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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Viver em Paris à tripa forra é natural

É, claro, que Durão Barroso não deveria ter aceite o convite de uma instituição financeira que tantas culpas tem no cartório. Terá tantos convites que mal se compreende expor-se desta forma tão, digamos, gulosa. Não há a mais pequena dúvida acerca disso. Já é mais difícil de compreender é que os mesmos que rasgam agora as vestes andaram muito tempo a acharem que um primeiro ministro a quem não se conhecem meios de fortuna vivesse à grande e à francesa num bairro chiquérrimo de Paris.

Não havia nada a estranhar e nada a perguntar . Mas quando soubemos a narrativa que explicava o inexplicável tivemos todos que engolir que não havia porta giratória nenhuma entre a política e os negócios. Era pura perseguição.

Hoje já temos alguma noção para que serviu a golden share na PT . Os milhões que desapareceram na Caixa Geral de Depósitos. O assalto ao controlo accionista do BCP. Os 800 milhões que o BES sacou . E tudo isto está ligado pelas investigações da Operação Marquês.

Mas o Barroso é um crápula e o Sócrates uma vítima. Vamos longe.

 

Os professores já foram uma "reputação" hoje, são uma corporação sindical

Antes do 25 de Abril os professores tinham reputação, eram admirados e bem quistos pela sociedade. Actualmente estão transformados numa corporação de interesses e ao serviço de ideologias partidárias. A classe deixou-se espremer pelos burocratas do ministério - com as suas "investigações" e o poder de que não largam mão - e os sindicalistas que mais não são que braços armados de partidos políticos. Perdeu-se a cultura do mérito e da exigência. O presidente da Comissão Europeia contrapôs hoje a "cultura de excelência" promovida nas escolas antes do 25 de Abril com a situação actual, recusando a ideia do Estado controlar o que os professores fazem nas salas de aulas. Mais autonomia, mais concorrência e maior liberdade de escolha, são os caminhos para uma escola de excelência.

Não me pergunta nada sobre o BPN ?

É que Durão Barroso ao contrário de José Sócrates estava preparado . E, claro, as respostas estavam na ponta da língua. Falou três vezes com Vitor Constâncio sobre o desastre e este, então governador do BdP, nada fez. E , ele, Barroso, Primeiro Ministro, fez o quê ? Nada. Há quem diga que o Banco de Portugal não teve culpa nenhuma estava tudo feito ao nível da regulação para os especuladores fazerem o que bem lhes apetecia. Fica por saber qual foi o papel do estado. Não é o estado que legisla?

Com este empurra de culpas percebe-se bem como os estados se foram colocando a jeito para o assalto global dos últimos anos. E percebe-se também que num mercado global os estados têm, também eles, que trabalhar em conjunto. Sem que esse objectivo seja alcançado vamos voltar a ver tudo o que vimos e que temos que pagar. A União Bancária na União Europeia é um passo muito importante mas não suficiente.

Quem não se sente não é filho de boa gente

Durão Barroso abandonou o barco no meio da tormenta. É uma das poucas coisas que os portugueses não perdoam. E para azar dele foi a partir daí que mais se acentuou a decadência do país. O que veio a seguir foi tudo mau. Lembro-me bem que o primeiro ministro da Holanda ( se estou certo) não aceitou o cargo na Europa "porque não abandonava o seu país sendo primeiro ministro".

Ajudou o país? Acredito que sim e colocou Portugal no mapa europeu, isso é verdade, mas ninguém esquece que, eleito, e com o "país de tanga", apressou-se a aceitar um lugar onde a conversa é muita mas que não obriga a tomar decisões difíceis.

É olhar para as sondagens. Santana Lopes, Durão Barroso, José Sócrates, Passos Coelho e mesmo Guterres estão no fundo da apreciação dos portugueses. Perdoamos mas não esquecemos.

Isto do "caldo entornado" é uma ameaça ?

Eu também acho que o Tribunal Constitucional não pode interpretar e decidir ao arrepio da situação do país. Mas daí até ameaçar os juízes vai uma longa distância. Mas foi o que o Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso fez. Se Portugal não fizer o que as entidades europeias acham que devemos fazer "temos o caldo entornado". E, é verdade, o caldo entorna-se, mas o Presidente da Comissão Europeia não pode dizer isso. Se a implementação das medidas são da competência das nações então há que deixar que a separação de poderes funcione. Não é a cercear a democracia que vamos lá.

É, claro, que se partidos, PR e TC se entendessem seria possível sair airosamente da situação, mas se os juízes têm que decidir onde os partidos e PR não se entendem, pode esperar-se isenção? Sensatez na Palácio Ratton quando não a há no Palácio de S. Bento?

Mas o Presidente da Comissão Europeia não pode fazer ameaças a Portugal. Chateia-me!