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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Não conseguimos sair do ciclo crescimento-dependência-crise?

As contas externas estão numa situação bem mais periclitante do que parece. Devíamos estar a acumular reservas para pagar a dívida.

O crescimento potencial da economia depende do aumento do investimento, o que só pode ser conseguido: I) ou com aumento da poupança, para o que é necessário que o consumo, privado e público, cresça menos do que o PIB, e assim se preserve o equilíbrio externo e, desejavelmente, se consiga reduzir a dívida externa; II) ou se continua a estimular os consumos e voltam a acumular-se défices externos, aumentando a dívida externa, a vulnerabilidade do país e a sua dependência do exterior.

Uma dívida enorme uma carga perigosa

As agências financeiras continuam receosas :

Embora não perspetivem crises ou cataclismos (há o brexit, mas dizem que será gerível), os economistas das quatro grandes agências mostram alguma inquietação com os próximos dois anos. Por muito que faça, Portugal tem uma dívida enorme, uma carga perigosa.

A economia é "pouco produtiva", desinvestiu demasiado nos últimos anos, as empresas estão muito descapitalizadas, sobretudo as mais pequenas. O país apostou pouco nos negócios de valor acrescentado, ainda que esteja a recuperar o tempo perdido nesse domínio. Mas basta um rastilho de turbulência nos mercados e alguma coisa pode correr mal. Além disso, o estado da banca ainda convence pouco, o que, no pior cenário, pode deitar por terra a estabilização do défice. E fazer a dívida subir, outra vez.

Bastaram dois anos e já estamos a divergir da Zona Euro

Quando se anuncia um ciclo de ouro para a economia da Zona Euro, a economia em Portugal iniciou o anunciado abrandamento como as previsões do próprio governo confirmam.

O INE publica hoje a evolução da economia no 3º trimestre com um abrandamento divergindo da Zona Euro e da União Europeia.

E, como também se sabia, o aumento da despesa pública impediu que Portugal reduzisse a dívida, colocasse o défice a zero e relançasse o investimento. Bastaria que a reposição de salários e pensões se tivesse feito a um ritmo mais lento para agora estarmos a acompanhar o surto de progresso que percorre a Europa.

Mais uma oportunidade perdida. O governo face às nuvens no horizonte cede às exigências do PCP e do BE e nem assim evita o regresso dos sindicatos à rua e às greves. O PS tinha engolido o PCP e o BE mas o resultado das autárquicas obrigaram-no a regurgitá-los .

E que tem o PS mais para dar aos seus apoiantes anti-Europa ? Avançar contra o Tratado Orçamental e exigir a renegociação da dívida ?

A maioria absoluta do PS está mais longe, depois das culpas que não assume, e as sondagens já pressionam o PS e António Costa. E 2018 e 2019 vão ser mais difíceis com a subida das taxas de juro, a subida do preço do petróleo e o fim do programa de compra de dívida por parte do BCE. 

Só temos quatro países a crescer menos que nós, temos a segunda maior dívida e o maior peso do Estado . Os outros prepararam-se vão colher o que semearam.

Lembram-se ? Não foi assim há tanto tempo.                                                      

É por isto que PCP e BE voltam a falar em negociação da dívida

Com a dívida aos actuais níveis e não se vê como poderá reduzir-se significativamente no curto prazo, o ciclo de taxas de juro mais elevadas que vem aí dá razão a quem insiste que a folga financeira devia dirigir-se para a redução da dívida e não para aumentar despesa pública.

É que se o crescimento ajuda e a situação económica europeia deverá continuar a melhorar, com ela chegarão taxas de juro mais elevadas para as quais o país tem que estar preparado, defende Mário Centeno.

"Sabemos que vem aí tempos melhores para a economia europeia, mas virão associados a um ciclo de taxas de juro mais elevadas", afirmou o ministro das Finanças na segunda-feira, dia 13 de Novembro, acrescentando que "o ciclo de taxas de juro baixas vai ser alterado e não podemos chegar a esse momento sem ter a dívida publica a cair".

A dívida pública estará a cair mas continuará um monstro e, assim, se percebe a recente exigência do PCP e do BE na renegociação da dívida, bandeira que há muito não agitavam. 

E como continuamos na cauda em termos de crescimento económico percebe-se o nó .

Os juros da dívida estão de regresso a níveis de 2015

Cantam-se ossanas com a redução dos juros da dívida mas, a verdade, é que apesar de a Zona Euro atravessar uma boa fase e do contributo do BCE só agora, passados dois anos do actual governo é que os níveis regressaram a 2015. Dois anos perdidos e que custaram ao país milhões em juros.

E, ainda, duplicam os de Espanha e todos os outros com excepção ( por ainda ser mais crítico) desse sonho húmido que foi a Grécia do Syrisa que devíamos seguir como diziam Costa e os seus apoios.

Afinal e ao contrário do que diziam os inimigos da União Europeia e da Zona Euro é possível a economia crescer no quadro do Tratado Orçamental .

De vitória em vitória para voltar a 2015 . E o que é mais extraordinário é que se trata, segundo o primeiro ministro, das maiores vitórias do século .

Já com Sócrates havia socialistas que eram ceguinhos.

Mas então a dívida cresce ou não cresce Prof Centeno ?

Crescer cresce mas cresce menos.  Esta é de morte, é como o crescimento humano, cresce rapidamente na infância e na juventude e depois começa a crescer menos e em certa idade para. Com a velhice começa a decrescer. Como pode ser de outra maneira ?

Com a dívida a questão é que já cresceu muito para além do necessário e saudável e é agora necessário descer e muito. De 130% para 60% mas o que nos diz Centeno é que a dívida está a crescer menos. Ora bolas.

A dívida pública total do país deverá chegar ao final de dezembro a crescer 0,8% face ao ano anterior, o ritmo mais baixo das últimas duas décadas, indicam dados oficiais recolhidos pelo DN/Dinheiro Vivo.

Afinal a dívida sempre está a crescer. É a tal "pós verdade" de António Costa.

A dívida pública desceu de 227 mil milhões em 2015 para 249 mil milhões em 2017.

 

A dívida é "o" problema da economia

O artigo de hoje: O ministro das Finanças diz que a dívida pública vai cair em 2018. Daniel Bessa diz que vai subir. Quem tem razão? Ambos. Centeno fala do peso da dívida no Produto Interno Bruto, Bessa refere-se ao valor absoluto da dívida (milhares de milhões de euros).
O problema é que a chamada de atenção de Daniel Bessa é muito importante. Porque olhar apenas para o peso da dívida no Produto tem limitações. Mormente no caso português. Porquê? Porque não é seguro que a economia portuguesa continue a crescer ao ritmo atual (sobretudo porque o governo está a reverter as reformas estruturais impostas pela Troika). E é até possível que estagne ou entre em recessão. Ora numa situação destas, como a dívida em valor absoluto continuará a aumentar, com a estagnação do PIB, ou recessão, o seu peso no Produto voltará a aumentar.
Mário Centeno sabe sabe muito bem que é assim. Mas como entretanto se tornou mais político que economista (exatamente o contrário do que deve ser um ministro das Finanças), vai desvalorizando estes riscos. É pena

Feliz o país que em tempos de bonança pensa na próxima crise

É que ela, a crise, vai chegar. Pode ser daqui a dois anos, ou a quatro ou a seis mas vai chegar e se nos apanha com a dívida aos níveis actuais vamos ter que pedir novamente ajuda externa. É por isso que há muita gente sabedora que avisa.

Colocar o défice a Zero como faria o Prof Daniel Bessa bem ao contrário do PCP e do BE que exigem mais défice ( dinheiro para gastar) .

Em 2016, a maioria dos países da zona euro tinha dívidas públicas entre os 80% e os 100% do PIB (a média da zona Euro é de 91%). Entre esses países está a Alemanha (que apesar dos excedentes orçamentais não prevê reduzir muito substancialmente a sua dívida), a França, a Espanha e a Áustria.

Urge que Portugal reduza a sua dívida para os 90%. Isto só se faz com um plano concreto que dê prioridade ao "como" e " enquanto tempo ". Ora em Portugal o que o governo nos diz é que "a dívida vai dar um trambolhão" . Esperamos sentados .

Contudo, tendo apenas por base as projeções do Governo, e tomando-as como certas, a única conclusão a que se chega é que a dívida pública em valor absoluto vai aumentar este ano, em relação a 2016, e vai também aumentar no próximo ano, em relação a 2017.

A dívida vai continuar a subir em 2018

Se é em relação ao PIB vai descer mas se a relação é entre valores absolutos então vai subir. E como a média europeia da dívida anda à volta dos 80% e a nossa anda nos 132% então não há dúvida nenhuma que a nossa é mesma alta e vão ser precisos 20 anos para chegar a um valor razoável. O resto é retórica a que o actual governo nos habituou.

“Se há coisa que não vai diminuir em 2018 é a dívida, vai subir. Vamos ter um défice de 1% do PIB, são 1700 milhões de euros que vai ser preciso ir buscar ao mercado. Há operações que o governo pode ter de fazer, não sei se fará alguma na CGD, que aumentará a dívida (…). O peso da dívida no PIB vai diminuir, mas lá está: o ministro das Finanças talvez pudesse ser mais rigoroso quando fala destas coisas (…). Dívida é uma coisa, o peso no PIB é outra. É bom que desça o peso no PIB, do meu ponto de vista era bom que a dívida não subisse. Mas vai subir”.

Contudo, tendo apenas por base as projeções do Governo, e tomando-as como certas, a única conclusão a que se chega é que a dívida pública em valor absoluto vai aumentar este ano, em relação a 2016, e vai também aumentar no próximo ano, em relação a 2017.

E a dívida é a segunda que mais cresce

Daqui a uns tempos vão-nos dizer que a dívida reduziu. Primeiro fazem-na crescer e depois reduzem-na para o nível anterior. Grande vitória a maior do século, aposto.

De acordo com os dados do Eurostat, revelados esta terça-feira, 24 de Outubro, no caso do défice Portugal registou o terceiro maior aumento entre os países da Zona Euro. Já na dívida a subida é a segunda mais elevada entre os países do Euro.

No segundo trimestre a dívida pública em Portugal situou-se em 249 mil milhões de euros, o que representa 132,1% do PIB. Este valor representa um agravamento de 1,7 pontos percentuais face ao primeiro trimestre (130,4%), sendo que na Zona Euro só a Lituânia fez pior (aumentou o endividamento em 2,6 pontos percentuais para 41,7% do PIB).

Olhando para o conjunto dos países do Euro, a dívida pública baixou para 89,1% no segundo trimestre, menos uma décima do que nos três meses anteriores.

 Como se vê estamos só 40% acima da dívida do conjunto dos países do Euro. Coisa pouca.