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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O cidadão esmagado pelo estado

Ricardo Arroja :

A minha recente incursão na política elevou em mim a convicção de que a verdadeira mudança de regime será cultural e não necessariamente política. Consistirá numa nova relação entre os cidadãos e o Estado, em que os cidadãos passem a estar no topo das considerações políticas e o Estado ao serviço daqueles. Mais do que uma nova relação, será uma nova atitude, caracterizada por uma cidadania de proximidade, mas não de afronta, beneficiando das ferramentas que a tecnologia, hoje e amanhã, disponibilizará.

A mudança ocorrerá quando as pessoas passarem a exigir ao Estado, numa relação de reciprocidade, o mesmo que aquele lhes exige a elas, em defesa das pessoas que autorizam a coerção estatal. Na realidade, quando discutimos criticamente os meios e os fins da acção estatal, é disto que falamos: da defesa do cidadão comum, aquele que legitima tudo o resto, da defesa da regra e não da excepção.

 

O Estado está a criar um Big Brother para toda a sociedade

Na ânsia de tudo controlar o Estado “Através das bases de dados de contabilidade de empresas, empresários em nome individual e, em princípio, também dos bancos e das seguradoras, o Estado vai ter toda, toda, toda a informação financeira de todos nós. E até muito das nossas relações económicas e sociais”, diz à Renascença Vítor Vicente, presidente da Associação Nacional de Contabilistas. “Se o Estado ficar com estas bases de dados todas, passará a ter acesso a toda a movimentação bancária de todas as pessoas e todos os movimentos neste país.”

De mansinho o Estado gerido pela geringonça vai deitando-se na cama connosco mesmo sem ser convidado.

Um Estado centralista que se mete em tudo mas não sabe de nada

Bom seria que o Estado grande e anafado deixasse da mão o que não sabe e não pode fazer e fizesse bem o que só ele pode fazer.

O que se passou na estrada de Borba é, de facto, um problema do Estado e das suas múltiplas incapacidades. Um Estado que dá emprego a imensos “especialistas em coisa nenhuma” mas não tem nos seus quadros quem garanta a segurança das populações ou não meta na gaveta os alertas que lhes vão chegando.

Os incêndios do ano passado acordaram os portugueses para a realidade de o seu país estar dividido em dois. A tragédia de Borba — que só por acaso não teve mais vítimas — vem mais uma vez provar a imensa incapacidade do país centralista, que abandonou o interior à sua sorte, que se autoglorifica na Web Summit com um enorme desprezo (a palavra é “desprezo”, não há outra) para o terceiro-mundismo que ainda marca Portugal.

Ao contrário do que diz o primeiro-ministro, as evidências da responsabilidade do Estado na tragédia de Borba são demasiado claras e chocantes.

Um dos resultados da captura do Estado pelos sindicatos dos professores

Os salários dos professores portugueses são francamente abaixo dos alemães e holandeses, estão pouco abaixo abaixo dos finlandeses, são iguais aos franceses e aos espanhóis e superiores aos italianos, quatro países com níveis de PIB e de rendimento per capita bem acima do nosso.

É um dos resultados da captura do Estado português pelos sindicatos dos professores. Com um salário que é cerca de 40% do finlandês, 45% do francês, 50% do italiano e 60% do espanhol, o português médio paga de impostos tanto como os cidadãos destes países para que os salários do seus professores sejam iguais aos praticados nestes países.

PS - Daniel Bessa - Expresso

O que o Estado tem que fazer é colocar as suas casas no mercado

E ninguém acusará o Estado de dumping se colocar as suas casas vagas com preços mais baixos . Não é a tabelar preços que baixa as rendas.

Mas sobretudo, para que o Estado assuma as suas responsabilidades nesta matéria, o que tem de fazer não é limitar preços. É colocar casas no mercado, aumentando a oferta. Basta isso para (se a procura não aumentar mais que proporcionalmente) provocar a descida do preço. Mas até pode oferecê-las a preço abaixo do de equilíbrio, concorrendo “deslealmente” com os privados, apresentar-se como um senhorio alternativo, que pratica rendas acessíveis. E pode começar já com os vários imóveis que detém e que estão desocupados. Depois, vá reabilitando os que estão devolutos e até adquirindo novas propriedades, que o país tem mais casas que famílias. Tenho quase, quase a certeza de que a Autoridade da Concorrência não o acusa de dumping

O comboio apitou três vezes

Estações degradadas, horários do terceiro mundo, condições mínimas. É a fotografia do serviço público da ferrovia

Estações destruídas, composições vandalizadas, material obsoleto, cancelamento de ligações, horários deslocados, atrasos terceiro-mundistas, degradação e incúria. Como foi possível chegar-se aqui? É que os constrangimentos financeiros não explicam tudo. Houve má gestão na planificação de recursos, na programação de actividades operacionais e na condução de empreitadas. Sendo o Estado o detentor da quase-totalidade dos meios de rede e operação, é a ele que devem ser assacadas responsabilidades.

 

Os principais agentes do sistema de valor ferroviário são a Infraestruturas de Portugal (IP), a CP e a EMEF (a que se juntaria a Sorefame, barbaramente assassinada em 2003), mas o primeiro responsável, o que superintende as diferentes administrações e, sobretudo, gere os recursos disponíveis é o Governo. Quando se afirma que o sector deve manter-se nas mãos do Estado e se refutam modelos de concessionamento a privados, tem de se demonstrar no terreno que o serviço público é capaz.

De que serve o Estado se não nos protege ?

Era bom se o Estado se dedicasse apenas ao que faz bem . Querendo chegar a todo o lado não chega bem a lado nenhum.

E de novo o Estado que não nos protege

O que se passou com seis jovens em Estremoz, a ser verdade o que relata o Observador, é um escândalo e uma vergonha. A verem chegar as chamas, os jovens telefonaram em pânico para o 112, a resposta foi que não sabiam como os localizar, deram as suas coordenadas de GPS e responderam-lhes que não tinham meios para o usar, não reencaminharam a mensagem para lado nenhum onde os pudessem ajudar, e despediram-se a desejar-lhe boa sorte.

Talvez se o Estado fosse competente se evitassem danos gravíssimos, se não irreversíveis, em alguns jovens com menos de 25 anos. Para que serve o Estado se não serve para nos proteger?

112.jpg

 

Uma gigantesca máquina de desperdício

O Estado-patrão é uma fonte de problemas. O boletim Imformativo do Sector Empresarial do Estado mostra que em 2017 das 83 empresas públicas aí analisadas resulta um dívida de 29,7 mil milhões de euros, sendo que só o sector dos transportes é responsável por 18,9 mil milhões do total.

Este monstro administrativo, burocrático e empresarial não para de crescer à custa das famílias que, via impostos, o têm de pagar. A coisa aguenta enquanto a conjuntura externa for favorável. Quando deixar de o ser ( já começou) o que ocorrerá mais tarde ou mais cedo, o monstro vai-nos engolir e os velhos problemas renascerão das cinzas.

PS : Expresso - Luis Marques