Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

O défice é o segundo pior da União Europeia e a dívida a terceira pior

Contando com a CGD o défice do ano passado é de 3% o segundo pior da União Europeia só atrás do de Espanha (3,1%).

Mas o divertido é que por cá na geringonça se discute onde aplicar o excesso resultante de um défice mais baixo que o orçamentado ( 1,1%) . Dizem que há 800 milhões que é preciso gastar .

E, é claro, a dívida não desce. Isto é muito mau mas a gente diverte-se muito.

Ainda de acordo com os dados do Eurostat, Portugal mantém a terceira maior dívida pública da União Europeia (UE), apesar de esta ter baixado, em 2017, para os 125,7% do PIB, face ao ano anterior.

De acordo com a primeira notificação para 2017, a dívida pública da zona euro recuou para os 86,7% do Produto Interno Bruto (PIB), face aos 89,0% homólogos, e a da UE baixou para os 81,9% (contra 83,3%), sendo a terceira quebra homóloga consecutiva em ambas as zonas.

A tentação da esquerda de fazer mais despesa

Contra a opinião de Centeno e de Costa a extrema esquerda quer fazer mais despesa e não reduzir a dívida. O habitual para quem não queria pagar a dívida ou queria renegociá-la com hair cut . Até se deram ao trabalho de escreverem tratados que ninguem leu e que cairam rapidamente no esquecimento tal era o mérito das soluções apresentadas.

Na entrevista à TSF, disse que quanto mais depressa o país se colocar numa trajetória de redução da dívida pública, mais rapidamente chegará a um "porto seguro". Foi neste contexto que avisou que "quando em Portugal o sol brilha assim por três ou quatro meses há sempre uma enorme tentação de ultrapassar um conjunto de condições orçamentais".

Entre a opção do governo e as que defendem os parceiros de esquerda, o economista João Duque observa que dar mais dinheiro aos serviços públicos não é sinónimo de resolução dos problemas e acentua que, na impossibilidade de o dinheiro dar para tudo (ir mais além no investimento e, simultaneamente, na redução da dívida), o mais acertado é reduzir o endividamento público.

A impossibilidade de Centeno

O défice foi conseguido à custa do aumento da receita a despesa até subiu.

É quase doloroso ver um economista competente tentar demonstrar que reduziu impostos, aumentou rendimentos e desceu o défice. As razões indicadas para a impossibilidade são três: "Em primeiro lugar, a economia teve um desenvolvimento muito acima do projectado (...) O peso dos juros no PIB ficou em 3,9%, o mais baixo desde 2010 (...) O terceiro grupo de razões tem que ver com alguns impactos que tínhamos previsto e que depois não se materializaram", citando aqui o adiamento para 2018 das despesas com os lesados do BES. Ora, como vimos, a primeira é frágil, a segunda temporária e a terceira, essa sim, meramente contabilística. Nada disto é estrutural.

O orçamento de estado de 2017 foi uma encenação

O dinheiro injectado na CGD sempre se soube que contaria para o défice. Centeno sabia-o e a pantominice do défice prova-o :

Em primeiro lugar, o ministro das Finanças não ficou aquém do défice previsto no Orçamento do Estado. O ministro das Finanças teve de ir além do que estava previsto no Orçamento, usando as cativações e reduzindo o investimento público, porque sabia que o défice podia ultrapassar o limite dos 3% do PIB. Afinal, os 0,92% eram apenas a garantia que tal não sucederia.

Em segundo lugar, os cortes foram substituídos por cativações. Os cortes não aparecem no Orçamento do Estado aprovado na Assembleia da República, mas aparecem na execuação orçamental.

Em terceiro lugar, confirma-se que o Governo não tem uma estratégia para a sustentabilidade das finanças públicas. Não é fácil reduzir a despesa pública. A sua redução terá de passar sempre por uma reforma do Estado. Com a actual estrutura de despesa pública, o equilíbrio das finanças públicas não poderá ser alcançado de uma forma sustentável. O resultado será sempre um aumento da carga fiscal.

Por fim registe-se que BE e PCP concordam com tudo isto.

O governo a viver de anúncios

Não sou dos satisfeitos pela redução (o modo) do défice orçamental. Sabia que Centeno preparava, às escondidas da tótó esquerdalha, as contas para que - milimetricamente - fosse encaixada a exagerada recapitalização da CGD.
Centeno cometeu "crimes" e erros. Jurou que a CGD não iria a défice. Foi ao défice.
Mas preparou a coisa: cortou na Saúde, Educação e adiou sine die as infra-estruturas aeroportuárias, ferroviárias e rodoviárias já acordadas desde 2014 com o PS.
O País perdeu obras com apoio comunitário, oportunidade que não haverá nos próximos anos.
Em matéria de obras, resta, a Costa viver de anúncios, até ao fim da legislatura. É o que ele anda a fazer.

Pior, o "capital físico" do País perdeu, em 2017, milhares de milhões de euros (dados de ontem, do INE), o preço da ausência de investimento: estradas degradadas, equipamento hospitalar esgotado, escolar, transportes, já sem valor ou ineficientes e não renovados.
Ou seja, o País perdeu valor: é como uma casa em que não se recuperam as paredes, a canalização, os fios eléctricos. Perde património... ficamos mais pobres. Simples como isto!
Por outras palavras, ainda: Costa e a esquerdalha vivem dos anos, passados, em que se compraram o raio X, a Tac, máquinas, construiram hospitais, etc... Não acrescentam, nem renovam valor.
Vive do passado e do futuro: alguém há-de comprar.
É o diabo.

Convinha, agora, que Centeno fosse ao Parlamento explicar aos contribuintes a razão porque mandou a CGD contratar aos "neo-liberais e especuladores" edge funds quase 1000 milhões de euros em empréstimnos perpétuos (dos quais 450 milhões no ano passado) a pagar juros (também perpétuos) de 12% anuais... Calma: é que a troca deste "negócio" era não levar a CGD a défice...um pagamento, digo eu.
Foi ludibriado. Ou o homem é um intrujão. Vai custar à CGD, em juros aos especuladores, 100 milhões de euros, por ano. É isto.

É claro, diz Centeno e Costa: sem a CGD, o défice seria de 0,9%, o "mais baixo da democracia". Eu digo: com os cortes no mais baixo Investimento Público dos últimos 60 anos, incluindo os anos de Salazar... Sem este plano B, era mesmo o diabo.

Sabem o que chateia mesmo? No melhor momento da economia mundial, Portugal é dos seis países da Europa que menos cresce.
Tudo isto é poucochinho.

A maior carga fiscal dos últimos 22 anos ( pelo menos...)

Acabou a austeridade mas a verdade, verdadinha, é que nunca a carga fiscal tinha atingido os actuais 34,7%. É preciso recuar a 1995.

O que não se percebe é que com esta carga fiscal o défice seja de 3% contando com o dinheiro injectado na CGD. Com este governo a verdade é sempre uma pós-verdade, arredondada, dá sempre para os dois lados.

E apesar desta carga fiscal os serviços públicos nunca foram tão maus. SNS, floresta, educação, Segurança...

A economia( empresas e famílias) não aguenta este nível de fiscalidade é necessário baixá-lo para níveis paralelos aos outros países. Mas se ao mesmo tempo o governo aumenta as despesas públicas permanentes( salários e pensões) como é que pode baixar os impostos ?

É como correr atrás da própria sombra...

O défice da balança comercial vai de mal a pior

As exportações travaram a fundo em Setembro agravando o défice da balança comercial que já vai em 1,18 mil milhões de euros. As importações também travaram mas menos.

Em termos acumulados, o terceiro trimestre de 2017 foi o pior desde os três meses terminados em Dezembro de 2016, no que se refere às exportações.
As vendas de bens para o exterior cresceram 7,6% no trimestre terminado em Setembro, registando assim um abrandamento do ritmo de crescimento trimestral pelo segundo mês consecutivo. Este é mesmo o ritmo de aumento das exportações mais brando desde o final do ano passado, período em que cresceu 4,9%, mas em que as exportações vinham a recuperar.

Foi sempre pelo défice das contas externas que Portugal teve que pedir ajuda externa primeiramente pela dívida e depois por programas de intervenção.

Até Setembro o país já tinha importado 200 000 carros através de crédito bancário e a compra de casas com recurso aos bancos também já despertou a tal ponto que os preços dispararam e já há quem fale em bolha.

As mesmas medidas dão o mesmo resultado e agora só falta que alguma coisa corra mal lá fora. Já nem sequer está nas nossas mãos. 

Teodora Cardoso :   "E não é esse o único problema: “Por outro lado, o turismo tem estado a produzir um efeito que tem de ser tido em conta com grande prudência, que é o aumento dos preços do imobiliário, que como sabemos foi um dos motivos da grande crise de 2011”.

Feliz o país que em tempos de bonança pensa na próxima crise

É que ela, a crise, vai chegar. Pode ser daqui a dois anos, ou a quatro ou a seis mas vai chegar e se nos apanha com a dívida aos níveis actuais vamos ter que pedir novamente ajuda externa. É por isso que há muita gente sabedora que avisa.

Colocar o défice a Zero como faria o Prof Daniel Bessa bem ao contrário do PCP e do BE que exigem mais défice ( dinheiro para gastar) .

Em 2016, a maioria dos países da zona euro tinha dívidas públicas entre os 80% e os 100% do PIB (a média da zona Euro é de 91%). Entre esses países está a Alemanha (que apesar dos excedentes orçamentais não prevê reduzir muito substancialmente a sua dívida), a França, a Espanha e a Áustria.

Urge que Portugal reduza a sua dívida para os 90%. Isto só se faz com um plano concreto que dê prioridade ao "como" e " enquanto tempo ". Ora em Portugal o que o governo nos diz é que "a dívida vai dar um trambolhão" . Esperamos sentados .

Contudo, tendo apenas por base as projeções do Governo, e tomando-as como certas, a única conclusão a que se chega é que a dívida pública em valor absoluto vai aumentar este ano, em relação a 2016, e vai também aumentar no próximo ano, em relação a 2017.

Bruxelas vê desvios significativos

Jerónimo e Catarina bem dizem que nunca perceberam a diferença entre um défice mais baixo e outro mais alto. Nunca ninguém lhes explicou o que mostra que são os malandros neo-liberais que nos querem tramar.

A Comissão Europeia não acredita no cálculo do ajustamento estrutural feito pelo Executivo e depois de refazer as contas avisa que a meta traçada pelas autoridades portuguesas está abaixo do combinado. 
Além disso, o Executivo comunitário salienta dúvidas quanto à evolução da despesa líquida primária, outro indicador usado para avaliar o cumprimento das regras orçamentais.
"Também a taxa de crescimento nominal da despesa líquida primária excede a taxa recomendada de 0,1%, apontando para um fosso igual a 1,1% do PIB em 2018."

E hoje estamos em greve para aumentar a despesa primária em salários e pensões.

A tragédia pôs a nu a austeridade escondida

PCP e BE sempre souberam da austeridade escondida como forma de atingir o défice pretendido. A tragédia teria sempre acontecido mas não nas proporções verificadas  bem como as listas de espera na Saúde . Em ambos os sectores a austeridade escondida veio ao de cima com vítimas como nunca aconteceu. "

Há números que valem mais do que mil palavras. A verdade, como aprendemos com a sabedoria popular, vem sempre ao de cima como o azeite. À medida que o tempo passa e chegam os dados, percebemos como é que foi possível repor os salários da função pública e eliminar cortes de pensões e, ao mesmo tempo, reduzir o défice público em 2016. A dimensão dos cortes mascarados de “cativações” ultrapassa o que se fez na era da troika.

Os números foram divulgados pela UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) na análise à proposta de Orçamento do Estado para 2018 e são reveladores da táctica que foi usada para o Governo tornar o que parecia impossível realizável.

A tragédia dos incêndios pôs a nu essa estratégia de cortes já que obrigou a olhar para o Orçamento na perspectiva de um serviço específico. Este Governo dotou a protecção civil com menos recursos financeiros do que aqueles que tiveram na era da troika, como se pode ler neste trabalho do Observador, Fact checks. As verdades e enganos na moção de censura. Nunca saberemos o peso que teve a falta de recursos financeiros no que se passou nos incêndios deste Verão.