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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Se o doente for a prioridade maior todos entendem

O que se pode esperar de um Serviço Nacional de Saúde que acumula listas de espera de meses ? Que resposta dar a um utente do SNS que se vê forçado a esperar meses (ou anos) por uma cirurgia num hospital público quando ela poderia realizar-se, de pronto, numa instituição não-estatal a preço equivalente?

É esta a questão que não tem refúgio porque há que escolher entre a ideologia que privilegia a relação entre o público e o privado e a prioridade a que o doente tem direito. 

E, sim, o preço é equivalente como não pode deixar de ser . O argumento que o dinheiro dos impostos é público e, como tal, não deve ser usado na privada, é de uma hipocrisia sem nome só possível em radicalismos ideológicos cegos.

Usam o benevolente desejo de não quererem extinguir o sector privado desde que os doentes o paguem, assim deixando quem não pode pagar a morrer nas listas de espera. 

É estúpido, inaceitável e desumano .

A actividade dos hospitais privados cresceu acima da dos hospitais públicos

Em 2017 a actividade dos hospitais privados cresceu acima da dos hospitais públicos. Porque será ?

Com a degradação dos serviços hospitalares públicos é muito natural que os doentes fujam das listas de espera de meses e das urgências a abarrotar de gente. O que fica para reflectir ( para quem está de boa fé) é o que aconteceria se o SNS fosse um monopólio do Estado. Sem opção o que seria dos doentes sem os milhões de consultas e de cirurgias realizadas nos hospitais privados ?

Mais uma prova de que para o BE e para o PCP as pessoas não contam no altar da ideologia.

Depois desta greve quem quer uma saúde pública monopolista ?

Há cada vez mais doentes a recorrer aos privados e ao sector social. E até aqui a razão principal era a incapacidade do SNS responder á procura. Listas de espera em consultas e em cirurgias que atingem mil dias . Urgências a transbordar .

Mas agora com a greve dos enfermeiros atingimos um novo patamar. Doentes oncológicos não são operados e suspendem o tratamento. Ultrapassou-se a barreira vermelha . A margem que separa a vida da morte .

A Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros avisa o Governo para o risco de surgirem formas de luta “mais incontroláveis” que não sejam suportadas por sindicatos, considerando que os enfermeiros não ficarão serenos face à decisão de requisição civil.

A presidente da ASPE, Lúcia Leite, rejeita os fundamentos para a requisição civil decidida hoje em Conselho de Ministros e considera que o Governo “optou por um caminho que parece fácil, mas que lhe pode trazer dificuldades bem maiores no futuro”.

“Não acredito que os enfermeiros, depois de verem como os governantes os desrespeitam, vão ficar serenos com esta decisão”,

Quem é que a partir de agora ainda defende o monopólio da prestação de cuidados hospitalares públicos ?

Um seguro público pago por todos para salvar o SNS

A oferta de saúde pública, social e privada instalada já não é suficiente para a procura. As listas de espera de mil dias para uma consulta não deixa lugar a dúvidas.

Há muitas experiências internacionais que podem ser replicadas, como é o caso da Holanda, dos Países Nórdicos, da Bélgica, da Alemanha ou da França. Em Portugal, no estado em que está a assistência pública, ninguém poderá ficar isento de contribuir para o seguro público, mesmo que tenha adquirido um seguro privado. O seguro privado, mesmo que tenha vantagens momentaneamente aparentes, nunca poderá garantir os níveis de cobertura e duração que um seguro público – semelhante à ADSE que teria de se converter para este modelo mais expandido – terá de garantir.

Já há mais hospitais privados do que públicos

Se há cada vez mais atrasos e filas de espera para consultas e cirurgias nos hospitais públicos havia de ser bonito se não existissem os hospitais privados.

Era uma ultrapassagem esperada há já algum tempo. Pela primeira vez, o número de unidades de saúde privadas em Portugal ultrapassou as públicas. Em 2016, existiam, segundo os dados agora divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), 225 hospitais no nosso país, sendo que 114 eram privados e 111 pertenciam ao Serviço Nacional de Saúde.

Ao longo dos 10 anos em análise “os hospitais privados ganharam importância na prestação destes cuidados, com um valor (1,2 milhões de atendimentos) que duplica o de 2006 (cerca de 600 mil atendimentos)”, refere o INE.

Segundo o INE, o aumento no número de consultas médicas ocorreu principalmente nos hospitais privados.

O número de consultas médicas na unidade de consulta externa dos hospitais aumentou 2,8% entre 2015 e 2016, de forma mais expressiva nos hospitais privados (+7,9%) do que nos hospitais públicos ou em parceria público-privada.

Em 2016, os hospitais privados foram responsáveis por 34% do total de consultas (mais 484 mil consultas face ao ano anterior, o que representa 90,7% do aumento total de consultas).

E à medida que a prestação do serviço no SNS se degrada aumenta a procura nos hospitais privados. A bem dos doentes

 

Cuidado que os hospitais privados podem ter lucro

Milhares de doentes necessitados de cirurgia esperam muito para além do prazo considerado seguro. Entretanto os hospitais privados que podem fazer estas cirurgias estão com capacidade não utilizada. Importa a saúde dos doentes ? Não, o problema mesmo é que os hospitais privados possam ter lucro.

No CTHS estão cerca de 13 mil doentes em lista de espera para a primeira consulta, quatro mil que aguardam cirurgia e mais de 500 com processos pendentes. Também no Centro Hospitalar do Baixo Vouga foram detetados agendamentos falsos para contornar os prazos máximos impostos por lei.

Já existe a possibilidade de estes doentes serem transferidos para os privados ao abrigo do "cheque-cirurgia" mas nem assim. A ideologia fala mais alto que as necessidades e a saúde dos doentes. O estado único prestador de cuidados médicos dá nisto em que os únicos prejudicados são os doentes

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Salvar o SNS poupando no privado

É o que diz um relatório apresentado esta semana. E há várias experiências bem sucedidas de hospitais públicos que decidiram externalizar os serviços de análises clínicas. Se os hospitais do Serviço Nacional de Saúde entregassem a maior parte dos exames que fazem a laboratórios no exterior poderiam poupar anualmente entre 53 e 80 milhões de euros.

Alertam, por outro lado, que outros países em dificuldades semelhantes às de Portugal optaram por enfrentar os problemas financeiras com “novos modelos de gestão que têm como meta assegurar a sustentabilidade dos serviços de saúde”. Entre essas estratégias o estudo destaca a “externalização de serviços, que incluem a redução de custos com a saúde, o aumento da eficiência, capacidade e flexibilidade das instituições de saúde e consequentemente a melhoria global dos resultados da saúde”.

O estado não tem que ter o monopólio da prestação dos cuidados de saúde.