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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Os patrões estão zangados com este orçamento

O governo corre o risco de encontrar as salas vazias quando convidar os empresários para reuniões. É que há muito que um orçamento é tão pouco amigável dos empresários . E o presidente da CIP já avisou.

Contrariamente ao que pensa o primeiro ministro (chapa ganha chapa distribuída) a chapa não é ganha é produzida e acerca da produção de riqueza este orçamento não tem nada. É o próprio governo que prevê a redução do crescimento da economia em 2018 e crescimento ainda mais baixo e a divergir com a Zona Euro  em 2019.

Mas neste orçamento o que se vê é o aumento da despesa pública a par do aumento da dívida. Continuamos a pedir dinheiro emprestado e continuamos com um encargo dos juros da dívida colossal (7,9 mil milhões) . É tão assim que PCP e BE já andam com a história da carochinha da renegociação da dívida. Primeiro gastam ao desbarato e depois querem convencer os credores a facilitar o pagamento da dívida. Os empréstimos e o seu contrário. Um fartar.

E é claro que os empresários nacionais não tomam decisões de investimento e  a captação de investimento estrangeiro não se realiza. Menos produção de riqueza, menos postos de trabalho, menos receitas para o Estado. Menos exportações e mais importações e pior défice externo. Um fartar.

E se a derrama do IRC aumentar de 7% para 9% conforme exigência dos extremistas os empresários podem sempre tornar mais rigoroso o seu planeamento fiscal. Menos receita para o Estado . 

Depois de distribuída pela administração pública a pequena almofada conseguida, mas mantendo o "enorme aumento de impostos" sobre os privados, a vida do governo não tem sido fácil e vai tornar-se mais difícil.

Em apenas dois anos a "solução conjunta" é um saco de gatos à procura da melhor forma de lixar os parceiros . Sempre soubemos que era uma questão de tempo, não se pode juntar um PS europeu com um PCP e BE anti-europa.

António Costa e Mário Centeno já deram o que tinham a dar para este peditório. E o PCP e o BE vão continuar a exigir até baterem de frente ou fazerem o país cair no buraco que tão afanosamente estão a abrir.

 

O governo chega ao fim da legislatura ?

Foi mau de mais. António Costa e o seu governo revelaram o que têm de pior. E aquelas cenas trágicas vistas por centenas de milhares de portugueses não se esquecem.

Que consequências para o governo e para os partidos que o apoiam ? O PCP já veio afastar-se criticando duramente. O Bloco de Esquerda entrou num silêncio obsceno.

Depois destas tragédias vamos continuar a ver os sindicatos a exigirem mais dinheiro para os seus membros sabendo nós, que o governo anda a cortar verbas nas actividades onde podem morrer pessoas ? É justo que PCP e BE continuem a negociar mordomias para os seus eleitorados enquanto morrem à míngua de meios os mais pobres e isolados ?

Neste ano e meio de governação não há uma única reforma que tenha tocado nos interesses instalados no estado. Pode continuar assim o resto da legislatura ?

Na votação da moção de censura o PCP e o BE vão ter que optar perante esses milhões de portugueses que choram a morte de mais de cem pessoas. A governação tem sido boa ? O país está melhor pese a boa conjuntura que atravessa ? A margem financeira conseguida é para pagar o apoio parlamentar do PCP e do BE ?

Governar Lisboa é governar o país ?

É dramático governar assim

O governante - secretário de estado da administração da saúde - deixou escapar o enorme problema que o governo enfrenta. E estava a referir-se apenas à saúde porque há outros sectores na administração pública onde se pensa que para a despesa pública o céu é o limite.

Entretanto, os avisos são mais que muitos, numa tentativa de repor alguma normalidade no que ameaça ser o caos. Como se escreve aquiaqui .

A indicação que passou para a sociedade é que Portugal estava novamente com dinheiro, com as contas públicas consolidadas, que a tempestade estava afastada. Essa percepção está a voltar-se contra o governo com os seus parceiros a quererem mostrar serviço. Se há "folga" há que aumentar salários e pensões, descongelar carreiras e reduzir impostos . Tudo de uma vez.

E o governo agora tem que dizer a verdade. Não há dinheiro, não há folga,  não pode aumentar a despesa nem reduzir impostos. Porque o crescimento da economia não chega para isso, a dívida não desce e o saldo externo deteriora-se de uma forma dramática.

A reposição de rendimentos conduz à compra de bens de consumo duradouro, com uma componente importada da ordem dos 90%, que no caso dos automóveis é ainda superior.

O governo joga ansiosamente no tempo, esperando que a economia cresça mais à boleia do bom ambiente externo . António Costa é um político com sorte mas se calhar vai mesmo precisar de muita sorte mais do que a tem tido.

 

Governar com as estrelas económicas alinhadas

O timing é tudo. Governar com as estrelas alinhadas é quase tudo mas há que reconhecer que alguém as alinhou.

Em resumo, o trabalho do Governo resultou também porque as "estrelas económicas internacionais estavam alinhadas" quando Costa chegou a São Bento e porque o Executivo teve a "boa sorte" de não ser "cilindrado pelas políticas impopulares de um governo em tempos de crise".

A sustentar fundamentalmente a melhoria da situação do país estiveram, defende, as boas perspectivas para a Zona Euro e para a economia global, que permitiram reforçar as exportações e estimular o investimento. Mas também há contributos que vêm de trás: "Os socialistas estão também a beneficiar dos frutos das reformas dolorosas no mercado do trabalho do anterior governo de centro-direita," defende o texto assinado pela jornalista Mehreen Khan.

Disposto a desistir de governar para poder governar

O PS comprou a paz das ruas com o acordo com o PCP e o BE, que não teria se governasse em maioria absoluta. É por isso que não quer ter maioria absoluta.

Que diriam os partidos da extrema esquerda perante o que se passa com as cativações e a degradação dos serviços públicos se não tivessem que cumprir o acordo ? A troco de cedências, Costa conseguiu meter no bolso a força sindical do PCP e a força mediática do Bloco. 

O preço visível deste sossego é a aceitação de medidas negociadas com a esquerda dura: o aumento do salário mínimo para 600 euros, a reversão das privatizações dos transportes (crucial para os sindicatos do PCP), etc. Neste ciclo político chama-se a isto "cumprir os acordos". Mas há outra forma, implícita, de cumprimento: a inacção do Governo. Inacção na Segurança Social, área em que a última reforma de fundo foi do PS. Inacção no trabalho, área em que o PS deixou as medidas de Mário Centeno. Inacção na política orçamental, área em que um exercício de revisão de despesa tem um objectivo risível de 50 milhões de euros. Inacção na escolha das áreas em que o Estado deve reforçar ou cortar.

Como lembrou Alexandre Homem Cristo esta semana no Observador, todas as reformas nos últimos anos - da Segurança Social à Educação, passando pelo Trabalho - foram feitas contra a oposição do PCP e do Bloco .

Pode acontecer que o governo arda este verão

António Costa optou por uma táctica de disseminação de responsabilidades — como bem notou António Barreto no Diário de Notícias. Num primeiro momento, cedeu ao PSD a criação de uma equipa de peritos no âmbito do Parlamento e disparou perguntas e inquéritos, para, depois, impor a "lei da rolha" aos bombeiros. E, desde o início, desvalorizou o papel de esclarecimento público do Estado e a responsabilidade política do Governo.

Mas, perante a pressão da comunicação social, Costa despistou-se. Levado pelo seu excesso de auto-suficiência, começou a precipitar-se nas respostas, como na declaração de que estava tudo esclarecido sobre os mortos de Pedrógão. E colocou-se no "olho do furacão". Nada indica estar em causa a solidez da maioria que apoia o Governo, mas pode até acontecer que o Governo arda este Verão. Se isso acontecer, dever-se-á apenas à incapacidade do primeiro-ministro de evitar tropeçar no novelo que criou.

PS : São José Almeida - Público

Governar a partir de agora

Até agora só foi preciso alguma habilidade, baralhar e dar de novo para que tudo fique na mesma. A partir de agora é preciso tomar opções governativas de fundo e as diferenças ideológicas dos três partidos vão criar problemas. Como já se vê . O PS nunca seguirá o PCP e o BE no que diz respeito à União Europeia e ao Euro . E o PCP e o BE vão apoiar o que consideram políticas de direita ?

E se houver dois ou três safanões externos que estão aí ao virar da esquina, eleições antecipadas serão muito prováveis. E Marcelo sem mexer uma palha alcança o objectivo que considera o ideal. O bloco central volta à governação.

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Resistir é governar ? por Luis Faria

Caro Luís Marques Mendes, digo-lhe o seguinte: o governo e os seus acólitos estão a confundir capacidade de resistência com estratégia política. A esquerda acha que está a ganhar porque está a aguentar. Não porque esteja realmente a chegar a lado algum, ou porque tenha encontrado um caminho alternativo para a sustentabilidade das finanças públicas. Não há qualquer tempo novo para o país, nenhuma página foi virada, e muito menos a da austeridade. A única estratégia política de António Costa é resistir, gerir os problemas do presente e atrasar ao máximo os problemas do futuro. Soluções não existem, existem apenas adiamentos. As cativações não são um exclusivo de Mário Centeno. Todo o governo é uma imensa cativação, cativado à direita pelas regras da União Europeia e cativado à esquerda pelos pactos que assinou com o Bloco e com o PCP.

De facto, o diabo não chegou em Setembro, ou se chegou, anda por aí muito discreto e só à vista de quem olha para ele com atenção, porque o diabo está nos detalhes. Mas eu não me fiaria na virgem para o manter afastado para sempre ...

 

Controlar o défice aumentando a dívida pública

Não haverá resgate graças à Europa. Graças à política de compras do BCE, e à agenda política eleitoral em 2017 com eleições na Alemanha e na Holanda. Costa e Centeno têm pouco a ver com o único resultado positivo que conseguem apresentar.

Mas o governo está a cometer erros enormes. Como tem sido dito, escrito e repetido, não faz reformas, insiste num modelo errado de crescimento económico, agrava a ditadura fiscal sobre os portugueses, ataca a propriedade privada, reforça o poder das corporações que querem um Portugal pobre e dependente, e usa e abusa de habilidades orçamentais para “controlar” o défice, aumentando a dívida pública. Ou seja, o governo está a promover uma tripla transferência de recursos: das poupanças para o consumo, dos sectores privados para a função pública, e das futuras gerações para as actuais. Mau, injusto e imoral.

Denunciar o falhanço socialista não chega

Já ninguém tem dúvidas que a governação é um falhanço. Os índices económicos mostram-no bem. Economia que não cresce, investimento que não arranca, emprego que não se cria, a dívida e os juros crescem. E como corolário as contas externas degradam-se muito significativamente. Estamos a voltar a 2011.

O país já sabe tudo isto e o que aí vem só vai confirmar o falhanço. Por parte da geringonça o que se pode esperar é o passa culpas para Bruxelas que, aliás, Jerónimo e Catarina ensaiam há muito. Com o espartilho do Tratado Orçamental não há como sair da situação, repetem à saciedade. Mas a verdade é que, para dar só dois exemplos que nos são mais próximos, a Espanha cresce a 3,2% e a Irlanda a 2,5%.

Enganaram-se ou enganaram-nos com a política do consumo interno. Perante o cenário negro esperar-se-ia que o governo mudasse de caminho mas o PCP diz que mudar é voltar ao empobrecimento e o BE não se pronuncia.

Para a oposição não vale a pena continuar a mostrar o que já é evidente. Não chega, é preciso apresentar uma alternativa que não seja voltar à austeridade do corte de salários e pensões. E apresentar um "Estudo macroeconómico" como fez o PS sem qualquer aderência à realidade também não serve. O PSD não tem às cavalitas o PCP e o BE. Resta uma alternativa séria.

Fazer crescer a economia, voltar a fortalecer as exportações, baixar os juros da dívida ( a Espanha paga 1% nós 3%) e, facilitar o investimento privado já que o estado não tem dinheiro. 

Para conseguir tudo isto é condição primeira afastar PCP e BE da governação para que a confiança regresse. Ninguém investe quando todos os dias os apoios do governo ameaçam a democracia e a nossa permanência na União Europeia.