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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Salvar o SNS - o estado só paga medicamentos que curem - 2

Partilhar o risco com quem vende medicamentos novos e, muitas das vezes, supostamente inovadores. Depois de uma guerra com a introdução dos genéricos temos agora mais um passo importante para a sustentabilidade do SNS. Claro que tudo isto é normal há muito nos restantes países europeus. Com vinte anos de atraso e respectivos custos, chegou enfim a Portugal uma política do medicamento com inegáveis vantagens para o doente e para o bolso do contribuinte. Até agora mandavam as farmacêuticas, a associação de farmácias e alguns (muitos) médicos.

O Bastonário da Ordem dos Médicos resolve o problema, enterrando-o.

Bastonário da Ordem dos Médicos resolve todos os problemas da classe pondo o estado a pagar. Como todas as corporações o grande objectivo é viver à conta dos contribuintes. Há médicos, instituições e universidades que fogem ao dever tributário? Se for o estado a pagar já não fogem. Assunto resolvido. O jornal Público adianta hoje que a indústria farmacêutica concedeu apoios e subsídios no valor de mais de 28,6 milhões de euros a profissionais e organizações do setor da saúde, entre janeiro e junho deste ano, mas que estes profissionais comunicaram que neste período receberam apenas 8,4 milhões de euros dos laboratórios.

Não é muito difícil perceber que se não fosse o cruzamento de dados ninguém daria pela marosca. O problema fica pois, resolvido, enterrando-o!

Médicos obrigados a declarar conflito de interesses

Sempre existiu um véu de suspeita sobre as relações de médicos com a indústria farmacêutica. Prémios pecuniários, congressos, normalmente acompanhados de estadias em ilhas paradisíacas...

A contrapartida seria a prescrição de medicamentos pertencentes à industria que pagava as passeatas. Finalmente , deu-se um passo importante para clarificar essas relações. É importante para todos. Há muito que esta norma está implementada noutros países. Há muitos interesses instalados que estão a ser confrontados.

Todas as entidades envolvidas no circuito do medicamento têm agora 30 dias para declarar eventuais conflitos de interesses à Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), que os publicitará “de modo imediato e automático” na sua página de Internet.

A prática, que está instituída em vários países estrangeiros, obriga os profissionais de saúde que escolhem os medicamentos pagos com verbas públicas nos hospitais a fazer declarações públicas de conflitos de interesses, por exemplo revelando os congressos patrocinados pela indústria farmacêutica em que participem.