Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

Passos Coelho deu um dos "não" mais decisivos da democracia

Ricardo Salgado dá um enorme elogio a Passos Coelho ao garantir que mais ninguém deixaria cair o seu banco e fazer desaparecer das paredes o nome da sua família. O " dono disto tudo" também conhecido por "Espirito Santo".

E é verdade . Outro qualquer governo acharia o banco demasiado grande para o deixar cair e ali enterraria uns biliões à conta dos contribuintes. Lembremo-nos do BPN que foi nacionalizado por Sócrates com o argumento que não se tratava de um banco sistémico, com 400 milhões salvava-se o pequeno banco mas, a verdade, é que já vamos em 7 000 milhões.

O banqueiro quer agora que acreditemos que nada sabia da batota nas contas, logo ele que ia a todos os negócios de braço dado com o estado. Desde a Comporta aos submarinos, comunicações, assessoria, consultadoria, seguros...

Apresenta-se como se fosse um imbecil, mas Passos não foi nessa, Vanessa...

Um pesadelo chamado Espirito Santo

A Europa e Portugal estão a ser contagiados pela situação do Grupo Espírito Santo. As vendas em grande volume dos papéis comerciais do Grupo com os investidores a tentarem desfazer-se deles o mais depressa possível já levou à alta das taxas de juro e à perturbação em baixa das praças financeiras na Europa. Esta situação confirma que os esforços europeus para quebrar a ligação entre os soberanos e o sistema bancário não tiveram êxito" . Esperemos que o estado não nacionalize os prejuízos como fez com o BPN embora, o caso Espirito Santo seja verdadeiramente sistémico. A pergunta que se faz por agora é se o banco foi afastado a tempo da situação pré-falência em que se encontram as restantes empresas do grupo.

Que terá acontecido em Portugal para tão grande mudança ?

Comprar milhões de acções em plena operação de privatização sendo um dos operadores logo, conhecendo os contornos do negócio. Ganhos de milhões a partir da vantagem que os outros não têm de conhecer os valores envolvidos. Investigam-se crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais com origem na sociedade de gestão de fortunas Akoya mas também suspeita de ilícitos relacionados com fraude fiscal qualificada, abuso de informação privilegiada, tráfico de influência e corrupção na privatização da EDP. O mesmo acontece com a 2.a fase da privatização da Rede Eléctrica Nacional, que se verificou mais tarde. Além de provas documentais das aquisições das acções, os investigadores têm os depoimentos de Michel Canals e Nicolas Figueiredo, gestores da Akoya que confirmaram tudo. A isto se resume a sabedoria do "mago das finanças". Após décadas em que "estas pessoas distintas" mereciam a cegueira das autoridades, que nada viam, chegou o momento de prestarem contas. Que terá acontecido em Portugal para tão grande mudança?

Nem o Espírito Santo nos salva

A profunda ligação dos nossos grupos económicos ao estado é mais que conhecida. E a sua influência nas decisões políticas vem do antigamente. Nesta matéria nada mudou com a democracia. "O que pouco mudou da ditadura para a democracia é a forma como uma parte importante dos poucos grupos económicos dependem do Estado e de como o Estado depende deles ou, pelo menos, os deixa influenciar o processo político. Num país pobre, com um mercado pequeno, com empresas pouco capitalizadas, com pouca gente qualificada, que acaba quase inevitavelmente por ter de circular entre o Estado e as grandes empresas, talvez essa relação umbilical seja inevitável. O bem comum tem sido, digamos assim, prejudicado face aos grandes grupos. E não só na perspetiva de mais benefícios diretos para a comunidade, mas também no bloqueio ao crescimento de outros grupos, outras empresas. Os grandes grupos, com a bênção direta ou indireta do Estado, abusam, por assim dizer, da posição dominante e não deixam crescer nada ao seu redor."

O estado, sempre o estado. Com Salazar era o ditador que escolhia os grupos económicos. Com a democracia são os grupos económicos  que escolhem os políticos.