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BandaLarga

as autoestradas da informação

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As limitações orçamentais não param de dar à costa

Por isso, falar da reforma da segurança social é proibido. Discutir as causas do estado a que chegou o Serviço Nacional de Saúde assume-se como impossibilidade, tanto mais que a discussão traria para a praça pública a questão das 35 horas semanais na função pública. Uma matéria acima de qualquer questionamento na visão dos parceiros de esquerda. A exemplo de tudo o que diga respeito a alterações da lei laboral.

Daí o regresso da questão de Tancos. Um quartel a que, afinal, ainda não regressou todo o armamento roubado. Por isso, a dúvida que envolve o processo de contratação dos serviços aéreos de combate aos fogos. Sem contar com o facto de o ministro da Educação não saber como resolver o problema da contagem de tempo dos professores. Um erro primário. Prometer antes de fazer contas. Mais a mais num país onde o ministro das Finanças emigrou, embora continue a gerir a pasta do Orçamento.

Como se constata, não foi preciso esperar pelo abrandamento da economia europeia para se perceber que a pretensa recuperação da economia portuguesa não passava de uma falácia temporária.

E deixar a geringonça colher as tempestades que anda a semear ?

O " país está melhor" e com esta António Costa anda a fazer a cama a quem vier a seguir. A saúde está a descambar como nunca se viu . A Educação não tem dinheiro para a ambição dos professores . Na Justiça afiam-se as facas. A economia está a chegar a 2011. O défice é prejuízo não é outra coisa. A dívida não desce.

E a situação ambiente está a formar nuvens negras no horizonte. O melhor mesmo é deixar António Costa ficar com o menino nos braços .

...e também suficientemente eficaz para alimentar a patética conversa de que havia um senhor muito mau, chamado Passos Coelho, que andou quatro anos a empobrecer o país e a destruir o Estado Social, e que depois foi substituído por um senhor muito bom, António Costa, que anda há três anos a enriquecer o país e a reconstruir o Estado Social. Desculpem colocar isto desta forma, em linguagem infanto-juvenil, mas nada disto faz sentido para quem tiver idade mental superior a oito anos.

...para chegar ao poder, Costa assumiu uma solução de governo que tem vantagens políticas, no sentido em que responsabiliza uma extrema-esquerda que até 2015 levou 40 anos a dizer “não” sem jamais ter de assumir as consequências daquilo que propunha; mas que, ao mesmo tempo, amarra o país a um modelo de governação incapaz de assumir medidas reformistas, ou um qualquer programa estratégico que não passe por devolver dinheiro, carreiras ou tempo de serviço.

Traição do BE e PCP diz deputado do PS

Terminadas as reversões chegamos à hora de saber quem é que tem culpa do estado desastroso a que o país chegou. E as traições entre os partidos que apoiam o governo são cada vez mais frequentes.

O deputado aponta em especial o dedo ao Bloco de Esquerda, depois de recordar que o partido liderado por Catarina Martins assumiu a “vontade de ser uma força de governo em 2019”. “Mas o BE, ao assumir o populismo da descida dos impostos, ao não negar a guerra fratricida que mantém com o PCP para saber quem é mais barulhento na contestação, abdica de qualquer credibilidade essencial à governação futura”, sustenta ainda Ascenso Simões.
 
Como é agora evidente é um enorme erro o PSD assegurar desde já que vai apoiar o governo na aprovação do orçamento para 2019, assim salvando a geringonça de uma guerra intestina que a dar-se trará consequências políticas e partidárias muito sérias.

Geringonça - por Vital Moreira

Causa Nostra :

Geringonça (10): Uma história afeiçoada

1. A encómio da"Geringonça", na abertura deste artigo de Pedro Nuno Santos no Público, merece algumas notas à margem.
Antes de mais, o acordo não criou nenhuma "solução de governo maioritária", nem trouxe o BE e o PCP "para a esfera governativa", pois pelo menos o PCP faz questão de insistir que se trata de um Governo minoritário e que não apoia o Governo. Em várias ocasiões, o Governo teve de beneficiar do apoio da direita contra os seus alegados aliados e noutras foi derrotado por uma aliança dos mesmos com a direita, numa "geometria variável" típica dos governos minoritários. Nada disto quadra com a noção de "governo maioritário".
Importa também não esquecer que o acordo da Geringonça cobrou um significativo preço político ao PS, na renúncia a parcelas importantes do seu programa eleitoral, como por exemplo, o imposto sucessório, a apoio fiscal ao rendimento dos trabalhadores com baixos salários, a reforma eleitoral, etc.

2. Quando aos resultados, sem negar o contributo do programa e da ação governativa para "a recuperação de rendimentos e direitos, o crescimento económico e a criação de emprego" - nomeadamente pelo aumento do rendimento disponível, contrariado, porém, pelo corte no investimento público -, a verdade é que a retoma económica já vinha de trás, desde o final de 2013, e foi essencialmente puxada pela retoma económica europeia, pelo boom turístico e pela política monetária expansionista do BCE, pelo que teria existido, mais décima menos décima, qualquer que fosse o Governo.
Não é por acaso que vários outros países europeus, com governos de outra cor política, conseguiram os mesmos resultados ou melhores, no que respeita ao crescimento económico e ao emprego.

3.  A ordem dos fatores é importante. Não foi o fim da austeridade que gerou o crescimento, mas sim o contrário: foi a retoma iniciada anteriormente na economia e no emprego que proporcionou as condições orçamentais para desativar os cortes nos rendimentos e nas prestações sociais. De resto, a própria austeridade começou a ser reduzida logo em 2015, em relação aos salários da função publica.
É óbvio que a reversão mais rápida das medidas de austeridade proporcionou uma aumento do poder de compra que ajudou a dinamizar a economia, induzindo um círculo virtuoso. Mas isso não altera a sequência dos fatores.

4. Além de ser obviamente um acordo político de via reduzida, essencialmente limitado à política de rendimentos - ficando de fora a defesa, a segurança, as relações externas, a política europeia, incluindo a política de comércio externo, etc. -, a Geringonça revelou-se sobretudo uma solução conjuntural, limitada ao tempo das "vacas gordas económicas", enquanto o excedente orçamental permite pagar os elevados custos da política de rendimentos imposta pelos parceiros no acordo, sem impossibilitar a política de consolidação orçamental.
Por isso, a solução de 2015 não é repetível noutras circunstâncias económicas menos fagueiras, retirando-lhe capacidade para ser uma solução de governo duradoura, para "todas as estações".

5. Por último, é pelo menos ousado defender que foi a solução governativa de 2015 que "salvou o PS do destino de outros partidos europeus da mesma família política".
A meu ver, o PS salvou-se do desastre que atingiu outros partidos social-democratas muito antes, quando, mercê do derrube do seu Governo em 2011 por uma coligação da direita e dos agora parceiros da Geringonça, foi dispensado de gerir o penoso programa de assistência externa, tendo voltado ao Governo quando o "trabalho sujo" já tinha sido concluído pela direita e a retoma da economia e do emprego já estavam em marcha.
Tivesse sido o PS a gerir o programa de austeridade, e teria sido punido nas urnas tão severamente como o foram outros partidos socialistas que não tiveram a mesma fortuna.
[revisto; aditado nº 3]

O carácter irrepetível da geringonça

O BE bem grita "vou-me a eles" mas para que a ameaça seja ouvida é preciso que seja credível. E não é.

O Bloco de Esquerda pode não gostar de não ser ouvido, pode discordar da opção política de reduzir o endividamento, pode querer que esse dinheiro seja aplicado nisto ou naquilo, pode querer tudo e mais alguma coisa, mas no final meterá o rabo entre as pernas e reduzir-se-á aquilo que, neste momento, é: membro decorativo da geringonça.

Ou seja, a espécie de bluff dos bloquistas vai sair-lhes muito cara: no fim de tudo consolida a perceção de que os resultados da governação foram obtidos não com a contribuição do BE, mas apesar do BE.

No mesmo sentido, fica pela milionésima vez claro o carácter irrepetível da geringonça. Sempre que há uma questão estruturante, uma decisão que separa águas, o PS e os seus atuais parceiros estão em desacordo, sem terem sequer algum território comum para uma negociação. É no que fazer em relação à dívida, nas questões da segurança social, na posição face aos parceiros europeus, na legislação laboral, nas parcerias público-privadas e em praticamente tudo o que é decisivo. O que os uniu foi meramente conjuntural, logo, como indica a palavra, passageiro.

PCP e BE à mesa das negociações com o presidente do Eurogrupo

Para o PCP e o BE acabou o fingimento, estão contra mais aprovam o orçamento que cumpre todas as determinações de Bruxelas. O PS arranjou, enfim, um culpado, e o PSD e o CDS têm que arranjar um caminho alternativo. De direita, porque agora as políticas da Europa são de esquerda.

Porque ter o ministro das Finanças nesse cargo implica um compromisso do actual governo e do PS para com o cumprimento das regras orçamentais europeias, apesar da desconfiança e das pressões de PCP e BE. O que inevitavelmente arrasta a questão para a política nacional: também será esta uma boa notícia para os partidos? Para o PS, sim. 

Do lado da geringonça, a tensão é óbvia embora, no seu cerne, se limite às aparências. Sim, há algo de inconveniente na situação: PCP e BE, que ainda há poucos anos recusaram orgulhosamente reunir-se com a troika, passarão a sentar-se à mesa de negociações e a alinhar tudo com o presidente do Eurogrupo. Mas, se o incómodo se prevê indisfarçável, na prática nada muda: por mais que tal ideia lhes desagrade, os partidos da geringonça já são o rosto da contenção orçamental que esmaga o funcionamento dos serviços públicos para, em troca, satisfazer as suas clientelas. E é isso que se espera que continue a acontecer, nomeadamente quando se discutir o orçamento para 2019 (ano de eleições legislativas). Ou seja, à esquerda fica tudo na mesma. PCP e BE apenas já não poderão fingir-se inimigos mortais das políticas de contenção orçamental.

Os patrões estão zangados com este orçamento

O governo corre o risco de encontrar as salas vazias quando convidar os empresários para reuniões. É que há muito que um orçamento é tão pouco amigável dos empresários . E o presidente da CIP já avisou.

Contrariamente ao que pensa o primeiro ministro (chapa ganha chapa distribuída) a chapa não é ganha é produzida e acerca da produção de riqueza este orçamento não tem nada. É o próprio governo que prevê a redução do crescimento da economia em 2018 e crescimento ainda mais baixo e a divergir com a Zona Euro  em 2019.

Mas neste orçamento o que se vê é o aumento da despesa pública a par do aumento da dívida. Continuamos a pedir dinheiro emprestado e continuamos com um encargo dos juros da dívida colossal (7,9 mil milhões) . É tão assim que PCP e BE já andam com a história da carochinha da renegociação da dívida. Primeiro gastam ao desbarato e depois querem convencer os credores a facilitar o pagamento da dívida. Os empréstimos e o seu contrário. Um fartar.

E é claro que os empresários nacionais não tomam decisões de investimento e  a captação de investimento estrangeiro não se realiza. Menos produção de riqueza, menos postos de trabalho, menos receitas para o Estado. Menos exportações e mais importações e pior défice externo. Um fartar.

E se a derrama do IRC aumentar de 7% para 9% conforme exigência dos extremistas os empresários podem sempre tornar mais rigoroso o seu planeamento fiscal. Menos receita para o Estado . 

Depois de distribuída pela administração pública a pequena almofada conseguida, mas mantendo o "enorme aumento de impostos" sobre os privados, a vida do governo não tem sido fácil e vai tornar-se mais difícil.

Em apenas dois anos a "solução conjunta" é um saco de gatos à procura da melhor forma de lixar os parceiros . Sempre soubemos que era uma questão de tempo, não se pode juntar um PS europeu com um PCP e BE anti-europa.

António Costa e Mário Centeno já deram o que tinham a dar para este peditório. E o PCP e o BE vão continuar a exigir até baterem de frente ou fazerem o país cair no buraco que tão afanosamente estão a abrir.

 

Sondagem : continua a contagem descendente para a geringonça

A bem da verdade a contagem descendente já começou há um mês e continua agora em Novembro . Mas é descendente para todos os que se meteram na aventura de salvar a pele a António Costa. E o cheiro do poder fez o resto.

A direita sobe também pelo segundo mês o que mostra que aqueles eleitores livres que votam segundo o que lhes parece ser o interesse nacional , da mesma forma que há dois anos se passaram da direita para a esquerda estão agora a fazer o caminho inverso.

É preciso notar que nunca o PS e António Costa anunciaram aos eleitores que fariam uma coligação após eleições. Está para saber se o resultado seria outro e não inviabilizaria a solução encontrada nas costas dos eleitores. Mas os cidadãos já tinham percebido. A geringonça morreu hoje

A tendência na sondagem realizada pela Eurosondagem para o Expresso e para a SIC é clara: os principais partidos da ‘gerigonça’ recuam nas intenções de voto, enquanto os partidos da oposição ganham terreno. Já tinha sido assim em Outubro .

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 E, como, após tão nefasta e inglória coligação a sua repetição não acontecerá tão cedo (O PCP já disse que não e PS e BE não chegam à maioria e têm graves diferenças entre eles) a soma final que conta para formar governo já anda próxima dos 5%. Poucochinho, nada que um orçamento sem dinheiro e com graves desigualdades não resolva.

O país perdeu dois anos não executando as reformas estruturais sem as quais não sairemos "desta apagada e vil tristeza " 

A geringonça morreu hoje que a terra lhe seja pesada

A solidez da "solução conjunta" que governa o país nunca foi nenhuma e regeu-se sempre por razões partidárias e instrumentais e não por razões estratégicas e nacionais. Mete dó ver o PS com as calças na mão perante os extremistas com quem se coligou a pedir ao PSD para "ter sentido de estado" e não se juntar aos seus apoiantes.

O orçamento em discussão passou a certidão de óbito à geringonça após as autárquicas terem feito a autópsia e a União Europeia ter dado o cheque mate.

Isto, apesar de António Costa andar a cantar ossanas ao crescimento maior do século, ao défice menor dos últimos dez anos e ao menor desemprego .O primeiro ministro há muito que anda a dar "beijos da vida" a comunistas e bloquistas para tentar salvar a solução conjunta. Que nunca esteve viva e sempre passou a ideia de estar nos "cuidados continuados".

Como sempre se soube, para quem quer saber, comunistas e bloquistas não estão interessados num Portugal europeu, democrático e livre. Estão interessados no comunismo e vêem na União Europeia o seu grande inimigo.

Nunca esperei outra coisa, mais tarde ou mais cedo o que está a acontecer hoje na Assembleia da República só surpreende por ser tão cedo, ao fim de apenas dois anos, metade da legislatura.

Falta agora juntarem-se dois a dois, longe das vistas da população e separarem-se "de papel passado".

Na geringonça três menos um é igual a dois ?

Como se previa há bastante tempo o PCP anda com pressa de sair e não quer ser confundido com a "solução conjunta" . E depois de perder dez câmaras para o PS ainda tem mais pressa .

António Costa para agradar ao PCP dá-lhe tudo  enquanto puder o que inclui grandes erros como são os casos da derrama do IRC e da tributação dos recibos verdes dos profissionais independentes.

Mas são a forma do PCP deixar cada vez mais claro o seu registo até chegar às eleições legislativas ou encontrar da parte do PS um pretexto para sair airosamente . O problema é que sair equivale a derrubar o governo . O PCP está a comer as passas do Algarve e o PS anda a ver se não tem uma diarreia.

É por isso que três menos um não é igual a dois é igual a zero. Um enorme problema para o PCP e para o PS . E nessa altura o BE vai perceber a sua insignificância. É poucochinho, não chega o que não o impede de dizer que quer "um 2019 mais ambicioso". António Costa também já se descaiu a dizer no Parlamento que "PS e BE não chegam para 2019"

O que se passa em Lisboa quanto aos sentimentos profundos do PCP é mais que óbvio para não falar na sua posição em todas as câmaras que perdeu. Na capital o único vereador do BE ainda chega para fazer de conta que estão numa relação. A má notícia é que os comunistas que andam a fugir do PCP se refugiam no PS . 

Mas o BE anda mortinho para chegar ao governo . O que é uma má notícia para o PS é uma boa notícia para o BE e, no caminho, o PCP regressa ao lugar de onde nunca devia ter saído.