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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O país parece por vezes uma caricatura feudal

Se todos os portugueses fossem racionais, só quereriam trabalhar para o Estado. E não existiria ninguém disponível para ter o mais pequeno negócio, fosse uma pequena padaria ou um grande supermercado, ou até uma clínica. Será esse o país que querem alguns ministros deste Governo, designadamente o ministro da Educação e a ministra da Saúde?
O país parece por vezes uma caricatura feudal. A corte tem direito a tudo, os outros não têm direito a nada. A dimensão da dualidade, diagnosticada há anos, agravou-se nos últimos tempos, falhadas que foram as tentativas de aproximar mais os direitos da administração pública dos direitos do sector privado.
Vários têm sido os episódios a mostrarem que há “uns mais iguais do que outros”. Comecemos pelo caso dos testes à Covid-19 nas escolas, o mais recente. Não se percebendo muito bem de quem foi a ideia rapidamente corrigida, o Governo preparava-se para fazer os testes apenas nas escolas públicas. Mensagem subjacente: devem dar aulas e colocar os vossos filhos nas escolas públicas se querem ter acesso àquilo que o Estado deve garantir a todos os cidadãos, condições sanitárias seguras.
É uma forma de organizar a sociedade, impedir o ensino privado. Mas se é isso que os governantes querem devem ser mais claros e se calhar começarem por praticar em sua casa. Era interessante perceber quantos governantes têm os seus filhos em escolas públicas.
O ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues é aliás reincidente nesta sua atitude em relação ao ensino privado – mas ao contrário. Quando o Governo andou ainda convencido que ia apenas interromper por uns dias o ensino, o ministro queria proibir as escolas privadas de ensinarem à distância. Recuou depois, quem sabe preocupado com a imagem que estava a dar no exterior, quando viu a sua decisão – que passados alguns dias desmentiu – aparecer nos jornais internacionais.
A ministra da Saúde é um caso ainda mais grave, até porque ainda é mais dramática, nos seus efeitos, a gestão da pandemia que tem entre nãos. Marta Temido parece fechada na sua tribo. Foi, desde o primeiro momento, incapaz de unir todo o sistema de saúde, criando conflitos desnecessários com o sector privado. Se não quer que exista saúde privada em Portugal deve dizê-lo e, no limite, convencer o PS a colocar isso no seu programa.
Sem que se perceba bem porquê, o Ministério da Saúde resolve dar prioridade aos professores na vacinação, quando não há vacinas que cheguem e o sindicato dos médicos tem denunciado que ainda há muito por fazer na saúde e nos serviços de segurança. Além disso, os países mais adiantados têm provado que a estratégia mais eficaz é começar pelos mais velhos ou por aqueles que têm doenças crónicas. Não sabemos se a ministra está alinhada com o seu colega da Educação e quer vacinar apenas o pessoal das escolas públicas, mas o que demonstra esta decisão – ou este anúncio – é a incapacidade de manter uma prioridade fundamentada e de resistir a pressões.
Será que não se percebe que protegendo o mais depressa possível os avós – alguns que são também professores e auxiliares – estamos a reduzir significativamente a mortalidade da doença que nos está a arrasar? Para além dos sectores mais expostos como a saúde e a segurança, a idade, independentemente da profissão, de trabalhar no sector público ou no privado, deve ser a prioridade das prioridades. Ou será que ninguém lê os resultados que estão a ser divulgados em países como Israel, um dos mais avançados na vacinação.
Um outro aspecto que revela a distância dos governantes em relação aos que têm o seu negócio privado para viver é o dos calendários de desconfinamento. Não será possível anunciar com um pouco mais de antecedência quais as actividades que vão ser autorizadas a abrir, especialmente depois de terem estado tanto tempo fechadas? Soubemos na quinta-feira à noite o que podia abrir na segunda. Deram-se três dias às pessoas para organizarem tudo. E se há casos que podem ser simples – como uma livraria – há outros que não é assim, como as creches. Não poderá o Governo dar pelo menos uma semana às pessoas para se prepararem? (Acrescente-se que este desconfinamento é tudo menos a “conta-gotas”. Estamos a correr riscos e esperemos não ter de encerrar de novo).
A pandemia expôs várias fragilidades da sociedade portuguesa. Uma delas já a conhecíamos bem, a da vantagem dos que trabalham para o Estado. Estavam (e estão) protegidos no emprego. A pandemia mostrou que estão também protegidos no acesso à saúde, quer por via da ADSE, quer através das vantagens adicionais que o Governo por vezes lhes quer dar. Se queremos construir uma sociedade mais igual temos de evitar tratar uns como privilegiados. Todos pagamos impostos, todos somos cidadãos portugueses. Devíamos ser tratados de forma igual e não divididos entre os que trabalham para o Estado e os que trabalham para o sector privado. Ou teremos todos de querer trabalhar no Estado."
Uns têm tudo, outros nada?

O medo do Montepio e dos devedores do BES

A Helena Garrido está perplexa como nós todos devíamos estar :

Na última semana ficámos a saber que a Associação Mutualista Montepio Geral consegue obrigar o Governo a mudar leis. E que não se enfrentam devedores do Novo Banco por medo.

Por motivos insondáveis, assistimos à incapacidade ou falta de vontade do Governo de avaliar a idoneidade de António Tomás Correia para se manter à frente dos destinos do Montepio Geral Associação Mutualista.

E as declarações na Assembleia da República de dois responsáveis não deixam dúvidas que há medo dos devedores do BES. Melhor, de alguns devedores do agora Novo Banco.

É preciso dizer "não" algo que António Costa tem muita dificuldade em dizer. E quando diz é porque tem uma truque na manga . Não tem dinheiro para os professores mas já arranjou dinheiro para a redução do custo dos passes dos transportes públicos em Lisboa e no Porto.

A oposição tem nestas matérias muito a dizer . Se não tiver medo .

Sonhos que viram pesadelos - Helena Garrido

A nossa escolha não é entre mais ou menos austeridade, ou mais esquerda ou direita. A escolha que temos é entre ficar no euro e aceitar o desafio do desenvolvimento integrado na Europa ou sair do euro e autocondenar-nos ao subdesenvolvimento. Vender a ilusão de que há uma via que nos vai aumentar rapidamente e sem esforço o rendimento e as pensões ou combater o desemprego e a pobreza é lançar o país para um pesadelo político, económico e financeiro.