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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Há sérias dúvidas sobre a sustentabilidade do actual crescimento económico

Só há uma opção sustentável para pagar a dívida pública. Crescer economicamente, de outra forma vamos precisar de 35 anos de austeridade, com baixos salários e maus serviços públicos.

Em conclusão, Manuela Ferreira Leite disse que, apesar de a situação estar melhor, "não está quase nada resolvido". "Muito pouco", classificou. E deixou um alerta a Mário Centeno: no centro da solução tem de estar o crescimento económico pois sem isso não se resolve "o problema da consolidação orçamental" nem o da dívida pública.                                                                                                  

Ainda assim, Ferreira Leite pôs em causa a sustentabilidade da corrente subida do PIB, apesar de ter dito que concorda "muito" com o caminho que tem sido seguido pelo actual Governo. "Tenho sérias dúvidas sobre a sustentabilidade [do crescimento económico]", rematou. 

Cá está a União Europeia a renegociar a dívida

Extensão do prazo dos empréstimos para trinta anos e com isso aplanar ao longo do tempo as amortizações da dívida e manter a taxa de juro em níveis razoáveis. É esta a tão desejada renegociação da dívida.

O BCE vai emitir obrigações europeias com vista a oferecer a Portugal linhas de empréstimo a 30 anos com vista a beneficiar o país trocando-as com as obrigações a curto e a médio prazo.

A Comissão Europeia vai emitir obrigações em nome da União Europeia para facilitar a extensão das maturidades dos empréstimos feitos a Portugal através do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF). Este passo consiste na implementação da decisão do Conselho Europeu em 2013. A extensão destes empréstimos deverá diminuir o custo com juros e alisar o perfil de maturidades da dívida portuguesa.

Todos nos lembramos daqueles arautos da desgraça que rasgavam as vestes exigindo o perdão da dívida . Não pagamos .

A prorrogação dos prazos do empréstimo já tinha acontecido no passado. Em 2013, o então ministro das Finanças, Vítor Gaspar, negociou no Eurogrupo o prolongamento das maturidades dos empréstimos ao lado do seu colega irlandês. Estima-se que essa renegociação tenha gerado poupanças de 2,2 mil milhões de euros a ambos os países. Na altura, foi concedido aos dois países mais sete anos para reembolsarem o Mecanismo.
 

Sem reformas estruturais os juros sobem

Lá para o fim do ano o BCE vai dar por terminado o programa de compra de dívida o que vai contribuir para o aumento das taxas de juro a somar ao crescimento que já se faz sentir. E isso, tendo o país uma dívida gigantesca, não ajuda em nada.

Há uma probabilidade elevada dos investidores internacionais penalizarem os leilões dos periféricos do euro (Itália e Portugal), exigindo taxas muito mais altas do que nas operações anteriores, e continuarem a aceitar juros muito baixos no caso das emissões de Bunds (alemães) e do MEE.

O regresso a um quadro de clara dissociação entre as trajetórias dos juros nos periféricos e no centro do euro é um dos riscos assinalados por muitos analistas.

Sem reformas estruturais que PCP e BE não deixam fazer as taxas de juro vão subir ( no caso de Portugal já estão nos 2%) o que em qualquer caso é uma bomba para as finanças.

Esta semana há um novo leilão do Tesouro.

No prazo de referência, a 10 anos, os juros (yields) fecharam no mercado secundário acima de 2% na sexta-feira e abriram esta segunda-feira em queda ligeira, registando 1,96%. Apesar de estarem, agora, abaixo do limiar dos 2%, estes juros estão claramente acima do mínimo histórico de 1,67% ocorrido no último leilão, naquela maturidade, realizado a 9 de maio.

As taxas atuais de mercado a 5 e 10 anos apontam para o fim de juros em mínimos históricos nos leilões de dívida de médio e longo prazo organizados pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP).

Com a dívida ao nível actual não estamos preparados para nova crise

Com as taxas de juro a subir ao primeiro abanão é hoje mais que visível que a prioridade deveria ter sido a redução consistente da dívida. Infelizmente os acordos e as cedências mútuas entre os partidos da "geringonça" impediram o que sempre foi evidente. Com este nível de dívida que impõe pagamentos de juros na ordem dos 8 mil milhões de euros/ano e com o crescimento da economia a definhar, o país continua a não estar preparado para enfrentar as dificuldades que se apresentam.

Os sinais que nos chegam revelam-nos que a tempestade esteve sempre lá. A bonança não é eterna. Na verdade, o primeiro-ministro acusou o toque quando esta semana nos veio dizer que este não era o momento para mexer na carga fiscal ou para aumentar a despesa. As atenções, dizia António Costa, são todas para a redução da dívida. O ponto é este: não deveria ter sido esta a prioridade da legislatura? Não deveria ser esta uma matéria de acordo de regime?

Alguma coisa mudou mas para que tudo fique quase na mesma.

A tentação da esquerda de fazer mais despesa

Contra a opinião de Centeno e de Costa a extrema esquerda quer fazer mais despesa e não reduzir a dívida. O habitual para quem não queria pagar a dívida ou queria renegociá-la com hair cut . Até se deram ao trabalho de escreverem tratados que ninguem leu e que cairam rapidamente no esquecimento tal era o mérito das soluções apresentadas.

Na entrevista à TSF, disse que quanto mais depressa o país se colocar numa trajetória de redução da dívida pública, mais rapidamente chegará a um "porto seguro". Foi neste contexto que avisou que "quando em Portugal o sol brilha assim por três ou quatro meses há sempre uma enorme tentação de ultrapassar um conjunto de condições orçamentais".

Entre a opção do governo e as que defendem os parceiros de esquerda, o economista João Duque observa que dar mais dinheiro aos serviços públicos não é sinónimo de resolução dos problemas e acentua que, na impossibilidade de o dinheiro dar para tudo (ir mais além no investimento e, simultaneamente, na redução da dívida), o mais acertado é reduzir o endividamento público.

A dívida é sustentável ?

Mesmo que se mantenham por mais algum tempo as condições extraordinárias conjugadas actuais a dívida é sustentável ?

Basta que os juros regressem para níveis mais próximos do que é historicamente normal para que nem estes saldos primários, ainda que prolongados por muito tempo, tenham hipótese de assegurar uma trajectória descendente.

A sustentabilidade da dívida não é um problema meramente matemático, mas político e social.

Segundo a base de dados AMECO da Comissão Europeia, o investimento público em 2017 foi o mais baixo de toda a União Europeia – menos de um terço do nível de há vinte anos. A cada semana que passa surgem novas demonstrações das graves carências por que passa o Serviço Nacional de Saúde: esta semana foram as condições do serviço de pediatria oncológica do Hospital de S. João e as listas de espera de mais de dois anos para consultas de especialidade em mais de uma dezena de hospitais do país.

Portugal deve preparar-se para este debate e, de preferência, procurar antecipá-lo. Agora, o que não faz sentido, e pelo contrário é claramente nefasto, é colocar todas as fichas no cenário improvável da manutenção por tempo suficiente das actuais condições extraordinárias, afirmando a indesejabilidade de uma reestruturação e indo além das exigências de Bruxelas ao nivel da consolidação orçamental. Fazê-lo tem uma reduzida probabilidade de ajudar a resolver o problema no futuro e contribui, no imediato e de forma certa, para a continuada degradação de serviços públicos essenciais.

 

O crescimento da dívida não engana

A Verdade da Mentira

A dívida pública é como o algodão: não engana.

Podem martelar contas, cozinhar a contabilidade e fazer todas as engenharias financeiras que quiserem, para esconder deficit, e podem até inventar crescimento económico, e inflacionar os valores do PIB, que tudo isso não passam de esquemas de reporte das contas, que só serve para enganar o zé povinho, os eleitores, a UE e o Eurostat.

Podem até reportar excedentes e superavits, meros embustes, e falácias, que mais tarde ou mais cedo, não resistem ao teste da dívida.

No final, a evolução da dívida pública, acaba sempre por espelhar a verdade das contas públicas, e das governações.

Até que a dívida continue a crescer, é porque existe deficit, mesmo que não reportado, não totalmente reportado, martelado ou escondido.

Até que a dívida cresça, continuam a gastar mais que o que deviam e mais que o que temos. É assim simples, simples, e o resto é conversa da treta para enganar tolos, ignorantes e demais gentes que gostam de ser enganadas.

Mas porquê agora este disparo no valor acumulado da dívida pública? É muito simples a resposta: andaram a martelar contas nos últimos dois meses do ano, a atrasar despesa e lançamento de facturas, e a acumular dívidas a fornecedores, com o objectivo único de "alindar" os números de final do ano, e assim poderem apresentar ao povo português, aos credores, e a Bruxelas, uma fotografia a cores, de uma realidade a preto e branco. E agora a dura realidade, começa a vir á superfície, e a tomar o seu caminho.

Basta is analisar a variação dos valores em caixa, a variação dos montantes das dívidas a fornecedores, e a variação do total da dívida pública, e facilmente se apanham todas as manigâncias com os números reportados no deficit.

Mas ela, a dívida, vai aumentando

Tornou a subir em Janeiro. É fácil compreender porque sobe. Não é o país que cria riqueza, são os novos empréstimos contraídos que pagam a dívida vencida e, pelo caminho, baixam os juros à conta do BCE. 

O Banco de Portugal anunciou esta quinta-feira, 1 de Março, que a dívida pública atingiu 243,6 mil milhões de euros em Janeiro, o que traduz um aumento de mil milhões de euros face ao nível registado no final de 2017.

Este aumento, segundo o banco central, traduz o acréscimo dos títulos de dívida pública em 2,2 mil milhões de euros, que foi "parcialmente compensado pelo reembolso antecipado de aproximadamente 800 milhões de euros de empréstimos concedidos pelo Fundo Monetário Internacional.

A dívida aumentou mas o título do jornal diz que afundou

Vale tudo . Já se sabia que o valor tinha aumentado para 242,6 mil milhões de euros em Dezembro de 2017, contra os 240,9 mil milhões de euros no final de 2016. Mas só agora se sabe o peso do endividamento público na economia, que se situou em 126,2% do PIB, bem abaixo dos 130,1% registados em Dezembro de 2016. Assim, apesar do aumento de 1,6 mil milhões em termos nominais ao longo de 2017, em percentagem do PIB a descida foi de 4 pontos percentuais.  

É óbvio que, apesar do título enganador desta notícia, a dívida pública não "afundou" em 2017, antes aumentou em cerca de 1700 milhões de euros.