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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O melhor dos mundos

O artigo de hoje: Há seis meses Pierre Moscovici era todo elogios para Portugal, particularmente na frente orçamental. Ontem mudou o discurso: alerta para risco significativo de desvio da meta orçamental de 2018 e 2019, recomendação para manter a despesa primária (sem juros) a crescer no máximo 0,7% e sugestão de novos cortes na despesa. Onde? na Saúde, por exemplo.
É uma alteração importante na forma como o Comissário Moscovici olha para Portugal. Porquê? Porque os serviços técnicos da Comissão devem estar a pressioná-lo, alertando-o para os riscos da economia portuguesa: uma desaceleração da economia europeia terá um impacte significativo no crescimento do PIB em Portugal e, com ele, um deslize orçamental grave.
Cá no burgo, António Costa e Mário Centeno ainda não se pronunciaram sobre o assunto. Já o Presidente, instado a pronunciar-se, disse não ter lido o documento. Mas sempre foi avançando que está de acordo com o governo.
Costa e Centeno vão começar a engolir, se a economia desacelerar, a teoria de que vivemos no melhor dos mundos. Moscovici já percebeu isso (coisa que se sauda). Já Marcelo parece continuar a domir

Surpresa não é mas preocupante é - grandes economias abrandam

As grandes economias para onde exportamos estão a abrandar. Espanha, França, Alemanha . O efeito na nossa economia é imediato .

Que a economia europeia está a abrandar ninguém duvida.

"Esta teimosia de o ministro insistir que vamos é ganhar juízo fez-me pensar. Acho que ele começou por ficar deslumbrado, mas o facto de o crescimento do terceiro e quarto trimestres de 2017 não ter sido nada de excecional arrefeceu os ânimos e levou-o a perceber que tem de ter cautelas antecipadas, porque sabe que está assente em cima de impostos que são variáveis e em função de um ciclo que é, também, variável", diz.

Contrariamente ao que dizem o BE e o PCP não há nenhuma folga. É preciso conter a despesa

 

 

 

Os sinais de uma economia em decadência

E os sinais da decadência estão aí todos mas António Costa faz de conta que não ve . Quando chegar a crise logo se arranjará um culpado tal como fizeram com a crise que Sócrates cavou.

Entretanto na economia os sinais de alarme soam cada vez mais alto, perante a complacência de um primeiro-ministro que triunfa num crescimento de 2,7%. Poupança, investimento e crédito às empresas estão em mínimos nunca vistos, próprios de uma economia em decadência. Com a produtividade e a competitividade a cair, o crescimento é alimentado só pela redução do desemprego. Mas o governo não nota que a melhoria do mercado de trabalho aumenta a precariedade laboral, com mais de um quinto dos trabalhadores em contratos a prazo.

Assim, nesta recuperação económica, a força produtiva fica cada vez mais frágil, mais descapitalizada, mais dependente do turismo, sem qualquer estratégia razoável para enfrentar os enormes desafios de desenvolvimento que tanto preocupam a Europa e o mundo. Mas isso não interessa, se o país está contente com a reposição de rendimentos, que permite voltar aos níveis de consumo insustentáveis que nos conduziram à crise anterior.

O crescimento é francamente pouco para as necessidades

A maioria dos países ( 20) na Europa tem um crescimento da economia francamente melhor do que nós e uma dívida menor . É poucochinho .

Sobre a economia do país, Maria Luís desvaloriza o crescimento. “Acho francamente triste para o país que 2,7% seja o melhor que conseguimos em todos estes anos. Tanto mais, se nos compararmos com parceiros europeus”, salienta, acrescentando ainda que “quando pensamos na posição que o país tem, no atraso que tem de recuperar, naquilo que precisamos de fazer, porque a dívida é muito elevada, e quando há, na mesma conjuntura, 20 países que conseguem fazer melhor, é francamente pouco”.

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A economia portuguesa carece de sustentabilidade

Um cometa que brilha momentaneamente mas que desaparece rapidamente

“As nossas exportações têm de estar 60% acima do PIB, até 2030, para termos uma economia sustentada”, refere José Manuel Fernandes. O Executivo tem definida como meta que as exportações venham a ter um peso superior a 50% do PIB até 2020, mas o Banco de Portugal duvida da exequibilidade deste objetivo. O empresário reconhece que é difícil, mas é possível, desde o momento em que “haja uma concertação muito bem afinada em relação às ações a desenvolver pelos vários organismos do Estado”. Ou seja, “desde a parte fiscal, passando pela estruturação dos incentivos, até mexer, de uma forma ousada, com os setores e os clusters“, refere.

Como é que se faz essa concertação, se o IRC está a aumentar por um lado e a AICEP, por outro, anda a tentar captar investimento estrangeiro?”, questiona-se, lançando uma crítica à opção de aumentar a derrama de IRC que penaliza as grandes empresas.

Os caminhos da economia digital também passam por aqui

Há que aliviar os custos de contexto que asfixiam a economia portuguesa.

O peso da administração pública nos circuitos empresariais permanece excessivo. E o Estado tarda a cumprir prazos de pagamento aos seus fornecedores, penalizando, porém, implacavelmente quem se atrasa em pagar-lhe o que quer que seja. E tudo isto se passa num país provido das mais avançadas tecnologias e que tem sido frequentemente elogiado em relatórios internacionais por ser um “early adopter”

Estamos tecnicamente muito evoluídos, mas enquadrados numa pesada estrutura estatal que suga recursos das empresas numa multiplicidade de impostos especiais, taxas, seguros de todo o género, certificações variadas, sistemas de controlo interno, tarifas de resíduos sólidos, contribuições audiovisuais, exigências de documentação diversa e mais uma infinidade de custos intermédios que legisladores de diversos matizes políticos se encarregaram de imaginar e pôr em prática ao longo das últimas quatro décadas.

Há que simplificar as regras e agilizar os procedimentos para reduzir custos: só assim conseguiremos atrair investimento de qualidade. O diagnóstico está feito e não é novo. Só falta pôr em prática a terapêutica adequada, e os caminhos da economia digital também passam por aqui.

Que a economia da Zona Euro não crescia diziam eles

Agora até dizem que foram eles que puseram a economia a crescer. Diziam que com o Tratado Orçamental Europeu a economia não crescia, controlando o défice e a despesa. Mas ela cresce !

O produto interno bruto (PIB) da Zona Euro vai crescer 2,2% este ano, muito próximo dos 2,4% do ano passado, que representam o melhor registo da última década.

Também o Banco Central Europeu reconhece que a economia europeia está a crescer a bom ritmo, tendo por isso admitido que poderá reduzir o programa de estímulos de forma mais rápida do que o previsto anteriormente.  

As últimas projecções apontam para que as maiores economias do euro – Alemanha, França e Espanha – cresçam todas acima de 2% este ano.

Estes três países são os nossos maiores compradores pelo que as nossas exportações vão manter-se a bom ritmo sustentando o PIB português.

Os caminhos possíveis para a economia

Ao contrário do que se faz por cá que escolhemos o caminho B em detrimento do caminho A .

...Ainda assim, a prazo, o que vai ser determinante para o crescimento do PIB – e dos padrões de crescimento inclusivos – vão ser os ganhos de produtividade. Da forma que as coisas estão, há motivos para duvidar que a produtividade vá crescer apenas por si mesma. Faltam vários itens importantes, o que lança dúvidas tanto sobre o crescimento da produtividade em larga escala como sobre uma mudança para padrões de crescimento mais inclusivos.

Ray Dalio descreve um caminho que pode ser caracterizado pelo investimento em capital humano, infra-estruturas e numa economia de base cientifica, como o caminho A. O caminho alternativo, o B, é caracterizado pela falta de investimento em áreas que vão impulsionar directamente a produtividade, como as infra-estruturas e a educação. 

Apesar de as economias estarem actualmente a favorecer o caminho B, é o caminho A que produziria um crescimento mais elevado, mais sustentável e inclusivo, enquanto amenizava a dívida persistente que está associada à dívida soberana elevada e às responsabilidades que não geram dívida em áreas como as pensões, segurança social e os cuidados de saúde financiados publicamente.

Sem poupança vamos ser colonizados

É cultural, poupar não é connosco. E sem poupança não há investimento. E sem investimento nacional avança ( se avançar) o investimento estrangeiro.

E, é claro, a nossa economia vai fazer o que os outros não querem fazer. Mas quanto a este problema o governo não diz nada. A verdade é que com as actuais políticas e com a actual solução governativa não é assunto que tenha solução. É chapa ganha chapa gasta .

"Se não tivermos capacidade de desenvolver a nossa economia por nós próprios, ela vai ser desenvolvida por outros. Mas vai ser desenvolvida tornando-nos no canal de distribuição dos produtos dos outros, e não  numa fonte de criação de riqueza, e sobretudo de riqueza de conteúdo elevado", avisa.

Quando isto acabar vamos estar como sempre estivemos. Na cauda e com todos os problemas que nos mantêm abaixo da média europeia .