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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A participação eleitoral nas europeias subiu desde que os deputados são eleitos directamente

Não foi o caso de Portugal, infelizmente.

Uma das novidades das eleições de 2019 foi a da participação eleitoral no conjunto dos Estados-membros ter subido pela primeira vez desde que os deputados do PE são eleitos diretamente, situando-se em cerca de 51% (resultados provisórios). Este é o valor percentual mais elevado dos últimos 20 anos e significativamente acima dos 42.61% de 2014. Mais: a participação subiu em 21 países e em sete destes mais de dez pontos percentuais.

O nosso lamento é o de que essa boa notícia não tenha chegado a Portugal. Já foram abundantemente referidas as questões relacionadas com o alargamento do recenseamento eleitoral e o problema de abstenção técnica que parece subsistir.

 

A maioria silenciosa pró-europeia manifestou-se nas eleições

Foi bem melhor o resultado nas eleições europeias do que a extrema direita e extrema esquerda desejavam. Em Portugal como ainda não apareceu uma força representativa da extrema direita uma boa parte dos eleitores não votaram. Mas na União Europeia foram mais de 50% os eleitores que votaram. E votaram maioritariamente nos partidos pró União Europeia.

Entretanto o Eurogrupo chegou a acordo num orçamento para a Zona Euro .

Denominado "Instrumento Orçamental para a Convergência e a Competitividade", o orçamento para a zona euro visa incentivar reformas para aumentar a competitividade nos 19 países que adotaram a moeda única.

Em dezembro de 2018, o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, recebeu um mandato dos chefes de Estado e de Governo da zona euro para trabalhar numa proposta de uma capacidade orçamental própria para a competitividade e convergência na zona euro.

A União Europeia e a Zona Euro indiferentes às vozes que clamam pela desgraça caminham na direcção certa, trabalhando para "Pela primeira vez, começaremos a pensar o futuro como um bloco coerente e a coordenar as nossas políticas económicas".

Com um bloco de pedra nas mãos ou a deitamos fora ou ajudamos a construir uma catedral. Não há outra opção.

ESTÃO A FINGIR

Os beneficiários da abstenção são os partidos com eleitos no parlamento.

 

Estão na mesma (bem, como querem) votem 90 ou 20 por cento dos eleitores. Mas só uma votação escassa lhes garante o domínio da sua composição.

Uma só coisa, primordial, precisam de assegurar – que o restrito grupo de partidos com eleitos não se altere; que não se lhes junte alguém mais para dividir o bolo dos lucros, privilégios e mordomias.

E, ainda mais importante, que não chegue ao parlamento alguém sério, que queira pôr ordem na casa e termo aos abusos e ilegalidades correntes; que venha propor algo de novo que interesse aos eleitores, que ponha em prática políticas que os votantes acolham e queiram ver repetidas em eleições futuras.

 

É um risco que não podem correr.

 

Para o evitar, a solução eficaz é silenciar os novos movimentos políticos e impedir que as suas ideias sejam difundidas e conhecidas. Porque, se ouvidos e conhecidos fossem, mais pessoas se interessariam em votar. Mas em votar nos novos.

Ora, é exactamente o que os partidos não querem.

 

Por isso, como vimos na recente campanha eleitoral, todos os concorrentes não integrantes do círculo exclusivo, foram ignorados e postergados pelos meios de comunicação; com os dominantes conformados, acríticos e confortáveis.

Seu aliado e servidor, o presidente, farisaico, apela ao voto na véspera e deplora e verbera a ausência no dia, depois de, durante semanas, se ter mantido silente perante a discriminação manifesta, quando o cargo demandava que tivesse intervindo; apelando, exortando e, com o poder de influência, induzindo à igualdade de tratamento de todos os candidatos. Pelo menos, na estação pública de rádio e televisão.

Não o fez porque não quis, não porque não soubesse que era seu dever.

E tudo fazem, uns e outro, com o desplante pesporrente de imputar às vítimas o incumprimento do “dever cívico”, simulando preocupação e desgosto com a situação que, verdadeiramente, é a que querem e pela qual trabalham.

 

Se a abstenção radica na convicção de que não vale a pena votar, são os partidos e o presidente quem promove que tal convicção se consolide.

Estão bem assim e não querem estar de outra maneira.

 

E a repulsa em ouvi-los é directamente proporcional ao fingimento em que se concertam.

E os partidos à esquerda do PS querem ou não sair do Euro ?

Bem pergunta Pedro Marques o socialista líder da lista às europeias. E trata-se bem se percebe de uma pergunta que exige uma resposta sem tibiezas.

"Uma visão mais progressista da Europa, de uma Europa que avança, é uma Europa que recusa a xenofobia os populismos, a extrema-direita (...). Agora, há diferenças políticas entre nós e a direita, claramente, e entre nós e os liberais também, depois, nas escolhas que se fazem para o avanço do projeto europeu"

Falando explicitamente no BE e no PCP, o cabeça de lista do PS disse que as ideias dos dois partidos sobre a moeda única - de que são profundamente críticos - representam "um grande perigo".

E depois insistiu, deixando a ambos os partidos um desafio: "Onde estão os partidos à nossa esquerda quanto ao euro. Querem ou não querem a saída?". "Temos de fazer essa pergunta", sublinhou.

Neste PS até eu volto a votar