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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O Estado nem sequer paga aos fornecedores

É o mínimo que se pede é que o estado pague a quem deve. Não só tem que o fazer como é a melhor forma de ajudar as empresas e suster o emprego. Não contente com a dívida até a faz crescer.

Mas o governo vai vendendo que o país está melhor preparado para enfrentar a crise. De acordo com a execução orçamental, entre março e abril, o stock de dívida a fornecedores cresceu 64 milhões de euros, totalizando agora 1.624 milhões de euros. Dos 1.624 milhões de euros em dívidas, as dívidas a mais de 90 dias correspondiam a 477 milhões de euros em abril, mais 44 milhões do que no mês anteriores.

É assim que o governo ajuda as empresas enquanto espera que os fundos europeus caiam nas suas mãos. Depois irá distribuir pelos mesmos de sempre. Os que têm influência e que sempre comeram à mesa do orçamento.

O Estado mete o dinheiro nas empresas "certas "

As mesmas de sempre que se sentam à mesa do Orçamento.

Vista que está a forma como o Estado onera as empresas socorrendo-se delas para exercer o seu papel “protector” analisemos agora como o Estado “conserta” o problema que inflige a todas as empresas com o nobre intuito de relançar a economia. Começa aqui a nova ficção que mais não é do que a reedição dos programas financeiros de apoio ao investimento e quejandos. Isto é dinheiro para alguns mascarado de critérios de selecção de sectores, tipologias, pareceres, diagnósticos, etc., com uma finalidade única: a de canalizar dinheiro para as empresas “certas”, normalmente aquelas que já deveriam ter desaparecido há muito tempo, se não estivessem na rota “certa” da ajuda do Estado, acompanhadas pelos peritos “certos” que por sua vez aceitam os incentivos “certos” para que o nobre propósito de desperdício de dinheiros públicos se mantenha no nível “certo”.

A começar no Estado ninguém paga a ninguém

Só conversa essa a de que estava montado um programa de apoio à tesouraria das empresas. A começar no Estado ninguém paga a ninguém.

Cerca de 1400 empresas que aderiram à iniciativa "Pagamentos Pontuais" pedem ao Estado que pague 554 milhões em atraso. As dívidas têm mais de 90 dias e podem ascender aos 613 milhões.

A “Pagamentos pontuais” é uma iniciativa que procura substituir um “ciclo vicioso” de atrasos nos pagamentos em Portugal, quer por parte do Estado, como também das próprias empresas do tecido económico.

Numa altura destas é quase criminoso o estado, o tal das contas equilibradas, não pagar o que deve. É o mínimo que se exige a quem anda permanentemente a gabar-se que vai fazer chegar milhões às empresas.

Esperemos que seja em tempo de vida.

 

Há quem no Estado ande a fumar cannábis

Julgo que foi no último Expresso que li uma entrevista a um responsável por uma empresa de Cantanhede que cultiva e produz canábis. Quinhentos trabalhadores bem pagos, licenciados em diversas áreas e com 90% das vendas para exportação.

Dizia o responsável que as condições em Portugal são óptimas. Há mais quatro empresas interessadas já com terrenos comprados, prontas para arrancar com o projecto mas estão há três anos à espera de autorização por parte do INFARMED.

Projectos económicos que deveriam correr pelo Ministério da Economia mas que correm pelo Ministério da Saúde com os atrasos consequentes aos ritmos próprios de cada ministério. Para além da demora habitual em tudo o que se trata de licenciamento estatal. Era bom tirar o estado da frente.

Estas empresas compram terrenos em Portugal porque nos outros países onde a iniciativa individual é bem vista não há terrenos ao abandono para serem vendidos. Os cidadãos alemães e holandeses também compram terrenos por cá pelas mesmas razões. Lá na terra deles não há terrenos à venda.

Mas como em Portugal tudo o que cheira a iniciativa da sociedade civil cheira a lucro, é mal visto, é preciso erguer dificuldades para vender facilidades.

Até um dia em que os empresários fartos da prepotência voltam para a terra deles e deixam os nossos burocratas a fumar coisas esquisitas. Os repugnantes.

Um dia em Manchester no inicio de uma reunião um dos empresários presentes voltou-se para mim e disse-me : sabe eu investi em Portugal e tive que recorrer à justiça. Estou há cinco anos à espera. E saiu pela porta fora.

Foi há trinta anos nada mudou.

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Quando o burro está a comer não se lhe pode mexer na barriga

As crises têm este efeito. Muitos, mas mesmo muitos,  andaram anos a dizer que o modelo económico não era adequado . Em duas semanas é o próprio primeiro ministro a dizê-lo em público, o ministro das finanças e as elites das classes académica e empresarial. Estão todos de acordo. É preciso mudar de modelo de desenvolvimento económico.

Isto faz lembrar " que a burro que está a comer não se lhe pode mexer na barriga". Enquanto foi dando para manter um certo nível de despesa mas sem resolver qualquer problema estrutural, a maioria foi comendo. O ambiente económico permitiu esse jogo de xadrez que Costa e Centeno manobraram com critério. Mas como sempre foi claro, ao primeiro embate o país estaria numa situação crítica para enfrentar a crise que daí resultasse.  

 "Portugal tem de se colocar nessa primeira linha do reforço da base industrial e da capacidade de produção nacional, além do mais porque somos dos países que ainda sabemos fazer muitas das coisas que a Europa se habituou a deslocalizar para o Oriente", disse António Costa.

Reiterando a urgência de "perder dependências que hoje existem de produtos e de serviços, trocando tanto quanto possível importações por fabrico interno", o presidente da CIP defendeu uma "ótica europeia federal" ao nível da indústria, em que "cada Estado membro tem estratégias próprias de desenvolvimento económico" que permitam uma diminuição da dependência externa que hoje se faz sentir.

E, tanto o Primeiro Ministro como António Saraiva repetem agora o que há mais de 30 anos o celebre economista americano Peter Druke veio cá dizer. É esse caminho que temos que prosseguir e esta crise até nos pode despertar para acelerarmos o que já vínhamos fazendo em setores que estão a reinventar-se, como o têxtil, o calçado, a metalurgia e metalomecânica, a aviação e aeronáutica ou os moldes", sustentou. E o cluster do Mar com um extraordinário potencial e tão mal aproveitado.

Para António Saraiva, a atual crise veio até "acelerar mais" o processo de transição para a economia digital que em Portugal já estava em curso, impondo um ainda maior recurso às plataformas eletrónicas e ferramentas digitais .

Ou o país tem coragem de percorrer este caminho difícil ou continuaremos pobres, com dois milhões de pobres, salários baixos, emigração e profundamente endividados.

E este trabalho não é de esquerda nem de direita. É um trabalho patriótico. 

Mais uma vez o Bloco de Esquerda está ideologicamente cego

O BE quer que a crise seja enfrentada com o recurso a investimento público. Isto quando há milhares de empresas em dificuldades. O dinheiro deve ser orientado como é óbvio para ajudar as empresas a manter o emprego, a melhorar a rentabilidade e a inovar. Mas claro, para o BE o que interessa mesmo é o estado gastar mais dinheiro em obras para alimentar " quimeras ".

Investimento público seria um disparate total.

O secretário-geral da OCDE falou já na necessidade de um Plano Marshall [plano implementado na Europa após a Segunda Guerra Mundial]. Há muitas possibilidades, obviamente. O mais importante é conseguir que as pessoas voltem as seus trabalhos e que as empresas não entrem em insolvência por causa da crise atual. Esse tem de ser o foco principal dos governos nos próximos tempos: planos contra o desemprego, planos para que as empresas não entrem em insolvência e consigam recuperar do choque brutal que estão a sentir neste momento.

A Catarina Martins lá vai dizendo que montar um plano de investimento público demora o seu tempo. Pois, o tempo em que as falências das empresas são inevitáveis sem ajuda célere, o tempo em que as pessoas perdem o emprego, o tempo em que o rendimento das pessoas baixa drasticamente.Mas ainda assim uma resposta mais forte diz a Catarina.

Mais ou menos como o burro do espanhol. Quando se habituou a não comer, morreu.

Os bancos tardam em fazer chegar o dinheiro às empresas

A Caixa Geral de Depósitos tem uma enorme oportunidade de mostrar que é essencial no apoio às empresas. Passar por cima da burocracia e acelerar o processo de o dinheiro chegar às empresas é tão importante como o próprio dinheiro. As coisas têm que andar ao ritmo das necessidades das empresas e não ao ritmo dos interesses dos bancos.

Independentemente das ajudas que os bancos receberam do estado a sua função é apoiar a economia . Os bancos financiam-se, em termos médios, a um juro muito acima das taxas negativas do Banco Central Europeu. “E é isso que a banca está a cobrar, entre 1 a 1,5%. Depois, há um o custo das sociedades de garantia mútua. Que pesa sobre o valor que a empresa vai ter de pagar. Não é um custo do banco”.

Mas as empresas é que vão pagar 3%. A CGD não pode baixar este custo e acelerar a chegada do dinheiro às empresas ? Se não pode devemos concluir que a CGD é um banco como outro qualquer e não pode servir de instrumento do Estado no financiamento das empresas ?

Como é que as empresas resistem a estas condições se não facturam e têm que honrar as suas dívidas ? 

Pois, não resistem e a falência das empresas começa sempre pela tesouraria.

Não adianta tentar impedir o desemprego por decreto

Sem economia e sem empresas não há como impedir o desemprego em massa e com ele brutais problemas sociais.

“As empresas não precisam de mais endividamento mas antes de tesouraria que lhes permita fazer face aos compromissos no curto prazo e manter os empregos em termos duradouros“, escreve Saraiva ao primeiro-ministro. E pede a “injeção direta de fundos nas empresas”.

António Saraiva deixa ainda um aviso ao primeiro-ministro. “Não adianta tentar impedir o desemprego por decreto se não houver economia e as empresas não tiverem trabalho“, escreve, em referência às sucessivas declarações de António Costa e do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira.

Medidas paliativas, endividamento adicional, montantes parciais e apoios pontuais não resolvem problema nenhum e chegaremos ao final do ano com uma economia desestruturada, uma sociedade civil desmobilizada e uma crise social eminente“, antecipa António Saraiva.

É bem verdade sem empresas não há emprego e não há produção de riqueza

As desigualdades ameaçam os capitalistas

Os CEO andam preocupados. A violência que atinge neste tempo certos sectores da sociedade pode vir atingir com igual violência os milionários. Nos USA começa-se a redefinir o papel da empresa na sociedade. Esta deixaria de ter por fim apenas ou principalmente a maximização do lucro acionista, para passar a atender em primeira linha aos interesses de clientes, empregados, fornecedores e comunidades. Só depois viria o lucro acionista e, aliás, "de longo prazo". É o "stakeholder capitalism", o capitalismo de todas as partes interessadas. 

Já em 2014, a insuspeita Lady Lynn Rotschild tinha convencido Christine Lagarde e o príncipe de Gales, entre outros, a constituírem o que veio a designar-se por "The Coalition for Inclusive Capitalism". "Se não adotarmos esta solução (capitalismo inclusivo), bem podemos contar com a substituição do capitalismo por algo muito pior", escreveu então Lady Rotschild.

O que os CEO da Business Roundtable detetaram foi uma ameaça sistémica que pode vir a atingi-los com a mesma violência que assume hoje a raiva contra os imigrantes ou a globalização. Não parece muito provável que estes beneficiários primeiros da ordem neoliberal se tenham convertido subitamente em apóstolos desta espécie de capitalismo de rosto humano defendido pela sua associação. Mas os tempos não estão para hesitações. Eles melhor do que nós entendem a crise de legitimidade ética e social que as políticas e as práticas do capitalismo contemporâneo engendraram. Se os CEO deste mundo, em vez de alinharem a sua missão exclusivamente pelo interesse dos acionistas, passarem a ter em conta também os interesses dos restantes cidadãos e das comunidades, isso será uma enorme derrota para a semicentenária cartilha neoliberal.

O ministro que gosta é de malhar

Primeiro " eu cá gosto é de malhar na direita" agora gosta de malhar nas empresas privadas. Santos Silva, ministro de um governo que levou o país à bancarrota, não se lembra de malhar no PS que nos últimos 20 anos governou 16 anos (80% do tempo).

Para quem tinha dúvidas sobre o que o PS pensa das empresas privadas que asseguram 80% do emprego e 60% das exportações pode agora dormir descansado. Malhar é o verbo e, como, Santos Silva foi ministro de todos os últimos governos socialistas também ficamos a saber que não se enganou nem disse sem pensar. É mesmo o que pensam os políticos socialistas sobre as empresas privadas.

Nas vésperas da discussão do Orçamento Santos Silva está a dar um recado encomendado. Em política o que parece, é.