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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O PS europeu a pôr o PCP e o BE no seu lugar

Querem ou não sair do Euro ? Depois de Pedro Marques foi agora António Costa a atirar sobre PCP e BE.

Se o PCP tem sido coerente na defesa da saída de Portugal do euro, mesmo que "não explique a ninguém" as consequências dessa decisão, "o Bloco é mais ambíguo", comentou o cabeça de lista do PS. Dividir para conquistar.

"Afinal, [os bloquistas] estão disponíveis para fazer parte da coligação de europeístas, como Alexis Tsipras, ou está com um pé fora do euro como o PCP? Estão do lado do europeísmo ou do pessimismo? Não é tempo de ambiguidades", provocou o cabeça de lista do PS. "Nós sabemos onde estamos. Estamos do lado da Europa."

Um europeísta convicto é de esquerda ou é de direita ?

O BE, o PCP e o Podemos, estão contra a "submissão" dos países a Bruxelas. Isto faz destes partidos, partidos de esquerda ? É que a Frente Nacional de Le Pen diz o mesmo e é de extrema direita .

E o PS que é convictamente europeísta é de direita ? E os partidos socialistas que são europeístas são todos de direita ? Esta dicotomia esquerda/direita já não serve.

Para alguém de esquerda ser europeísta é ser de direita; para alguém de direita ser europeísta é ser de esquerda . E ainda é mais evidente se falarmos em extrema direita e extrema esquerda.

E criar riqueza para distribuir riqueza é de direita mas distribuir riqueza para criar riqueza é de esquerda. Basta comparar o anterior governo com o actual. Em que ficamos ?

Se alguém for europeísta, adepto da economia social de mercado e defender uma mais justa distribuição da riqueza é neoliberal ? Socialista ?

Será que os partidos que conhecemos estão a perder a capacidade de se adaptarem a um mundo em constante mudança ? Ou ficamos por mais estado/menos estado ? Mais sociedade civil/menos sociedade civil ?

E ser liberal social ? Defender uma sociedade civil forte e interveniente e um estado social ? É de esquerda, é de direita ?

Ou ser de esquerda é ser marxista-Leninista e ser de direita é ser apoiante da democracia e da economia social de mercado ?

É que é neste último sistema que vive mais gente com uma qualidade de vida jamais conhecida .É esta evidência ser de direita ?

A crítica da esquerda oportunista contra a Europa

Não podemos ir pela crítica fácil e oportunista em tempos de vacas magras. Jaime Gama, o histórico socialista não tem dúvidas :

"Este é um momento difícil para a UE, e nós que somos a favor da União Europeia e não desistimos, não passamos uma certidão de óbito à UE, nós temos a responsabilidade de trabalhar no sentido de apontar caminhos, estruturar respostas e intervir para que a UE siga em frente dando o seu grande contributo para que a comunidade internacional fique mais estável, segura e próspera”.

Num claro recado aos partidos da esquerda que suportam o Governo e que não apoiam o projeto europeu, Jaime Gama apontou o dedo aos que se fixam na “descrença, no desinteresse, na piada fácil, na reivindicação imediata” e na “repreensão oportunista”. “Os que não passam certidões de óbito à União Europeia são os que estão no bom caminho”, disse, piscando o olho ao partido da casa, tradicionalmente europeísta a par do PS.

O Brexit dá o melhor de dois mundos

Continuar a ser europeu sem as regras europeias. Livrar-se da burocracia de Bruxelas mas continuar no mercado europeu.

"Para não esquecer que estamos melhor juntos para negociar e alcançar um novo acordo com a União europeia, baseado no livre comércio e parceria e não num sistema federal". Volta a afirmar, como já o tinha feito na conferência de imprensa, que nunca é demais salientar que "o Reino Unido é parte da Europa e sê-lo-á sempre".

Continuará, acrescenta, cooperação nas artes, ciências, universidades e ambiente. E dá uma segurança: "os cidadãos comunitários que estejam a viver neste país terão os seus direitos totalmente protegidos, e o mesmo se aplica aos cidadãos britânicos a viver na União Europeia". "Os britânicos vão continuar a poder viajar, trabalhar, viver, estudar, comprar casas ou assentar vida na União Europeia". E acaba por deixar a ideia de que haverá um tratado de livre comércio.

Mas livrar-se-á das regras europeias e da imposição de leis, diz. Também conseguirá, com o Brexit, que o Governo britânico volte a ter o controlo da política de emigração, baseando-o num sistema de pontos.

O melhor de dois mundos.

A contradição insanável sublinhada pelos socialistas

O PS a várias vozes reafirma o seu europeísmo como resposta à insistência de Jerónimo de Sousa no mantra comunista. Saída do Euro, moeda própria, renegociação da dívida e controlo público da banca, condições que Jerónimo de Sousa considerou insanáveis com o projecto europeu.

No mesmo artigo, outras vozes socialistas juntam-se ao líder recém-reeleito do PS para afirmarem a mesma convicção no projeto europeu. Segundo Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, advoga que “o PS não deixará de ser um partido pró-Europa e pró-integração dos países europeus”, mas os socialistas desejam um debate sério sobre o que deve ser a Europa, nomeadamente nos direitos e numa relação que seja de parceiros iguais e em que Portugal seja igual aos outros países”.

A realidade está a trazer o PS para as suas convicções mais profundas que fizeram do partido um campeão das liberdades e da integração europeia.