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BandaLarga

as autoestradas da informação

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No Estado só se ouve falar em aumentar a despesa

O dinheiro europeu ainda não chegou mas o governo já anda a distribui-lo.

A pandemia trará consequências muito gravosas a quase todas as empresas portuguesas sejam elas privadas ou públicas. As privadas irão encerrar se não demonstrarem a sua viabilidade. As públicas por cá continuarão independentemente de serem viáveis ou não. A longa mão do Estado, e já agora os nossos impostos, lá estarão para cobrir os prejuízos. Sempre em nome do interesse público.

Problemas nas empresas significam a diminuição do PIB, o aumento do desemprego, a redução da liquidez e da capacidade de realização de novos investimentos, o aumento do incumprimento com fornecedores e com credores. E não quero acrescentar, para não começar a chorar, a forte possibilidade de surgimento de graves problemas no sistema bancário. Uma crise económica desta dimensão significará sempre para o Estado mais despesa e menos receita.

O país está contra a injeção de 1 200 milhões na TAP

Afinal aquela ideia que os portugueses estão apaixonados pela TAP companhia de bandeira está por provar. Uma sondagem mostra que a maioria da população não concorda com a injecção de 1 200 milhões na companhia aérea.

É uma táctica habitual, lança-se a ideia e depois a partir dela, como de uma verdade se tratasse, desenvolvem-se os negócios do Estado como de costume.

Há uma enorme preocupação no país sobre a utilização do dinheiro que virá de Bruxelas. Os grupos de pressão junto do governo estão activos para abocanhar uma fatia. Como sempre fizeram.

O dinheiro chega ao estado e depois é usado, não nas pequenas e médias empresas e em projectos viáveis, mas sim nas grandes empresas que vivem na órbita do Estado. Grandes projectos que sugam milhões e que depois se transformam em grandes "elefantes brancos". Exemplos não faltam.

 

Na TAP a música agora é outra disse ele

E é verdade, então não é, a prova é que o accionista privado não aceita as condições impostas pelo Estado para ajudar a companhia.

Segundo Neeleman a TAP não precisa do dinheiro do estado, tem bancos interessados em financiar , o que precisa é do conforto, da garantia do estado. Por outras palavras manter o estado fora da gestão corrente.

Rui Rio, para ganhar terreno, já veio dizer que o estado vai meter dinheiro logo, tem que entrar na gestão, tem que controlar a companhia. Uma posição completamente contrária à do accionista privado. 

No estado actual da economia tudo aponta que a TAP se esteja a converter em mais um sorvedouro de dinheiro público, tipo Novo Banco. As empresas que potencialmente poderiam estar interessadas na TAP, nestas condições, não vão fazer fila para meter lá dinheiro. Onde é que se vai encontrar dinheiro a médio e longo prazo ?

O governo fez um negócio péssimo onde não manda nada e, agora, vai lá meter mil milhões. Numa empresa sem viabilidade à vista e cuja sustentabilidade depende de factores externos que o estado não controla.

A música seria outra, bem mais bonita, se o estado se tivesse mantido fora da companhia. Mas não, decidiu pagar tudo sem mandar em nada. E num país onde falta o dinheiro a "companhia de bandeira" é mais um poço sem fundo.

O dinheiro europeu ainda não chegou e já está a ser desbaratado.

Muito dinheiro para a TAP pouco dinheiro para a Saúde

O governo muito se afirma como o campeão do investimento no SNS mas quando chega a hora o dinheiro não aparece. Vai para a TAP uma companhia que teimosamente e ao arrepio do que acontece nas companhias de transporte aéreo europeias, quer manter-se de bandeira. 

Medidas e opções políticas sem racionalidade económica custam muito dinheiro como se vê na opção agora tomada. Para o SNS vão 550 milhões mas para a TAP vão 1,2 mil milhões. Palavras para quê, vão continuar a chorar lágrimas de crocodilo ? É que o SNS tem que recuperar a actividade - 50% das consultas, cirurgias, exames e análises foram adiadas - para recuperar centenas de milhar  de doentes. Que sofrem, que morrem sem serem tratados.

Em termos de orçamento, estamos a falar de três meses -- 25% de um ano. Se eu aplicar este quarto de ano ao orçamento, significa que, para recuperar metade do que era a atividade desses três meses, são necessários 1.250 milhões de euros", explicou.

Esta recuperação, avançou, "terá de ser feita de forma suplementar, o que significa milhares de pessoas a trabalhar e a receber de forma suplementar. O SNS precisa seguramente de mais dinheiro".

Uma das lições desta pandemia é que a saúde é absolutamente determinante na vida de qualquer país. Na Europa, as pessoas estão a perceber isso e há alguns países que vão investir muito mais na saúde, mesmo os que já investiam mais do que nós".

O que vemos é que a economia já está a prevalecer sobre a saúde, como demonstra a verba de 1.200 milhões de euros prevista para a TAP", .

O Estado vai meter mil milhões na TAP

O Estado não tem mais nada para meter na TAP que não seja garantir junto dos mercados financeiros os empréstimos de que a companhia necessita.

Como, aliás, estão a fazer as outras companhias de transporte aéreo europeias, como é publicamente notório no caso da Alemanha com a Lufthansa.

Bem pode o ministro das infraestruturas gritar e ameaçar mas quando chegam os problemas de caixa ou de rotas a definir o Estado accionista, o que pode fazer é seguir de perto as prioridades estabelecidas.

Perante o curriculo do accionista privado e do seu envolvimento no negócio nos USA e no Brasil o Estado pode ajudar muito com a mutualização da dívida que tanto exige para si junto de Bruxelas.

É o seu papel como accionista. Tudo o resto é conversa fiada.

O dinheiro não está a chegar às empresas

Algumas vão fechar outras já fecharam e não voltam a abrir. Como seria de esperar a burocracia do Estado não é compatível com as necessidades de quem tem que pagar salários. A falência começa sempre pela Tesouraria.

A situação que o mundo enfrenta não é fácil e nenhum governo estava preparado para o que está a acontecer. Mas está muita coisa em jogo e é urgente que o dinheiro chegue às empresas e que, desta forma, seja possível manter os rendimentos das famílias e minimizar os estragos no tecido produtivo. A retoma da economia vai depender disto. A despesa que fizermos agora poderá ser, é certo, o imposto de amanhã. Mas também podemos afirmar, com elevado grau de certeza, que muita da despesa que ficar por fazer hoje terá como contrapartida menos receita fiscal no futuro.

O Estado mete o dinheiro nas empresas "certas "

As mesmas de sempre que se sentam à mesa do Orçamento.

Vista que está a forma como o Estado onera as empresas socorrendo-se delas para exercer o seu papel “protector” analisemos agora como o Estado “conserta” o problema que inflige a todas as empresas com o nobre intuito de relançar a economia. Começa aqui a nova ficção que mais não é do que a reedição dos programas financeiros de apoio ao investimento e quejandos. Isto é dinheiro para alguns mascarado de critérios de selecção de sectores, tipologias, pareceres, diagnósticos, etc., com uma finalidade única: a de canalizar dinheiro para as empresas “certas”, normalmente aquelas que já deveriam ter desaparecido há muito tempo, se não estivessem na rota “certa” da ajuda do Estado, acompanhadas pelos peritos “certos” que por sua vez aceitam os incentivos “certos” para que o nobre propósito de desperdício de dinheiros públicos se mantenha no nível “certo”.

A banca é uma bruxa já está a tratar de si mesma

O dinheiro tarda a chegar às empresas mas já está a chegar aos bancos. Dinheiro barato do BCE para responder à pandemia. E com isto, com dinheiro barato, ganham milhões emprestando-o às empresas sôfregas de liquidez.

Os bancos anteveem uma utilização da liquidez sobretudo para os dois fins referidos, mas também como alternativa ao crédito interbancário [em que os bancos se financiam junto de outros bancos] ou a outras operações de cedência de liquidez“, diz o inquérito realizado pelo Banco de Portugal. E também “para a aquisição de obrigações soberanas nacionais”, permitindo-lhes, com o BCE a comprar dívida pública no mercado — tem uma “bazuca” de 750 mil milhões de euros –, obter algum retorno.

Os bancos dizem ainda esperar que “a sua participação nestas operações contribua para melhorar a respetiva situação financeira, nomeadamente através da melhoria da capacidade para cumprir os requisitos regulamentares e prudenciais e da rendibilidade e posição de liquidez global do banco”, mas também “para o aumento do volume de crédito concedido a empresas e a particulares“.

Um helicóptero a repartir dinheiro directamente por todos os cidadãos

Entregar um cheque directamente a cada família é a única maneira de fazer chegar o dinheiro da União Europeia aos cidadãos. De outra maneira o dinheiro vai perder-se nos bolsos dos habituais. Os que influenciam as decisões dos governos.

Sendo assim, quais os passos seguintes? Num outro discurso de Ben Bernanke, também em Novembro de 2002, podemos encontrar algumas pistas. E está ligada a uma proposta de Friedman, conhecida como Helicopter Money. Bernanke defende que uma forma de estimular a economia é através de uma redução de impostos financiada com emissão de dívida pública comprada directamente pelo Banco Central, com o compromisso de que o governo nunca terá de a amortizar.

Parece impensável que uma política destas seja seguida na Europa. Isso equivaleria a que o BCE financiasse directamente os governos nacionais, o que vai contra as regras dos tratados europeus, estimulando o comportamento irresponsável de muitos governos. E, convenhamos, estes governos já demonstraram em diversas ocasiões de que não precisam de estímulos extra para serem irresponsáveis.

Como poderia o BCE distribuir dinheiro desta forma pelos cidadãos europeus? John Muellbauer, professor em Oxford, propôs que se entregasse 500€ a cada pessoa que tivesse número de contribuinte ou que se recorresse aos cadernos eleitorais. Isto, claro, com a garantia de não o pedir de volta. Ou seja, tratar-se-ia de uma dádiva e não um empréstimo, pelo que corresponderia a um aumento permanente da moeda em circulação.

Se se chegar ao ponto de se mandar imprimir dinheiro para distribuir, prefiro que seja um helicóptero a reparti-lo por todos em vez de ser entregue aos governos ou a Juncker para o distribuir por interesses seleccionados. Apesar de tudo, é mais justo e menos arriscado.

Não há dinheiro dão-se férias

Reduzir das 40 horas para as 35 horas foi um sinal óbvio de falta de dinheiro. Pagamos todos com a degradação dos serviços públicos.

Como as coisas se estão a degradar rapidamente quem andou a vender  promessas e agora não as pode cumprir oferece dias de férias. Em cima de serviços degradados fundamentalmente por falta de pessoal.

Convenhamos que oferecer como base de negociação 0,3% de aumento de salário é uma piada de mau gosto. Líquido de IRS os trabalhadores levam para casa à volta de 4 euros. O país está melhor dizem os pândegos de serviço.

As previsões para o crescimento do PIB nos dois próximos anos são de 1,7%, uma miséria a que há a acrescentar as exportações que estão a patinar com as importações a crescer quase o dobro.

A tempestade perfeita que Costa tanto fez para nos apanhar mais uma vez indefesos .O vírus são assim atacam quando o sistemas está vulnerável.