Só a Itália e a Grécia estarão pior. Nas listas dos maus presságios Portugal está em todas.
Caso não haja mudanças nas políticas, a Moody's estima que se criará um "buraco financeiro" superior a 5% do PIB em Portugal até 2040, valor semelhante ao do Japão, com as consequências do envelhecimento da população. Apenas a Grécia e Itália terão um problema maior para lidar na ordem dos 15% do PIB.
O estudo da Moody's divulgado esta quarta-feira, 3 de março, assume que o envelhecimento da população, com a perda de força de trabalho e o aumento de pensionistas, levará a uma menor poupança das famílias e a um aumento da necessidade de pedir empréstimos, o que criará "lacunas de financiamento" para os Estados mais afetados por este fenómeno.
"Se o problema é dramático a nível europeu, mais trágico ainda é em Portugal — o quinto país mais envelhecido do mundo e o oitavo com menor índice de fecundidade à escala global. “Portugal junta a baixa natalidade à perda de população por via das migrações. Temos o pior dos mundos. Uma verdadeira tragédia demográfica”, descreve João Peixoto, sociólogo e investigador do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG)." (citação)
Nasceram mais 1 500 bebés no 1º semestre em relação a 2014 . A curva demográfica descendente pode estar a inflectir. Os casais, com melhores expectativas de vida, decidiram avançar . Principalmente as jovens mulheres que estão a chegar aos 40 anos, decidiram não perder a última oportunidade de serem mães.
Esta decisão tem a ver com muitas condicionantes e uma delas, decisiva, é a expectativa que se tem do comportamento da economia, oportunidades de emprego, políticas de apoio...
"Se se mantiver a tendência observada nos últimos dois semestres - o último do ano passado e o primeiro deste ano -, entramos em recuperação. A expectativa é que tenhamos um número de nascimentos superior ao de 2014. Mesmo que não seja muito grande, é sempre significativo quanto temos um declínio grande desde 2010. Nos últimos anos perdemos cerca de 18% de natalidade. Ter um número mais elevado será um marco".
Não há preconceito nenhum, Carlos Duarte. É um facto. Quer numa sociedade haja 2 homens por mulher, quer haja duas mulheres por homem, isso é irrelevante para a capacidade reprodutiva dessa sociedade, dado que a fecundidade das mulheres não depende do número de homens que estejam disponíveis para as fecundar. Além disso, o "casal" não é uma característica de todas as sociedades. Na África muçulmana, por exemplo, é normal um homem mais rico ter 3 ou 4 mulheres enquanto que homens mais pobres não têm nenhuma. Falar de "filhos por casal" num tal contexto social é disparatado. O que interessa é o número de filhos (aliás, de filhas) por mulher. Mais explicitamente, o que interessa é que cada mulher consiga ter uma filha que atinja a idade reprodutora.