“Este local é viável do ponto de vista técnico e económico”, começa por dizer ao PÚBLICO Nuno Ávila, director-geral da Deimos Engenharia. “Apresenta condições climáticas muito favoráveis face a outras alternativas na Europa – na Noruega, Suécia e na Escócia. Do ponto de vista da segurança, também tem condições excepcionais: os lançamentos seriam para sul, onde só temos oceano. Na Noruega e Suécia tem de se sobrevoar território onde há população. E na Escócia tem de haver manobras para se evitarem as ilhas Faroé”, acrescenta Nuno Ávila. “Do ponto de vista logístico, a ilha de Santa Maria é muito boa, tem acessibilidades por mar e pelo ar. Tem uma pista com três quilómetros e tal, tem um porto de mar gigantesco. Têm de transportar partes dos foguetões, para serem montados localmente, e os satélites e os combustíveis também têm de chegar aí.”
A não ser que apareçam por aí uns iluminados a contestarem os prejuízos na natureza, os Açores podem voltar a ser um lugar estratégico para a Europa.
O lançamento com êxito do foguetão mais poderoso deve-se a visão de um homem e da sua equipa de cientistas. Uma empresa privada está a frente dos estados mais poderosos do mundo - União Europeia, Rússia, China e Estados Unidos.
A recuperação dos motores de lançamento que podem ser usados mais que uma vez baixa o custo da operação em cerca de 50%. E o visionário Musk começou décadas depois.
Podem criar os robots e os Planos quinquenais que quiserem que nunca os estados conseguirão substituir a criatividade e o querer individual dos homens.
Em Agosto de 2017, Musk ultrapassou todas as potências espaciais tendo lançado, no ano passado, 12 foguetões, enquanto a Rússia lançou 11, a China 8 e a União Europeia 6. Os custos do lançamento de foguetões Falcon são mais baratos e a sua utilização fará baixar em cerca de 50% o transporte de mercadorias. Além disso, algumas das partes dos foguetões são recuperáveis.
Claro que ainda é cedo para tirar todas as conclusões acerca das vantagens e desvantagens do Falcon Heavy, mas é um sinal preocupante para as indústrias espaciais dos países que concorrem com Musk.
Os estados e as suas empresas públicas podem ter cientistas mas não sonhadores.