mesmo.

Agora no meio de Maio o comandante da Protecção Civil demitiu-se por razões pessoais , leia-se , no meio desta barafunda vou-me embora a tempo. Logo lhe saltaram à perna uns tantos ( os mesmos de sempre) a confirmarem que o que se passa longe do nosso conhecimento é mesmo mau .

O governo de imediato nomeou um novo comandante para encurtar o tempo de debate não curando de nos explicar as causas da demissão, é bem de ver.

E já há quem lembre que estas nomeações em pleno período de incêndios não se recomendam como se verificou nos desastres do ano passado. Tudo isto cheira a debandada.

Ficam os que vivem nas zonas que ardem e os operacionais .

O ex-secretário de Estado dos incêndios não presta declarações

Cinco dias antes dos grandes incêndios os operacionais no terreno pediram ao governo reforço de meios humanos e aéreos. A resposta foi uma mão cheia de nada. O resultado foi uma catástrofe com 112 mortos e outros tantos feridos.

O ex-secretário de estado que perante o relatório independente logo veio publicamente negar as falhas de que o Estado era acusado diz agora que não presta declarações. O que se compreende pois a fonte da notícia é o documento em que o pedido é feito. Não há como negar.

Responsáveis não há. António Costa já veio dizer que perante novo desastre não se demite . Depois de umas férias, passada a indignação, lá estará com as televisões a tiracolo a jurar que é preciso tomar medidas. Ó minha senhora não me faça rir , dirá entre o divertido e o preocupado depois de analisar as sondagens.

“Face à previsibilidade da manutenção de risco elevado de incêndios florestais, com base nas previsões meteorológicas que apontam para a manutenção de temperaturas acima da média e considerando a significativa redução de dispositivos de bombeiros, submete-se à consideração um reforço desse dispositivo”, refere o documento em causa, citado pelo matutino."

 

 

Um governo em estado de negação

O relatório sobre os incêndios veio mostrar que o governo continua em estado de negação.

É ouvir o que vários membros do governo e do PS têm dito sobre o relatório independente. A falta de humildade é patente. Todos têm culpa menos o governo até porque as propostas e as conclusões do relatório ou estão no terreno ou estão prestes a lá chegar. Ninguém ensina nada a António Costa e companhia.

MP vai usar relatório dos incêndios para acusar responsáveis

Não pode ser de outra forma perante o relatório que foi publicado pela Comissão Independente aos fogos de Outubro tais são as óbvias responsabilidades do governo.

O Ministério Publico tem que investigar as falhas apontadas, os meios humanos e técnicos recusados, os avisos não escutados.

Há uns meses atrás a ministra da Justiça, inopinadamente, veio falar da não renovação do mandato à PGR . Afastar uma magistrada com provas de independência e que corta a direito. Calculo o que será agora com a publicação deste relatório.

É, claro, que tudo vai ser resumido em mais uma campanha contra o PS e seus apoiantes.

Pois se a pré-bancarrota a que Sócrates levou o país é culpa do PEC IV que esperar de um processo que envolveu mortes de pessoas inocentes ?

Só pode ser uma campanha.