Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

PC e BE não dizem a verdade sobre a saída do Euro

Ouvi, numa palestra, o prof Ferreira do Amaral que foi o primeiro a assinalar os problemas da nossa integração na Zona Euro, dizer que tecnicamente é muito difícil um país sair . Desde logo porque o sigilo absoluto não é possível e bastaria o mais pequeno zum-zum para que biliões de euros voassem para fora do país. Só cá ficariam as pequenas poupanças. Passarmos da Europa a 27 para uma espécie de ‘orgulhosamente sós’ salazarista, sem recursos suficientes para nos bastarmos a nós próprios. Uma Venezuela para pior.

Como em certos países podemos ter milhões no bolso mas que não dão para comprar um frango ou um bife. E como as dívidas (incluindo as das famílias e individuais são em euros ) serão pagas pela nova moeda que vale 40% menos, vamos de mal a pior. Nunca mais conseguiremos pagar aos credores, deixaremos de ter acesso aos mercados para nos financiarmos e os juros disparam para valores ainda mais incomportáveis.

Ora PCP e BE sabem isto muito bem, o seu problema não é o euro . É um conceito de vida que em Portugal representa 14% dos votos . Abandonar a democracia , a economia social de mercado e o estado de direito.

Mas os dois partidos radicais escondem do povo a verdade .

catarina.jpg

 

 

 

Com euro ou sem euro sempre andamos de mão estendida

Tive oportunidade, numa tertúlia, de trocar umas palavras com o convidado do dia o Prof Ferreira do Amaral . Como desde há muito o Prof defendia a saída do Euro. Não escondia as tremendas dificuldades para o país de tal decisão.

Por mim tentei passar três ideias. Em primeiro, muito antes do Euro, o país já tinha ido à bancarrota duas vezes. Respondeu-me Ferreira do Amaral que uma das vezes a causa tinha sido o 25 de Abril e na segunda o regresso dos portugueses das colónias. A terceira era mesmo o euro. Respondi que não me parecia. Afinal há países, a maioria, que não cairam na situação de Portugal e a Grécia. Não seria antes a habitual indisciplina, incapacidade de obter consensos e absoluta falta de uma visão estratégica para o país?

E no dia a seguir à saída do Euro? Desvalorizávamos a moeda, resolvemos o problema a curto prazo, empobrecendo, e depois? Ficamos orgulhosamente sós? 

Claro que a Suiça e o Reino Unido não aderiram ao Euro. Mas somos nós capazes de encontrar um sentido nacional fora do Euro ? A resposta estava nos habituais  destinos da Portugalidade, na América do Sul e em África.

Reforcei a convicção que seria um tragédia a saída do Euro.

Em 83/85 moeda desvalorizou 33% ,a inflacção subiu para os 60%

Os Prof. Ferreira do Amaral e Vitor Bento juntaram-se na FNAC para falarem sobre o assunto. Acabam de publicar dois livros , um a defender a saída do euro outro, a defender a manutenção.

Mas Vítor Bento lembra que o euro não é só economia. "É política e geoestratégia" e num cenário europeu onde "somos perdedores porque somos periféricos", se quisermos "vencer temos de nos ligar ao poder e à centralidade europeia". Continuar no euro permite isso.

O economista recorda que estes estão longe de ser os primeiros dias difíceis para a economia portuguesa. Durante a última intervenção do FMI em Portugal, entre 1983-1985, "a moeda desvalorizou 33% em dois anos, a inflacção subiu para os 60% e o poder de compra ficou entre os 12% e os 15%". Por isso, Bento acredita que o problema económico não está no euro e sim nas políticas sociais "não sustentáveis", como o aumento de salários não sustentados pela produtividade.